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Só camisa não salva! Rebaixamento expõe sequência de erros no Cruzeiro

Raposa foi rebaixada à Série B em ano conturbado dentro e fora de campo

CruzeiroCruzeiro - Foto: DOUGLAS MAGNO / AFP

Time grande cai. Ou melhor, times grandes caem. No plural e, em alguns casos, duas ou três vezes. A antiga máxima do futebol brasileiro começou a ruir em 1991, quando o Grêmio sofreu a queda à Série B. Nos anos seguintes, outros oito representantes do chamado G12 do eixo Sul-Sudeste caíram: Vasco, Fluminense, Botafogo, Palmeiras, Corinthians, Internacional, Atlético/MG e, mais recentemente, o Cruzeiro. Uma surpresa, visto o grupo recheado de grandes nomes no time mineiro. Seria a Raposa a equipe grande de melhor elenco a ser rebaixada?

“O Cruzeiro foi o time com maior qualidade de elenco que caiu. Superando, por exemplo, o Inter de 2016, que tinha nomes como Alex, Anderson, Valdivia, Vitinho e Nico Lopez. O time custou R$ 15 milhões por mês e tinha vários atletas que seriam titulares em vários clubes brasileiros”, afirmou o comentarista dos canais ESPN, Jorge Nicola. A Raposa, inclusive, tinha o terceiro plantel mais caro do Brasileirão, atrás de Flamengo e Palmeiras.

Fábio, Léo, Dedé, Henrique, Thiago Neves e Fred. Todos jogadores que já foram convocados pela Seleção Brasileira. O último, inclusive, presente na Copa do Mundo de 2014. O grupo acima, há um ano, comemorou a conquista da Copa do Brasil. Para 2019, o Cruzeiro ainda fechou com Rodriguinho e vendeu Arrascaeta ao Flamengo. A equipe chegou na estreia do Brasileirão ostentando uma invencibilidade de 21 jogos, sem perder um confronto sequer no ano. Colocava-se o time como um dos candidatos ao título. Mas eis que escândalos extracampo iniciaram a derrocada da Raposa.

Em maio, uma reportagem da TV Globo apresentou denúncias de diversas irregularidades do clube como transações ilegais de jogadores com empresários não cadastrados pela CBF, cessão de direitos econômicos de atletas de base abaixo da idade mínima, além de esquemas de pagamentos para torcidas organizadas. Corrupção fora dos gramados que atingiu o ambiente das quatro linhas.

O Cruzeiro teve quatro técnicos na Série A. Mano Menezes foi demitido em agosto após uma sequência de resultados ruins. Veio então Rogério Ceni, mas a passagem do ex-goleiro foi de 46 dias. Curta, mas intensa, graças aos problemas com os dirigentes e com atletas do elenco, em especial o meia Thiago Neves. Abel Braga foi o escolhido para o comando, mas dispensado faltando três rodadas para o término da competição. A aposta final foi em Adilson Batista, mas o novo treinador veio apenas para entrar para a história como o profissional que esteve no jogo da queda da Raposa.

“O fator externo atrapalhou demais. O clube atrasou salários e estampou as páginas policiais por conta de Itair Machado (ex-vice-presidente) e outros dirigentes. Faltou estabilidade, permitindo que atletas mimados tomassem conta das coisas, como no episódio de Rogério Ceni”, completou Nicola. Outros grandes rebaixados também tiveram elencos que, ao menos na teoria, poderiam render bem mais. O Palmeiras de 2002 caiu com Marcos, vindo de um título da Copa do Mundo, Arce e Zinho, por exemplo. Em 2012, o Verdão foi rebaixado com Marcos Assunção, Valdivia e Barcos. O Vasco de 2008 possuia no grupo o ídolo Edmundo e Alan Kardec.

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