Tradição de bom futebol da Croácia vem desde a Iugoslávia

Nos anos 80, a antiga república foi campeã mundial sub-20 com maioria de jogadores nascidos na Croácia

Croácia de 2018 foi ainda mais longe que a brilhante geração de 1998Croácia de 2018 foi ainda mais longe que a brilhante geração de 1998 - Foto: NELSON ALMEIDA / AFP

A presença da Croácia na final de uma Copa do Mundo poderia causar surpresa a muitos admiradores do futebol. Como assim, um país relativamente novo vai disputar a taça de um torneio que abusa do tradicionalismo? Afinal a história da competição mostra que, geralmente, apenas um seleto grupo de equipes consegue alcançar a glória máxima. E todos eles com larga história na modalidade. Ainda assim, não dá pra chamar os croatas exatamente de neófitos no esporte bretão. Muito pelo contrário. A nação surgiu das cinzas da antiga Iugoslávia, extinto país europeu que tinha um passado digno no futebol. Além disso, era justamente na região da Croácia que mais surgiam talentos neste esporte.

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A formação da Croácia como nação independente não é exatamente de fácil compreensão. Após o fim da Segunda Guerra Mundial, a região se tornou parte da Iugoslávia Democrática Federal, na década de 1940, que era governada pelo Partido Comunista Iugoslavo, sob o comando do militar Josip Broz Tito. Após anos de aparentes tréguas, as tensões nacionalistas no território iugoslavo, sobretudo entre croatas e sérvios, nunca foram devidamente controladas. As diferenças étnicas e culturais, e as divergências políticas e econômicas se acirraram. Em 1991, anos após a morte de Tito, a Croácia declarou independência, o que gerou um sangrento conflito, encerrado apenas em 1995.

Embora tenha se tornado independente da Iugoslávia recentemente, o pouco tempo de existência não foi suficiente para aplacar o crescimento da Croácia no futebol. Na Eurocopa de 1996, a equipe avançou às finais e caiu diante da Alemanha, que viria a se sagrar campeã do torneio. Mas o maior feito do futebol do país até os dias de hoje aconteceria dois anos depois. Em 1998, justamente na Copa da França - adversária deste domingo na briga pela taça - os croatas foram a zebra que encantou o mundo. Depois de passar às finais, a Croácia eliminou Romênia, a temida Alemanha - com uma goleada por 3x0 - e só caiu diante dos anfitriões franceses - que levantariam a taça dias depois - na semifinal, de virada.

A proeza não tinha acabado ali. Na desvalorizada disputa de terceiro lugar, o time desbancou a fortíssima Holanda e terminou na terceira posição. Uma façanha e tanto para uma equipe estreante em Copas do Mundo. Além disso, veio da equipe da indefectível camisa quadriculada o artilheiro do torneio: Davor Suker, autor de seis gols e um dos destaques do Mundial da França. Para muitos, uma surpresa sem precedentes. Aos que acompanhavam o futebol da Iugoslávia, nem tanto. O antigo país já tinha um quarto lugar na história do torneio (1962) e um terceiro (em 1930, ano da primeira edição), e uma medalha de ouro no futebol nas Olímpiadas de Roma-1960.

Para completar, a Iugoslávia foi campeã do Mundial sub-20, de 1987. E é justamente aí que o futebol croata começa a despertar com força. Isso porque jogadores como Boban, Prosinecki, Jarni, Stimac e o próprio Suker - hoje, presidente da federação de futebol da Croácia - foram os pilares da vencedora campanha iugoslava. A semente estava plantada. Daí, 11 anos depois, a seleção croata ficaria com o terceiro lugar na França, como se houvesse herdado o lado talentoso da antiga Iugoslávia. Não se trata de uma constatação eventual. Em outras modalidades, a Croácia também se tornou a principal potência esportiva dos Bálcãs.

A partir do momento que começou a disputar as Olimpíadas, em Barcelona-1992, a Croácia faturou nada menos do que 33 medalhas, sendo 11 de ouro. A nação é uma potência no polo aquático, a exemplo de seus maiores rivais, os sérvios. Na modalidade, os croatas ganharam o Mundial masculino duas vezes e conquistaram a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Londres-2012. Entretanto, os olhos do mundo hoje estão voltados para o esporte bretão. E uma eventual conquista sobre a França neste domingo - algo bastante possível, por sinal - fará da Croácia a mais nova integrante em um distinto bloco: o das nações campeãs da Copa do Mundo.

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