Teleco é aposta para suceder dinastia no beach soccer

Aos 19 anos, pernambucano concilia estudos com ascensão no gol da seleção, hoje ocupado por suas referências

Teleco tem conterrâneo como inspiração Teleco tem conterrâneo como inspiração  - Foto: Arthur de Souza

Ser reverenciado pelo que faz com a bola é o sonho de muitos jovens ao redor do Brasil. Enquanto a preferência da maioria é jogar no tradicional gramado, o salão e a areia são considerados caminhos alternativos ou sequer cogitados. Não é o caso do pernambucano Matheus Teleco, de 19 anos, goleiro do Geração 4 e que recentemente conquistou as Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo pela Seleção Brasileira de beach soccer. A fama e o dinheiro, tão prometidos no futebol de campo, não foram suficientes para afastar a paixão do jovem pela modalidade.

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Natural de Jaboatão dos Guararapes, Matheus começou a treinar aos nove anos no Sesc Piedade. Ao longo desses dez anos de caminhada, encontrou muitos obstáculos, mas cita a importância do beach soccer para seguir em frente. “Consegui minha escola e faculdade através do futebol de areia, e isso me incentivou a treinar mais”, afirmou.

Teleco vestiu a camisa do Sport no início da carreira, mas passou posteriormente pelos rivais Santa Cruz e Náutico. Diferentemente do futebol de campo, o profissional de beach soccer normalmente não possui estabilidade nas equipes. O jogador deve se moldar e encontrar as oportunidades enquanto as competições ocorrem durante o ano. Atualmente no Geração 4, o goleiro defende o Náutico nos torneios de nível nacional.

Apesar da idade, o atleta já acumula títulos relevantes no currículo. Em 2017 conquistou o tetracampeonato invicto da Liga Sul-americana com a seleção sub-20, e neste ano levantou a taça das Eliminatórias Sul-Americanas, garantindo a vaga na Copa do Mundo. O arqueiro, que participou de todas as partidas do Brasil no torneio, avalia positivamente o seu desempenho. “É uma competição difícil que traz responsabilidade enorme para colocar a seleção no Mundial, mas consegui arcar com isso e ter personalidade para fazer meu trabalho”. Além do troféu, a participação na competição proporcionou a possibilidade de escrever seu nome na história: é o jogador mais jovem do Brasil na história a disputar uma fase classificatória.

Embora reconheça Manuel Neuer e Ter Stegen como goleiros que admira, Matheus tem seu conterrâneo e companheiro de seleção como inspiração. Cotado para ser sucessor de Mão, lenda da amarelinha na areia, Rafael Padilha é considerado um espelho por Matheus. “É uma pessoa sem palavras: humilde, prestativo, gosta de ajudar os outros. Dentro de quadra não é diferente, trabalha muito, sério, profissional exemplar. Eu sigo ele e uso como exemplo. Quero chegar ao nível dele”, exaltou.

Na convocação para a Copa América, o técnico Tite listou 23 nomes e nenhum deles é nascido em Pernambuco. Por outro lado, são três atletas que representam o Estado na equipe nacional de futebol de areia. Mesmo expressivo, o número é desconhecido por muitos, inclusive para aqueles que acompanham esportes em geral. Para Teleco, a visibilidade diminuiu consideravelmente nos últimos anos: “Há um tempo, o beach soccer era bem valorizado, passava em TV, tinha dinheiro para as competições. Eu não sei qual a explicação disso ter diminuído, mas faz falta. A gente que é atleta sabe como jogar na televisão traz um mercado maior. Mas tá havendo uma evolução. Agora tem base, campeonatos sub-20 e profissionais mais organizados. Esperamos que isso continue e o futebol de areia seja novamente como antes.”

Além da preocupação com os atacantes, os olhos dele também estão voltados para os livros. O sucesso na seleção brasileira não o fez se afastar dos estudos, encarado por Teleco como prioridade. “Eu curso Educação Física, mas não me vejo tanto na profissão e vou mudar para Odontologia. Hoje não penso que o futebol seja meu plano A para viver. Vou continuar na areia, mas penso em estudar. Quero me ver jogando, formado - se Deus quiser - e ser um grande dentista”, explicou. O goleiro também imagina alcançar o patamar de Mão e Padilha, principais exemplos na sua carreira: “Mão está na Seleção há 15 anos, Rafael há 5... pretendo fazer uma história tão bonita quanto a deles e marcar meu nome na história do beach soccer. Não penso em ser melhor que eles, mas dar meu melhor.”

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