Velejador solitário realiza sonho de conhecer Noronha

Carlos Blanco Fernandes completou a Refeno na penúltima posição, depois de mais de 55 horas de prova

Filme "Fora do Rumo"Filme "Fora do Rumo" - Foto: Divulgação

Velejar é preciso para o argentino Carlos Blanco Fernandez, de 65 anos, conhecido entre os outros competidores da Regata Recife Fernando de Noronha como o “velejador solitário”. Depois de viajar por mais de 55 horas, ele completou os 545 quilômetros entre a capital pernambucana e o Arquipélago de Fernando Noronha na penúltima posição.

Nesta terça-feira (27), o vencedor do prêmio Tartaruga Marinha, troféu concedido ao penúltimo colocado na Refeno, conversou com o portal FolhaPE em seu barco e disse não se importa com o resultado. “O que vale para mim é velejar. Não é chegar em primeiro lugar. Além disso, eu disse que ia chegar na última posição. Eu não sei o que aconteceu com o meu amigo do Pangeia. Talvez ele tenha tomado mais caipirinhas”, disse entre risos.

“O meu triunfo é está aqui em Fernando de Noronha. Quando eu abri as escotilhas e olhei esse monte com cara de índio - morro do pico - fiquei emocionado. Eu cheguei à noite curtindo as estrelas”, completou. Aliás, conhecer Fernando de Noronha sempre foi um sonho antigo para esse velejador que já percorreu mais de 15 mil milhas náuticas, distância suficiente para cruzar quatro vezes o Oceano Atlântico.

“Esse é um sonho muito antigo. Eu era muito pequeno e achava que Noronha era quase uma fantasia. Uma fantasia histórica. Um lugar em que os primeiros navegantes quando chegaram encontraram um paraíso. Sempre tive essa inquietude, o que eu vou encontrar nesse ponto do atlântico que a 300 milhas da costa. Foi uma ideia de muito jovem”, explicou.

Ao lado da esposa Suzana Manzanares, de 61 anos, com quem é casado há trinta e cinco anos e tem cinco filhos, Carlos falou sobre a vontade seguir tendo o mar como companhia. “Eu pretendo seguir velejando. É a minha vida. A minha família fica feliz porque sabe que eu estou feliz. Nós demos para os nossos filhos tudo o que nós pudemos. Agora é o nosso tempo. Ela não veleja comigo e isso é uma pena, mas eu não pediria isso a ela porque o que eu faço é muito perigoso.”, disse.

Para o argentino, o medo da esposa é justificável. “Velejar não depende de minha habilidade como marinheiro, depende de Deus. Eu não sou um homem corajoso. Eu sou um homem de fé. A razão pela qual eu chego não é a coragem, é porque eu tenho muito medo. É a fé de que eu vou chegar”, disse completando que ainda assim pretende fazer uma viagem com a esposa pelo Mar Mediterrâneo.

Sobre o “velejador solitário”

O argentino Carlos Blanco ficou conhecido depois de sofrer um acidente no dia 10 de abril, quando se deslocava de barco da cidade de Paranaguá, no Paraná, para Santos, no Litoral Paulista. O barco que ele foi atingido por um raio em alto-mar e ficou praticamente destruído. Carlos Blanco ainda ficou desacordado por alguns instantes, como foi mostrado na reportagem da Folha de Pernambuco da última sexta-feira. (linkar a matéria de irce)

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