Um Santa Cruz equilibrado, mas sem perder ambição do acesso

Em jogo que vale vaga na Série B, neste domingo, Santa Cruz só precisa empatar com o Operário/PR, mas não ficará esperando o adversário

Roberto Fernandes e PipicoRoberto Fernandes e Pipico - Foto: ( Foto : Brenda Alcântara/ Folha de Pernambuc

A um empate da redenção em 2018, depois de eliminações precoces na primeira fase da Copa do Brasil e nas quartas de final do Campeonato Pernambucano e da Copa do Nordeste, o Santa Cruz disputa os 90 minutos mais importantes da temporada contra o Operário/PR, rival no jogo do acesso. Com a vitória magra sobre os paranaenses - 1x0 no placar - na partida de ida do mata-mata do Campeonato Brasileiro da Série C, no Arruda, os pernambucanos têm a vantagem de qualquer igualdade no marcador no confronto de volta, no estádio Germano Krüger, em Ponta Grossa/PR, às 15h, para retornar à Série B um ano após o rebaixamento para a Terceira Divisão.

Se perder por dois ou mais gols de diferença, o Santa é eliminado, mas em caso de derrota simples a decisão vai para os pênaltis. O novo duelo entre tricolores e alvinegros, desta vez no interior do Paraná, promete ser uma "guerra" cheia de detalhes. Pelo lado da Cobra Coral, a consistência defensiva - há quatro jogos sem tomar gol - e a força do veloz trio de ataque (Jailson, Pipico e Robinho) pesam a favor. Já o adversário carrega uma invencibilidade como mandante na temporada - 15 vitórias e três empates em 18 jogos -, e ainda conta com a longevidade do técnico Gerson Gusmão, há dois anos no comando da equipe. Além do mais, o Fantasma tem como trunfo um “caldeirão”, estádio com capacidade para apenas 8.832 pessoas.

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Embora seja avassalador dentro de casa, o Operário/PR não vence há cinco jogos na Série C. O último triunfo foi no dia 14 de julho, quando bateu o Tombense/MG por 1x0, pela 14ª rodada da primeira fase. Já o Santa Cruz está sem perder há quatro partidas (três vitórias e um empate).

“O adversário fez uma Série C melhor do que o Santa, somou mais pontos e é um mandante mais efetivo. Se formos pra lá apenas para se defender, uma hora a casa cai. E se for para jogar de peito aberto, o risco de quebrar a cara também é grande. A palavra de ordem é equilíbrio. Temos que ser fortes defensivamente, mas sem vulnerabilidade. Esse é o grande ponto de equilíbrio que precisamos”, comentou Roberto Fernandes sobre a estratégia traçada.

Nas entrevistas coletivas, os jogadores tricolores revelaram que sofreram ameaças verbais dos rivais. Com as intimidações, eles esperam um jogo “catimbado” e faltoso. Na primeira partida, por exemplo, sete atletas paranaenses receberam cartão amarelo, além do excesso de faltas.

“O Santa vai ser equilibrado. Não vamos jogar recuados e nem expostos. De todos os duelos da briga pelo acesso, nenhum tem mais a cara da Série C do que o nosso. O Náutico decide na Arena, assim como o Cuiabá, enquanto o Botafogo/SP tem um estádio amplo. Iremos jogar num alçapão, que é favorável para um duelo pegado. Mas o Operário/PR não se limita a isso, até porque tem uma equipe muito boa e no mesmo nível técnico da nossa”, declarou o comandante.

Cuidados
Com o temor de um clima hostil longe do Recife, o Santa montou uma estratégia especial. Além da questão logística, a preparação sofreu uma adaptação que pode fazer a diferença. O elenco foi blindado, a delegação viajou para Curitiba na tarde da última sexta-feira, após o treinamento derradeiro em solo pernambucano no início da manhã, treinou no CT do Coritiba às 8h do sábado, seguido de descanso e viagem de ônibus para Ponta Grossa, interior do Paraná a 115 km da capital. “Se não dormir durante a madrugada, a ressaca moral é certa por falta de descanso no período da noite. O foguetório não é uma prática tão usual, mas as torcidas ainda fazem. Isso não acontece só lá, mas também em outras cidades”, alertou o treinador.

Outros fatores extracampo que clube pernambucano procurou ter cuidados foram o clima e o horário. A temperatura máxima é de 14º C e a mínima fica na casa dos 4º C. Já a bola rola às 15h, duas horas a menos em relação ao jogo disputado no Recife. “O horário da decisão é muito cedo. Se o jogo fosse à noite ou por volta das 17h, teríamos a parte da manhã para descansar e um pouco do início da tarde. Mas uma partida às 15h interfere em toda a logística. O almoço, por exemplo, é às 11h. Tem jogador em dia de jogos, sobretudo, que nem toma café da manhã porque prefere dormir e acordar só para o almoço. Então, o nosso café da manhã tem um limite até 8h. Para acordar cedo no dia do jogo, é preciso descansar bem no turno da noite", pontuou Roberto Fernandes.

Ficha técnica:

Operário/PR
Simão; Léo, Alisson, Sosa e Peixoto; Erick, Chicão, Cleyton e Xuxa; Lucas Batatinha e Shumacher. Técnico: Gerson Gusmão.

Santa Cruz
Ricardo Ernesto; Vítor, Sandoval, Danny Morais e Allan Vieira; Willian Maranhão, Carlinhos Paraíba (Charles) e Arthur Rezende; Jailson, Pipico e Robinho. Técnico: Roberto Fernandes.

Local: estádio Germano Kruger (Ponta Grossa/PR)
Arbitragem: Raphael Claus (FIFA/SP)
Assistentes: Danilo Ricardo Simon Manis e Rogerio Pablos Zanardo (ambos de SP)
Transmissão: CBF TV

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