Um novo filão para patrocinar o futebol

Lei libera sites de apostas para patrocinar times no Brasil, mas atividade precisa ser regulamentada pelo Ministério da Fazenda

O Stoke City tem como maior investidor o site de apostas esportivas, Bet365, uma da maiores empresas do segmentoO Stoke City tem como maior investidor o site de apostas esportivas, Bet365, uma da maiores empresas do segmento - Foto: AFP

O primeiro passo para a legalização das apostas esportivas no Brasil foi dado na semana passada após a promulgação da Lei 13.756/18, decorrente da Medida Provisória 846/2018. Este fato abriu um precedente que pode reconfigurar o cenário econômico do futebol brasileiro nas próximas temporadas. A questão é que, agora, sites de apostas vão poder patrocinar times brasileiros, a partir da regulamentação da lei. Apesar de novidade pelas bandas de cá, tal prática é bastante comum na Europa. Para se ter uma ideia, praticamente metade dos clubes que disputam a Premier League estampam em seus uniformes marcas de empresas ligadas a apostas esportivas.

O Ministério da Fazenda tem prazo de dois anos, prorrogável por mais dois anos, para regulamentar a atividade. Caberá ao ministério também ser o responsável pela autorização e concessão das loterias de apostas. Com a proibição da atividade no País, o patrocínio de clubes e competições sempre foi proibido. Vale lembrar que a discussão sobre a legalização das apostas ressurgiu no Congresso, por conta de uma proposta do professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Pedro Trengrouse, que apresentou um memorando no qual defende a regulamentação das apostas esportivas. Segundo o pesquisador, a legalização da atividade no País poderia gerar mais receita para os governos federal e estaduais, para os apostadores e para o esporte.

A nova modalidade de apostas esportivas é denominada de apostas de quota fixa. Neste modelo, é definido, no momento da aposta, quanto o apostador pode ganhar em caso de acerto. Além disso, o que for arrecadado com apostas esportivas será destinado ao pagamento do prêmio ao apostador, à seguridade social, ao Fundo Nacional de Segurança Pública, à educação e aos clubes de futebol.

Clubes de futebol patrocinados por sites de apostas estão cada vez mais vistos pelo mundo. Principalmente os ingleses. Existe, no entanto, um motivo. Na Inglaterra, os jogos tanto de futebol quanto as apostas esportivas têm tradições extremamente fortes. Este fato motivou, nos últimos anos, muitas casas de apostas a investir valores altos em times da primeira e da segunda divisão do campeonato inglês.

Este é o caso do Stoke City. O time, fundado em 1863, tem como maior investidor o site de apostas esportivas, Bet365 - uma das maiores empresas no ramo. Até o nome do estádio do clube foi alterado de Britannia Stadium para Bet365 Stadium. A Bet365 é dona da equipe inglesa, que atualmente está na segunda divisão nacional. Outro grande time inglês, de destaque internacional, o Middlesbrough fechou o maior contrato de patrocínio de sua história com uma casa de apostas 32Red.

A liga espanhola, conhecida como “Liga das Estrelas”, também conta com metade de seus clubes participantes patrocinados por casas de apostas esportivas. Mais uma vez surge a Bet365, que fechou contrato com mais de dez times. O acordo abrange clubes como o Espanyol, o Villareal e o Atlético de Bilbao. E se engana quem pensa que este mercado não tem atingido os gigantes europeus. O Barcelona, que acertou com o Betfair em julho de 2016, chegou a estampar a camisa do time em dias de jogos. Atualmente, o Betfair continua em painéis de entrevista e no estádio do time.

Já a casa de aposta austríaca, Bwin, patrocinou há alguns anos dois outros gigantes do futebol. Este foi o caso do Real Madrid, que contou com a parceria por mais de cinco anos. Outro time grande que a empresa patrocinou foi o Milan entre os anos de 2004 e 2010.

Em 2016, o Corinthians anunciou contrato com a Winner Play. O contrato era para ser por três temporadas no valor de 20 milhões de reais. A parceria, no entanto, não durou muito e acabou se desfazendo em agosto do mesmo ano. Não houve justificativas com relação à quebra do contrato. Apesar de, no Brasil, as apostas ainda serem proibidas, uma brecha na lei permitiu a entrada de diversos sites do ramo. O fato é que os servidores de internet dessas empresas estão alocados em países cujo funcionamento é permitido e liberado por lei. Assim, o público brasileiro tem a sua disposição mais de 400 sites internacionais de apostas de resultados de futebol. Sem a regularização - estima o professor Pedro Trengrouse -, aproximadamente R$ 2,7 bilhões em possíveis impostos deixam de ser recolhidos.

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