Superação leva pernambucano a correr em Nova York

Recuperado após acidente grave, maratonista Geison Rodrigues passou a correr e agora realiza um sonho

Geison Rodrigues começou a competir em 2011Geison Rodrigues começou a competir em 2011 - Foto: Anderson Stevens/Folha de Pernambuco

O pernambucano Geison Rodrigues embarca na tarde desta quarta-feira (31) para os Estados Unidos, onde participará, neste domingo (4), de uma das principais provas de rua do planeta: a Maratona de Nova York. São 42,2 KM, além de mais de dois milhões de espectadores apoiando os competidores durante a competição. O morador de Barra de Jangada, Jaboatão dos Guararapes, foi convidado pela organização do evento para correr entre os 50 mil sorteados inscritos. Será a primeira maratona do técnico em automação de 38 anos.

Mas engana-se quem pensa que a vida de Geison sempre foi participar de corridas. Aliás, a paixão pelo esporte teve início após um grave acidente. Em 2006, ao buscar um amigo no aeroporto pilotando uma moto, sofreu uma batida de um automóvel. Na ocasião, fraturou a bacia e o fêmur. Teve que passar por três cirurgias, além de colocar uma placa com 12 parafusos na perna e, durante três anos, andar de cadeira de rodas e de muletas. Apesar de uma árdua recuperação, o corredor conseguiu superar todas as dificuldades.

“Foram de três a quatro anos de muita labuta. Os médicos disseram que enganei a medicina, pois se tratava de uma área delicada e de difícil recuperação. Larguei a cadeira de rodas, fiquei de muletas e eles disseram que eu não iria poder andar de bicicleta, jogar bola... praticar nenhum esporte! Falavam que minha cabeça do fêmur era de um cidadão de 80 anos e por um estresse, por um impacto, poderia ter uma nova fratura. De 2009 até 2011 eu não fazia nada. Para todos os lugares que eu ia, acabava indo de carro”, declarou Geison.

O amor pelo pedestrianismo surgiu em 2011. A convite de um amigo, o pernambucano participou da Corrida das Pontes e se encantou pela energia dos presentes. Após caminhar por dois quilômetros, pôs como meta correr uma prova de 5 km. Desde então passou a treinar diariamente, mas a empolgação acabou sendo sua vilã. Ainda desacostumado com a vida de corredor, estava acima do peso e treinava com tênis desapropriado, o que gerou lesão em seus calcanhares. Recuperou-se, e hoje treina três vezes por semana na Reserva do Paiva, somando 18 pódios no currículo. Sem nenhum apoio e em busca de patrocínios para o próximo ano, está perto de realizar o sonho de disputar uma das grandes corridas do mundo.

“Será minha primeira corrida internacional. Para garantir a inscrição é muito difícil, pelo fato de se tratar de uma das maratonas mais concorridas do planeta. O sorteio para conhecer os participantes é feito por uma loteria americana. A organização ainda convida pessoas de 79 países e tive o prazer de ser convidado, com inscrição e hospedagem pagas. É uma grande oportunidade. É o sonho de todo maratonista. Minha expectativa está tão grande que até para dormir está sendo complicado, devido à ansiedade”, falou em tom de descontração.

Além de levar a bandeira de Pernambuco em todas as competições de que participa, Geison tem o privilégio de ser embaixador da Unicef no Brasil. Ao lado de Lázaro Ramos e Luciano Huck, o morador de Jaboatão virou um exemplo para diversas pessoas. Não só por toda a superação que teve que passar para poder correr nos dias de hoje, mas também por estar sempre querendo ajudar o próximo. “O esporte é uma grande ferramenta para mudar a vida das pessoas. Já corri pela causa da criança e do adolescente, pela inclusão, pelo combate da poliomielite. Muita gente acaba se inspirando em mim. Tenho isso como compromisso e não quero parar tão cedo.”

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