Vazio sem fim nas arquibancadas

Rodada de estreia do hexagonal do Pernambucano expõe velho problema da baixa média de público. Dirigentes elegem justificativas

Clássico levou pouco mais de 4,5 mil espectadores a uma “deserta” Arena de PEClássico levou pouco mais de 4,5 mil espectadores a uma “deserta” Arena de PE - Foto: Jedson Nobre

Com o fim da primeira rodada do Hexagonal do Título do Campeonato Pernambucano 2017, um velho problema voltou aos estádios locais: a baixa média de público. Pouco mais de três mil pessoas estiveram na Ilha do Retiro para acompanhar a vitória do Sport por 3x0 diante do Central. Cenário pior foi visto no Clássico das Emoções. Menos de cinco mil pessoas compareceram à Arena de Pernambuco no empate em 1x1 entre Náutico e Santa Cruz. Números que ratificam as imagens de arquibancadas vazias neste início de temporada.

O presidente da Federação Pernambucana de Futebol (FPF), Evandro Carvalho, tentou argumentar sobre os motivos que estão gerando o afastamento do torcedor. “Estamos passando por esse problema desde o fim do programa Todos com a Nota. Mas eu estive hoje (ontem) pela manhã me comunicando com os presidentes de outras federações do Nordeste e a nossa média ainda é a melhor da região. Entendo que ela não é a ideal, mas é bom lembrar, por exemplo, que Náutico e Santa terminaram 2016 de forma ruim e isso prejudica no início do ano”, afirmou o mandatário.

Para não terminar a explanação em tom pessimista, Carvalho completou profetizando uma melhora. “Estamos trabalhando para aumentar a segurança nos estádios e acredito que mais gente irá aos jogos. Teremos uma média de público superior a de 2016”, finalizou. No Hexagonal do Título anterior, a média de público foi de 4.302 pessoas. Em 2015 o número foi maior, chegando aos 7.729. De um ano para outro, a queda foi de aproximadamente 45%.

Procurados pela reportagem da Folha de Pernambuco, representantes de Náutico, Santa Cruz e Sport se pronunciaram sobre o assunto. “A economia está complicada e sabemos que o torcedor teve gastos no Natal e Ano Novo. Em fevereiro ainda teremos o Carnaval, além de estarmos em um período de férias. No Clássico, por exemplo, tivemos o fato de o jogo ter sido televisionado, o que afasta o público. Acredito que em março, com confrontos mais acirrados, a média aumentará”, apontou o diretor de futebol do Náutico, Marcílio Sales.

No Sport, o presidente Arnaldo Barros acredita que a decadência nos números do Pernambucano se devem a um conjunto de fatores, liderado pela falta de credibilidade da competição gerada pela própria FPF e pelo sucesso do Nordestão. “É problema com gramado, com arbitragem, com segurança... Juntando isso tudo, é jogo quarta e domingo e o torcedor, nesta crise, precisa escolher a qual jogo quer ir. Assim como os jogadores também não conseguem desempenhar o seu trabalho na condição ideal com tanto jogo”, explicou Arnaldo, que já declarou oficialmente que o Estadual não é uma prioridade da sua gestão.

Em nome do Santa Cruz, o ex-presidente e atual líder da comissão patrimonial tricolor, Antônio Luiz Neto, opinou que os fatores-chave na questão dos baixos públicos são a ausência de maior convocação ao torcedor e elitização do futebol brasileiro, tendo como reflexo a desvalorização dos clubes e competições estaduais. “Na minha opinião, podemos e devemos intensificar o ato de convocar o torcedor a se fazer presente nos estádios. E nisso entram como personagens de divulgação todos do meio. Desde os jogadores e treinadores, até nós, dirigentes, e a própria imprensa. Junto a isso, utilizar os preços e promoções de ingressos para atrair mulheres e crianças também seria válido”, declarou o ex-mandatário.

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