Surfe em sintonia com o meio ambiente

Gaúcho ensinará público a confeccionar equipamento em oficina hoje na praia de Maracaípe, Litoral Sul

Ballet BolshoiBallet Bolshoi - Foto: Reprodução

 

Solução econômica para os tempos difíceis nas finanças e inteligente na tentativa de recuperar o meio-ambiente, em crise há décadas, a confecção de pranchas de surfe com garrafas pet recicladas é o foco principal de uma oficina que tomará conta da praia de Maracaípe, no Litoral Sul do Estado. Neste final de semana, o surfista gaúcho Jairo Lumertz, idealizador das pranchas sustentáveis, ensinará o público local a criar suas próprias peças. As orientações começam às 10h, em frente ao Palhoção do Bartô. A iniciativa é das Lojas Bali e da marca FreeSurf.

A primeira criação dele aconteceu em 2007, quando, morando no Havaí, aproveitou as garrafas pet deixadas aos montes nas lixeiras da ilha para testar a ideia. Não só deu certo, como ele passou a fazer sucesso. “Todo mundo gostava e se interessava não só pela prática do esporte, mas em como fazer as pranchas”, conta ele, que ao retornar para o Brasil acabou deixando esse trabalho de lado por um tempo. O retorno foi motivado pela namorada, depois de vê-lo lembrar os tempos de Havaí montando uma prancha para se divertir. O projeto, então, reviveu.

“Passei a levar a oficina em colégios do Rio Grande do Sul. Das escolas, levava a criançada para surfar. A interação deles era total com o esporte e com o interesse de montar a prancha. De lá para cá, viajamos para muitos estados do Brasil”, comemora Jairo. Segundo ele, as pranchas sustentáveis são mais lentas em relação às convencionais. Entretanto, a vantagem na questão ecológica e a ligação com o processo de confecção acabam compensando.

“Elas têm o ritmo delas, dependendo das garrafas utilizadas. Mas é incrível surfar em cima do lixo. Não só o esporte, mas a sensação de você saber que contribuiu para tirar o lixo do meio ambiente. Mais ainda plástico, que demora dezenas de anos para se decompor”, diz.

Modelos

As pranchas são feitas em dois modelos. Uma menor, para pegar onda, e outra maior, os famosos Stand Up Paddle (SUP), com maior área de flutuação, na qual pode-se ficar em pé e deslizar, no rio ou no mar, com auxílio de um remo. O SUP tem um custo de R$ 120, enquanto a prancha sai pela metade do valor.

Além das garrafas, são utilizados ainda na confecção cola à base de poliuretano, canos de pvc e qualquer compensado de plástico para fazer as quilhas. “Tem-se que comprar algum material, mas o grande barato sempre será achar a matéria-prima no lixo. Isso é o que nos motiva.”

 

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