Tragédia ainda explicada por hipóteses

Combinação de pouco combustível e um imprevisto com outra aeronave nos céus da Colómbia podem ter causado acidente

Poupadores têm diversas opções de escolha de reservas financeirasPoupadores têm diversas opções de escolha de reservas financeiras - Foto: Pixabay

SÃO PAULO (Folhapress) - A combinação de pouco combustível e um imprevisto com outra aeronave nos céus da Colômbia podem ter contribuído para a queda do avião que transportava o time da Chapecoense e matou 71 pessoas próximo ao aeroporto de Rionegro, ao lado Medellím. O Lamia caiu 13 minutos após ficar sobrevoando a cidade enquanto aguardava autorização para pousar..
Ao longo da tarde de ontem a tese que ganhou mais força no meio aeronáutico é de que o Avro RJ85, de fabricação britânica, se baseava no fato de esse tipo de aeronave sair de fábrica com tanques de combustível capazes de cumprir apenas médias distâncias.
Foram confirmadas 71 mortes na queda do avião, incluindo 19 jogadores do time de futebol da Chapecoense e 20 jornalistas de TV e rádio.
Apenas seis pessoas sobreviveram ao acidente na Colômbia. No início da noite, as buscas foram encerradas. O time viajava para Medellín para a disputa da final da Copa Sul-Americana contra o Atlético Nacional, equipe da cidade colombiana.
A rota entre a cidade de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, e Meddellín, na Colômbia, num total de 2.900 km, estava, dessa forma, perto da capacidade de voo do Avro. Ainda assim, no último mês a mesma aeronave realizou dois voos semelhantes entre a Bolívia e a Colômbia.
A mais longa destas viagens durou 4 horas e 32 minutos. Já o voo que vitimou o time da Chapecoense, durou 4 horas e 42 minutos.
Para analisar o gasto de combustível de uma aeronave em pleno voo, devem ser levados em conta ainda outros fatores como condição do vento e o peso de carga.
“É uma possibilidade que está sendo muito aventada. Se esses parâmetros forem realmente próximos (autonomia da aeronave e distância entre as cidades), um voo desses não poderia ser feito sem uma escala para reabastecimento”, diz Rodrigo Spader , piloto e presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas.
Para o especialista em aviação Lito Sousa, a falta de combustível pode ser uma das causas contribuintes para o acidente a serem investigadas. Para ele, no entanto, dificilmente um piloto apresentaria um plano de voo que previsse uma margem de segurança tão pequena. Para um oficial da Força Aérea Brasileira, acostumado a investigações de acidentes no País, a falta de combustível parece crível diante das informações disponíveis até agora. “É possível ter ocorrido uma falha na alimentação do motor, ou um entupimento, ou o uso de um combustível de baixa qualidade.

Dificilmente uma pane elétrica ou de motor teria causado o acidente”, conta ele, que não quis se identificar.

Emergência
Para o oficial ouvido pela reportagem, uma das dúvidas que deverão ser esclarecidas pela investigação é o fato de a aeronave ter voado em círculos antes do acidente, enquanto aguardava autorização para pousar em Medellín. “Se ele estava com problemas de combustível, não tem sentido que tenha orbitado”, diz.
Mas um imprevisto com uma aeronave Airbus, modelo A-320, que estava próxima de Medellín pode ajudar a solucionar essa dúvida.
O Airbus, da Viva Colômbia, partiu de Bogotá e voava ao Caribe, mas teve que solicitar um pouso não programado no aeroporto de Rionbegro, depois de identificar uma anormalidade em seu painel.
O Avro seguia normalmente pelo seu trajeto até Medellín até que, às 0h42, começou a realizar a manobra de espera. Neste momento, é possível que a torre de controle de Medellín tenha orientado o desvio da rota, enquanto realizava o pouso do Airbus.
Durante cerca de dez minutos, o Avro realizou a manobra normalmente, como previa as cartas de aproximação do aeroporto de Medellín. Mas a partir da segunda volta, segundo informações preliminares, a aeronave perdeu velocidade e altitude.
Em cerca de dois minutos, a aeronave desacelerou de 409 km/h para 263 km/h - si-tuação compatível com a tese de pane seca. Depois disso, seu sinal deixou de ser visto pelo sistema de monitoramento de aviões Flight Radar.
Para Lito Sousa, a velocidade de 263 km/h era mais baixa do que a de costume em um voo regular e só compatível com uma grande aproximação da pista de pouso, o que não era o caso. O aeroporto de Medellín ainda estava a cerca de 30 km de distância.
Os especialistas, no entanto, observam que apenas a análise das caixas pretas encontradas no meio da tarde poderá solucionar as causas contribuintes para o acidente. A análise pode demorar meses.

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