Talleres batalha pela sobrevivência do rugby no Estado

Fundado por argentinos, o time é a principal força do esporte em Pernambuco, mas convive com a falta de patrocinadores

Talleres Rugby Club, time de rugby de PernambucoTalleres Rugby Club, time de rugby de Pernambuco - Foto: Paullo Allmeida/FolhaPE

As cores são da Argentina. O sotaque, carregado. Mas é a bandeira de Pernambuco que o Talleres Rugby Club encarna. Fundado por argentinos, o time é a principal força do esporte no Estado, mas convive com a falta de patrocinadores, de mais atletas e até de rivais. Em meio a essas dificuldades, o orgulho, os valores do rugby e um título recente elevam "La T", como é conhecida a equipe, ao estandarte pernambucano no esporte da bola oval.

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O Talleres Rugby surgiu no ano de 2010, sendo fundado em 12 de outubro. A equipe reunia atletas que participavam do Recife Rugby (time que deu origem ao esporte em Pernambuco) e que por diferentes motivos não podiam treinar. “Juntei a turma de amigos, compramos umas camisas e, mesmo pouco treinados, fomos para o campo para nos divertir. Éramos vários argentinos, um samoano, um pernambucano e alguns estrangeiros que fossem aparecendo”, comenta Carlos Pereyra, argentino e fundador do Talleres. O time disputa hoje três tipos de modalidade: union (15 atletas), ten-a-side (dez atletas) e sevens (sete atletas), integrante do programa olímpico.

As cores, nome e escudo são inspirados no Talleres de Córdoba, time que atualmente disputa a Primeira Divisão da Argentina. Carlos, nascido na cidade, é torcedor fanático e decidiu abrir uma “filial” da equipe em solo pernambucano. “Em 2013, quando o clube soube da nossa existência, fomos parabenizados e convidados a formar uma filial aqui no Brasil. Então, desde 2014 somos filial oficial. Fazemos parte das 150 que o Talleres têm pelo mundo”, diz o presidente e capitão do time pernambucano.

Mesmo sendo uma equipe “oficial”, as características são de esporte amador. As dificuldades são inúmeras, e vão desde a falta de apoio financeiro à ausência de rivais no Estado. “Tem a falta de informação, o desinteresse em novas modalidades por parte dos responsáveis e o descaso por não se tratar de um esporte muito conhecido ou praticado no Brasil”, explica Carlos. “Somos nós que bancamos todas as despesas, incluindo passagens, alimentação, hospedagens, camisas, bolas, juízes, aluguel de campo, socorristas e ambulância”, completa.

O Campeonato Pernambucano, por exemplo, está parado por falta de equipes. O Estado vive uma realidade diferente de São Paulo, por exemplo, berço do esporte no Brasil que possui várias divisões e times com patrocínios. Para se ter uma ideia da fase do rugby em Pernambuco, a última partida disputada no Recife entre duas equipes pernambucanas foi em 2015, quando o Talleres encarou o Paulista/Náutico pelo Campeonato Pernambucano. De lá para cá, apenas jogos contra times do Nordeste.

Apesar de tudo isso, “La T” tem representado bem Pernambuco. Em agosto, o time conquistou de forma inédita o Campeonato do Nordeste, diante do Parnaíba, do Piauí. Além disso, a equipe tem participado de amistosos no Rio de Janeiro e em outras regiões, mantendo a atividade e tentando se fortalecer para os próximos desafios. “Defendemos com toda a garra, trabalhando sempre em equipe e representando o Estado a altura dentro e fora do campo”.

Roubo

Em setembro, membros do Talleres tiveram itens roubados no bairro de Boa Viagem. Entre os objetos levados, um troféu e medalhas conquistados em um torneio na Paraíba. Os jogadores fizeram campanha para tentar reaver os objetos, mas, até aqui, nada foi recuperado.

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