Um tripulante nada CÃOvencional na Refeno 2019

Choppinho, um Lhasa Apso de cinco anos, participará pela segunda vez da travessia Recife-Fernando de Noronha

Fernando e Paula adaptam rotina e ambientes do barco para maior conforto de ChoppinhoFernando e Paula adaptam rotina e ambientes do barco para maior conforto de Choppinho - Foto: Caio Danyagil

A Regata Recife-Fernando de Noronha (Refeno) chega a sua 31ª edição reunindo velejadores regateiros e cruzeiristas que não conseguem viver longe do mar. De uma ponta a outra, o Cabanga Iate Clube começa a receber os barcos participantes. Um deles é o veleiro Strega, comandado por Paula Lamberti e Fernando Mendes, casal paulista que chamou atenção pela forma inusitada de velejar. Seja em eventos ou a passeio, eles sempre levam o cãozinho de estimação a bordo. Nesta edição da Refeno, que tem largada no próximo dia 12, não será diferente.

Choppinho é um Lhasa Apso, cão de pequeno porte que, ao contrário de outras raças, não precisa de muito espaço para ter uma vida “confortável”. Esta será a segunda Refeno dele e a quarta de Paula e Fernando, que mantêm a paixão por velejar desde 1993, época em que o pet nem sonhava em nascer.

Naturais de Bauru, interior de São Paulo, foi nesse período que os navegantes se aventuraram a bordo pela primeira vez, em uma viagem ao Rio de Janeiro. Paula era dançarina e professora de ballet. Já Fernando, açougueiro. O velejador chegou a se formar em Engenharia Agronômica, mas sua bússola apontava para outro destino. Hoje, são sócios de outras duas pessoas e, juntos, administram um bar em sua cidade natal. Depois do primeiro contato com a navegação, só voltaram a velejar uma década depois, em 2003. Aí não pararam mais. A primeira Refeno foi em 2011, e depois eles voltaram em 2013, 2015 e 2019.

O cãozinho chegou à vida do casal, em 2014, com apenas dois meses, contrariando todas as expectativas de Paula, que não queria cachorro a bordo. "Eu dei ele um mês antes do aniversário dela para ela chegar ao aniversário gostando dele. E foi o que aconteceu", disse Fernando, em tom de brincadeira. Choppinho frequenta o barco desde os cinco meses de idade.

Em 2015, o trio fez a travessia Recife-Noronha com o veleiro Andante. Embora não tenham como objetivo a navegação competitiva, ficaram em segundo lugar na categoria Bico de Proa, impulsionados por fortes ventos. Já no trajeto Noronha-Natal (retorno da Refeno), terminaram em primeiro lugar na mesma classe. Com seu mini colete salva vidas, Choppinho, ainda recém-navegante, medalhou e ainda conquistou o coração de outros velejadores.

O Strega está sob custódia do trio há quase dois anos e será o velejo responsável por transportá-los nas competições e aventuras da vida. Para eles, o barco de 41 pés (cerca de 12,4 metros de comprimento) é mais que um mediador entre o Atlântico e o homem, uma vez que os tripulantes trocaram o conforto de suas casas em terra firme e deram lugar a uma vida a bordo.

O espaço no Strega é suficiente para os três moradores, com dois quartos pequenos, cozinha, sala e banheiro. Choppinho tem caminha própria e brinquedos para espantar o ócio. Há momentos também que a proa do Strega vira um parque de diversões. Por questão de segurança, Paula e Fernando colocaram uma rede de proteção em torno na popa do barco e quando estão a bordo amarram uma luz strobo (pisca) no companheiro, para caso ele caia na água. Choppinho tem também uma capinha impermeável para se proteger nos dias de chuva. "Ele mudou a nossa rotina, e mudou para a melhor. Tem os problemas, as exigências, as renúncias. Mas é um carinho extraordinário", externou o comandante.

Mas nem tudo são flores na vida do tripulante de quatro patas. "Ele não faz xixi a bordo. Não foi nem a gente que incentivou ele a não fazer, porque a gente tem tapete higiênico com grama sintética, que é o que ele está acostumado a usar. Mas ele retém um pouco, ainda estamos tentando resolver isso. Na primeira viagem que a gente fez ele chegou a Salvador com uma infecção urinária porque demorou bastante para fazer o primeiro xixi. Ele já evoluiu bastante, já tá com cinco anos, mais madurinho, então demora menos para fazer o primeiro xixi, que é o mais problemático para ele. Agora ele está bem. Nossa maior dificuldade era ver que ele não estava se sentindo bem e que ele não conseguia fazer as necessidades dele", pontuou.

Depois da Refeno, os tripulantes planejam uma volta ao mundo, trajeto que deve durar em torno de oito anos para ser completado. A documentação de Choppinho está toda regularizada. Esse será o primeiro passeio náutico internacional do cãozinho com o casal, que tem o oceano como espelho infinito da vida.

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