Sensação de 2019, Flamengo retoma protagonismo

Ótimo momento do clube mais popular do País é consequência de combinação de fatores: dinheiro, boa gestão e time encaixado são pilares

Torcida do Flamengo é a maior do PaísTorcida do Flamengo é a maior do País - Foto: Divulgação/Flamengo

Torcida criando cartaz para artilheiro, sósias aproveitando a fama dos originais, “mister” português ovacionado, Maracanã relembrando seus grandes tempos de lotação... Não há maior sensação no futebol brasileiro em 2019 do que o Flamengo. Em campo, nas arquibancadas, nas redes sociais, na imprensa e até entre atletas internacionais - vide os comentários do alemão Podolski e do chileno Vidal, ilustres torcedores do Urubu. Hoje, ninguém questiona que os cariocas, líderes do Brasileirão e finalistas da Libertadores da América, são os protagonistas do País. Para chegar até o ponto de “não ser time, ser seleção”, como brincam os flamenguistas, foi preciso uma combinação de fatores.

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Parte do tom romântico na abordagem sobre o Flamengo fica em segundo plano na primeira explicação para entender o fenômeno de 2019: dinheiro. O clube foi o que mais gastou no ano em contratações (R$ 156,3 milhões). Duas das três maiores transferências da história do futebol brasileiro aconteceram nesta temporada: as idas de Arrascaeta (R$ 63,4 milhões) e Gerson (R$ 49,7 milhões) para o time carioca. Isso sem falar nos salários milionários que somam R$ 17 milhões por mês. Só assim para bancar nomes como Rafinha, Filipe Luís e Gabriel Barbosa, por exemplo.

E de onde vem esse dinheiro? Sob a gestão do ex-presidente Eduardo Bandeira de Melo, a instituição reduziu sua dívida em mais de R$ 200 milhões entre 2014 e 2017. Aliado a isso, o clube soube utilizar bem a gorda quantia recebida em cotas de televisionamento (R$ 220 milhões), além dos faturamentos com marketing, patrocínio, associados e renda de bilheteria. Esse último tem sido um grande trunfo dos cariocas. No jogo passado, contra o Grêmio, na semifinal da Libertadores, o Fla arrecadou mais de R$ 8 milhões graças ao público de quase 70 mil pessoas. Sem falar nos cofres recheados com as recentas vendas de pratas da casa como o meia Lucas Paquetá e do atacante Vinícius Júnior.

Dinheiro e boa gestão, contudo, de nada adiantariam se os protagonistas em campo não fizessem sua parte. O primeiro acerto do Flamengo figura na ousadia em ter optado pela contratação do técnico Jorge Jesus. Mesmo com um currículo extenso em Portugal, o treinador ainda não havia trabalhado na América do Sul. Em pouco tempo de trabalho, o “Mister”, como gosta de ser chamado, implantou uma filosofia de jogo ofensiva, tendo como referência, segundo o próprio, o holandês Johan Cruyff. Exigente até mesmo na fase espetacular dos cariocas, o treinador soube extrair o melhor do elenco e descartou a ideia de poupar jogadores mesmo atuando em competições simultâneas - postura comum no Brasil adotada por vários técnicos. E por falar em elenco...

Diego Alves; Rafinha, Rodrigo Caio, Pablo Marí e Filipe Luís; Willian Arão, Gerson e Arrascaeta; Everton Ribeiro, Bruno Henrique e Gabriel. Esse é o time titular do Flamengo. No banco, o clube ainda conta com peças como Diego, Vitinho e Reinier. Com um grupo recheado de grandes nomes, o time foi empilhando vitórias na Libertadores e no Brasileirão. Entretanto, essa não foi a primeira vez que os cariocas montaram um “plantel estrelar”. O time de 2000 tinha nomes Gamarra, Vampeta, Petkovic, Alex, Edilson, Denilson e um tal de Adriano Imperador em seu início de carreira, mas não teve sucesso. Antes, o Urubu já havia reunido Romário, Edmundo e Sávio, também sem colher na prática o futebol avassalador que era esperado na teoria. Desta vez, a equipe da maior torcida do Brasil fez da expectativa uma realidade na junção de craques, exibição vistosa e resultados expressivos.

O clube ainda não ganhou as duas taças que está disputando, mas já é possível levantar o questionamento: ele pode ser considerado o melhor brasileiro da história em uma temporada se ganhar a Série A e a Libertadores no mesmo ano? Apenas o Santos de Pelé, na década de 60, obteve o feito. Se quebrada, a marca pode transformar o time de 2019 em um dos maiores (ou maior) do Flamengo, entrando no hall dos grandes conjuntos do futebol nacional. É a chance de acabar com o “cheirinho” e voltar a sentir o gosto de grandes conquistas.

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