Sob tensão, clubes do Interior calculam prejuízos

Times relatam suspensão de patrocínios, fuga de sócios e dispensa de jogadores em meio à crise provocada pelo coronavírus

Afogados teme debandada de atletasAfogados teme debandada de atletas - Foto: Romário Silva/Ascom Afogados FC

A paralisação dos campeonatos provocada pelo novo coronavírus atingiu em cheio os clubes do Interior do Estado. O orçamento, sempre apertado, ficou ainda mais difícil de ser administrado. A Folha de Pernambuco ouviu dirigentes das instituições para saber o impacto que o cenário atual do esporte teve no orçamento. Há relatos de suspensão de patrocínios, dispensa de jogadores, queda no quadro de associados, temor por debandada de atletas e pedido para acabar o Campeonato Pernambucano, possibilidade levantada por algumas equipes há alguns dias e novamente reforçada.

"Temos quatro patrocinadores, mas dois deles suspenderam o pagamento em virtude dessa questão do coronavírus. Tem uma empresa de aposta que, com essa parada, está sofrendo para arrecadar dinheiro, já que praticamente não há partida para apostar (exceto em alguns países como Nicarágua e Belarus). Temos contrato até o final do ano, mas a volta (do pagamento) só deve acontecer assim que essa situação passar", informou o vice-presidente do Central, Warley Santos. As empresas que deixaram momentaneamente a parceria com a Patativa foram a Hebron e Super Bet Brasil. Os caruaruenses também também tiveram uma baixa de 60% no número de associados.

Único pernambucano ainda presente na Copa do Brasil, o Afogados vive situação delicada. "Os contratos com todos os nossos atletas vão até dia 30 de abril. Se chegar nessa data e o Estadual não tiver retornado, nós vamos fazer o distrato e só voltaremos a planejar o futebol quando as competições voltarem. Vamos tentar fechar alguns acordos verbais para eles assinarem depois conosco. Mas há a possibilidade de eles receberem ofertas melhores. Nesse caso, nós teríamos que fazer uma remontagem do elenco. Porém, isso não me preocupa, o que não falta é jogador por aí. Eu só não posso é sair fechando contrato enquanto nossa equipe não entra em campo. Nós não temos receita. Se eu fizesse isso, a gente ia quebrar", afirmou João Nogueira, presidente do clube. O meia-atacante Aurélio, o volante Juninho e o atacante Sacramento já foram dispensados.

"Desde 2017, nós não temos auxílio da prefeitura da cidade e não jogamos no Carneirão. Isso já nos atrapalha. Estamos contando agora com o apoio da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e da Federação Pernambucana de Futebol (FPF)", explicou o presidente do Vitória, Paulo Roberto. O mandatário aguarda o posicionamento sobre uma carta enviada por um grupo de 250 clubes pedindo à entidade máxima do futebol nacional um aporte financeiro de R$ 75 mil por um período de três meses.

No Salgueiro, verbas antigas foram usadas para quitar os vencimentos de março. "Tínhamos pequenos patrocinadores, mas eles tiveram que parar de ajudar. Não falamos ainda com a prefeitura daqui sobre o assunto porque o momento é de se preocupar com a saúde. Estamos usando uma reserva para manter as contas em dia", frisou o presidente do clube, José Guilherme.

“Fui claro com os atletas e vamos esperar o que será decidido. Aguardamos que a FPF prolongue o contrato com nossos jogadores. Os patrocinadores que temos da cidade e da Prefeitura estão previamente suspensos, mas está tudo em ordem. Sobre a Stadium Bet, nós ainda precisamos entrar em contato, mas deve seguir esse mesmo caminho", disse Epitácio Manoel, presidente do Decisão.

O diretor de futebol do Retrô, Gustavo Jordão, lembrou que as equipes do chamado "G7" de Pernambuco - sem a presença do Trio de Ferro da capital - solicitaram uma medida drástica quanto ao Estadual justamente por conta das dificuldades financeiras. “Vivemos uma crise controlada e gerenciada, mas estamos atentos ao que está acontecendo. Nós entramos com a sugestão de fim do campeonato. Por enquanto, o que optamos por fazer foi esvaziar o CT e dar férias coletivas até dia 21 de abril aos atletas e comissão técnica. Agora nos resta aguardar a decisão da FPF e da CBF. Imagino que eles podem diminuir o prazo mínimo de contratos para um ou dois meses, mas é tudo muito incerto ainda. Economicamente estamos estáveis, até porque nosso único patrocinador é a Faculdade Unibra."

A diretoria do Petrolina, outro time que integra a primeira divisão do Estadual, também foi procurada pela reportagem, mas, até o fechamento desta edição, não havia sido localizada.

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