Superando limites nas quadras

Vileide Almeida venceu dificuldades através do basquete em cadeira de rodas e planeja voos altos na carreira

Carlos Siqueira é presidente do PSBCarlos Siqueira é presidente do PSB - Foto: Divulgação

 

Até que ponto o esporte é capaz de transformar a vida de uma pessoa? No caso de Vileide Almeida, de 25 anos, a resposta é quase completamente. Ala-armadora da seleção brasileira feminina de basquete em cadeira de rodas e do All Star Rodas, do Pará, ela teve de acostumar-se a um novo mundo após ser picada por uma cobra, aos 12 anos.

Acompanhada da avó, Joana de Assunção, a paraense brincava em um roçado na cidade de Curuçá, interior do Pará, quando foi fisgada no tendão do pé esquerdo. Após um mês internada e nenhum sinal de cicatrização na área, a jogadora precisou retirar parte do tecido fibroso e passou a andar com dificuldade.
O encontro com o basquete em cadeira de rodas aconteceu três anos depois, através do convite de um amigo.

“Não gostava de praticar esporte, mas sinto como se o basquete tivesse me escolhido. Apesar de ser deficiente, não preciso de cadeira para andar, então, no primeiro contato, estar ali sentada era muito estranho pra mim”, contou.

A experiência foi essencial para uma mudança de hábitos e pensamentos na vida de Vivi, como prefere ser chamada. “Eu realmente passei a aceitar minha nova condição através do basquete em cadeira de rodas. Vi ali, em contato com tantas pessoas, que minha deficiência era mínima e que era eu quem colocava as dificuldades na minha cabeça. Se a gente se limitar, acaba não conseguindo alcançar nenhum objetivo.”

Na Rio-2016, em setembro, a jogadora viveu o terceiro ciclo paralímpico da carreira. Vivi foi um dos destaques na campanha da seleção brasileira feminina nos Jogos Paralímpicos, encerrando a competição no sétimo lugar geral. Embora veterana, ela garante que o certame teve um gosto especial.

“Para um atleta que busca sempre o alto rendimento, sempre vai existir o frio da barriga. Imagina em uma competição desse nível, jogando no Brasil? Viver isso foi incrível e tenho lembranças que ficarão para sempre”, recordou.

Há quem diga que o correto é viver pensando apenas no hoje. No Recife para participar do Campeonato Brasileiro Feminino de Basquete em Cadeira de Rodas, evento no qual busca o tetra pelo All Star Rodas, a paraense demonstra ter uma filosofia diferente, tanto que já calculou os próximos passos.

“Atleta tem que viver de sonhos e acordar todos os dias motivado, porque sabemos que não é fácil. Vai ter dificuldade, barreiras, mas estamos todos os dias na luta. Minha próxima e principal meta é estar nas Paralimpíadas de Tóquio-2020, e é para isso que tenho me dedicado todos os dias”, concluiu.

Pernambuco é celeiro esvaziado

Neste domingo, o Centro Esportivo Santos Dumont, em Boa Viagem, sedia o jogo que definirá o novo campeão do Brasileiro Feminino de Basquete em Cadeira de Rodas 2016. O evento, que aportou na Cidade desde a última quarta-feira, tem movimentado os admiradores da modalidade. Embora estejam sendo os anfitriões do certame pelo segundo ano consecutivo, os pernambucanos não puderam sentir o gostinho de torcer por alguma equipe local, uma vez que o Estado não teve nenhum clube inscrito.

Paratletas como Rosália Ramos (Gaadin/SP), Dilma Fernandes (Aabane/BA), Anirely e Anecherly Martins (Gladiadores de Patos de Minas/MG) e Michelly Carvalho (Addece/CE), todas pernambucanas, precisaram sair do Estado em busca de outros clubes, pois aqui não encontraram onde jogar. O último grupo pernambucano feminino da modalidade, o Apacree, deixou de existir há dois anos.

“Temos uma grande quantidade de atletas com muito potencial, o problema é que falta incentivo, apoio e patrocínio. Pernambuco sempre foi um grande celeiro no esporte paralímpico, e no basquete não é diferente. Infelizmente, sofremos por não existir apoio da iniciativa privada e nem do poder público, isso tem dificultado a sustentação dessas equipes”, explicou Naíse Pedrosa, presidente da Confederação Brasileira da modalidade (CBBC).

Em um passado recente, mais da metade do grupo da seleção brasileira masculina de basquete em cadeira de rodas era de atletas pernambucanos. Hoje, os que optaram pela profissionalização na modalidade estão longe do Estado. “É lamentável a realidade que temos hoje. A maioria precisa deixar Pernambuco para ter a oportunidade de jogar. No Brasil, as melhores equipes são compostas por vários atletas pernambucanos”, completou Pedrosa.

 

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