Terremoto financeiro nas transferências do futebol europeu

O Paris Saint-Germain quer gastar mais de 400 milhões de euros em Neymar (já contratado) e Mbappé

Neymar Jr no Paris Saint-GermainNeymar Jr no Paris Saint-Germain - Foto: Lionel Bonaventure e Phillipe Lopez/AFP

Os valores desembolsados pelos clubes europeus nesta janela de transferências levantam dúvidas se as quantias são justificáveis para o desenvolvimento do futebol, num mercado globalizado e aparentemente sem limites.

"A evolução atual dos preços e dos salários compromete o equilíbrio do futebol francês e talvez europeu", criticou o presidente do Lyon, Jean-Michel Aulas, ao jornal L'Équipe.

O Paris Saint-Germain sozinho está disposto a desembolsar mais de 400 milhões de euros em Neymar e Mbappé, duas operações que colocam em cheque a utilidade do fair-play financeiro estabelecido pela Uefa. Teoricamente, um clube não pode gastar mais do que arrecada.

O brasileiro custou 222 milhões de euros e se tornou a contratação mais cara da história, enquanto poucos detalhes separam Kylian Mbappé do PSG pelo empréstimo com opção de compra no valor de 180 milhões.

Os valores indicam a total desregulamentação do mercado, aumentando o preço de todas as negociações subsequentes e dos salários dos jogadores.

Prova do inflacionamento é que Neymar custou ao PSG mais do que o Bayern de Munique investiu para construir a Allianz Arena, como informou o presidente do clube bávaro Karl-Heinz Rummenigge.

"Sem dúvida, a Allianz Arena é mais importante para nós e preferimos ela" ao astro brasileiro, declarou Rummenigge ao jornal Sport Bild.

"Devemos manter outra filosofia. Não queremos acompanhar" essa espiral de gastos. "Não podemos seguir e acho que nossos torcedores estão de acordo", afirmou o ex-jogador da seleção alemã.

Apesar disso, o Bayern bateu seu recorde ao desembolsar 41,5 milhões de euros para contratar o francês Corentin Tolisso.

- Mercado em expansão -

"Não é que o mercado esteja louco, é porque está em total expansão", explicou Loic Ravenel, pesquisador do Centro Internacional de Estudos do Esporte (CIES). "É um setor em pleno crescimento, no qual os investidores acreditam que podem fazer negócio", acrescentou.

"Não se conhecem os motivos pelos quais deveriam parar de crescer. É um esporte em pleno processo de mundialização, que agora interessa a Ásia e a América do Norte", indicou. "Mas só se interessam por uma dezena de clubes europeus", avaliou.

Real Madrid, Barcelona, Manchester City, Manchester United, Chelsea, PSG e Bayern de Munique. "Todos brigam para contar com as estrelas do futuro", indicou Ravenel.

O objetivo é recuperar o investimento por meio de retornos de marketing, direitos de televisão e da premiação que os clubes recebem ao chegar longe na Liga dos Campeões.

- Redistribuição? -

O CIES desenvolveu um programa que avalia o valor dos jogadores baseado em diferentes variáveis, como atuações, margem de crescimento, etc. Com esses dados, dá razão para o investimento feito pelo PSG em Neymar, o que seria mais do que uma contratação, mas também um negócio.

O brasileiro é avaliado em 247,3 milhões de dólares pelo CIES, pelo desempenho dentro e fora de campo. Por outro lado, Mbappé é avaliado em 101 milhões.

No entanto, o programa não consegue prever se a situação irá se manter com o decorrer do tempo. "O dinheiro gerado deveria ir para os jogadores, os agentes, ou poderia ser redistribuído de maneira lógica para permitir que os times mais fracos existam?", se questionou Ravenel.

"Antes de tudo, são eles que formam os jogadores e oferecem minutos de jogo", concluiu.

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