Sem verba de publicidade da Caixa, NBB encolhe na TV

A ESPN, um dos seis canais de exibição do NBB desde outubro de 2018, deixou de transmitir os jogos em fevereiro

Jogo entre Corinthians e Flamengo pelo NBBJogo entre Corinthians e Flamengo pelo NBB - Foto: Divulgação/NBB

Anunciado pela Liga Nacional de Basquete (LNB) como trunfo no início da temporada, o modelo de transmissão multiplataforma das partidas do NBB (Novo Basquete Brasil), principal campeonato do país, chega à reta final da competição enfrentando problemas.

A ESPN, um dos seis canais de exibição do torneio desde outubro do ano passado, deixou de transmitir os jogos no início de fevereiro, logo após a realização do fim de semana das estrelas do NBB, evento para o qual deu grande visibilidade em sua programação.

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A última partida com transmissão da emissora, que passava confrontos todas as terças-feiras, foi Flamengo contra Franca, em 5 de fevereiro.

"Devido a uma alteração no modelo de negócio que viabilizava as transmissões do NBB na ESPN, o campeonato deixou de ter momentaneamente as partidas transmitidas pela emissora", afirmaram o canal e a LNB em nota conjunta.

A reportagem apurou que a "alteração no modelo de negócio" citada é o fato de a Caixa Econômica Federal, também patrocinadora do NBB, ter deixado de anunciar no canal.

O acordo entre ESPN e liga estava vinculado à existência desses anúncios, e a ausência deles inviabiliza financeiramente as transmissões.

A assessoria de imprensa da Caixa confirmou que a estatal não autorizou novas veiculações de campanhas publicitárias na emissora em 2019.

Esse não foi o primeiro obstáculo na relação entre a empresa e a LNB. Em fevereiro, o presidente da liga, Kouros Monadjemi, disse que o pagamento das verbas de patrocínio da Caixa à entidade estava atrasado. Ele atribuiu isso ao início do novo governo. O contrato determina repasse de R$ 5,5 milhões anuais da estatal e vale até a próxima temporada.

"Como acontece em toda gestão, quando muda tem um hiato. A Caixa é uma entidade muito séria, acreditamos que vá cumprir seus acordos. Pode até não querer renovar, como aconteceu no futebol, mas acho que vão honrar [os contratos em vigor]", disse Monadjemi na ocasião.

Questionada novamente sobre o assunto, a liga afirmou que o patrocínio da Caixa continua com seu fluxo normal, mas reconheceu que "há um trâmite maior com relação à análise dos projetos em razão da mudança da diretoria, para que a mesma tenha amplo conhecimento dos detalhes do patrocínio".

No ano passado, a liga inovou no modelo de transmissão para esta temporada. Após o fim do contrato com o Grupo Globo, seu parceiro durante dez anos, a LNB fechou acordo com seis plataformas: ESPN, Bandsports, Band, Fox Sports, Twitter e Facebook.

A logística necessária para a transmissão dos jogos passou a ser bancada pela entidade, que criou um padrão único de geração de imagens e caracteres para os novos parceiros. A liga não informa quanto gasta com esse trabalho.

O atraso no pagamento do patrocínio à entidade explica o fato de a quantidade de jogos transmitidos em alguma das seis plataformas ter caído de 73,6% no primeiro turno para 63,7% no segundo (iniciado em 2019).

No total, 125 de 182 partidas (68,7%) da fase inicial tiveram exibição. O percentual está próximo dos 70%, meta estabelecida pela liga.

Considerando somente as emissoras de televisão, o número caiu de 37 jogos com transmissão no primeiro turno para 29 no segundo.

A Bandsports também ficou sem transmitir a competição de 14 de fevereiro a 26 de março, mas retomou as exibições do torneio no fim da temporada regular e as manteve no início da fase de playoffs.

O contrato da liga com a Bandsports, porém, prevê exibições somente até as oitavas de final. Nesse cenário, a partir das quartas de final o número de plataformas de exibição cairia de 6 para 4.

Nesta segunda-feira (8), o jogo 2 da série de oitavas de final entre Paulistano e Basquete Cearense ficou sem transmissão, contrariando os planos iniciais da liga de transmitir todos os jogos de playoffs, assim como ocorreu na temporada passada.

Ainda que consiga manter a transmissão das demais partidas até o fim do campeonato nas outras plataformas, sem a ESPN a liga perde um de seus principais parceiros de mídia.

O canal sempre foi tratado como joia da coroa do novo modelo multiplataforma, por já transmitir a NBA há muitos anos e ter forte identificação com fãs de basquete.

Até esta segunda não havia nenhuma mudança na posição da emissora. "A LNB e ESPN buscam uma solução para retomar as transmissões", afirma a nota conjunta.

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