Versão 3x3 do basquete tem se tornado alternativa no esporte

Novas equipes têm sido criadas e, aliado a isso, surgem os campeonatos

Ato em solidariedade ao deputado Jarbas VasconcelosAto em solidariedade ao deputado Jarbas Vasconcelos - Foto: Paullo Allmeida/Folha de Pernambuco

 

Diante da crise vivida pelo basquete brasileiro e da consequente escassez de material humano, o basquete 3x3 vem se configurando uma alternativa para driblar as dificuldades e dar continuidade ao esporte. Oriundo das quadras de asfalto dos subúrbios americanos, o basquete em sua versão reduzida está ganhado cada vez mais adeptos em solo brasileiro.

Nos últimos anos, novas equipes têm sido criadas e, aliado a isso, surgem os campeonatos. Em Pernambuco não tem sido diferente. Tanto no masculino, quanto no feminino, a modalidade é utilizada como uma maneira de intensificar treinamentos e, pela sua dinamicidade, está conquistando adeptos.

Embora ainda não existam campeonatos oficiais no Estado, a Federação Acadêmica Pernambucana de Esportes (Fape) tem organizado certames no segmento acadêmico e isso vem movimentado as universidades. Um exemplo é a Uninassau, que se sagrou campeã dos Jogos Universitários Pernambucanos (JUPs) com o time feminino e representará Pernambuco nos Jogos Universitários Brasileiros (JUBs), em Cuiabá. As meninas ainda foram convidadas, pela segunda temporada consecutiva, para disputar o 3x3 na Liga Mundial Universitária, que foi realizada há uma semana, na China.

“A ideia de montar um time 3x3 vinha de anos. Em São Paulo e no Rio de Janeiro a modalidade já tem uma tradição maior. Aqui ainda não temos nenhum campeonato sem ser universitário, mas resolvemos apostar e está dando certo”, garantiu a técnica das meninas, Vanessa Gattei. Na China, a Uninassau foi décima colocada em um total de 13 equipes. O resultado ruim foi consequência de uma baixa na véspera da viagem, já que a pivô Ingrid adoeceu, deixando o time sem opção no banco de reservas. Letícia, Beatriz e Maria Luisa jogaram sem rodízio.

Como o esporte ainda não é tão difundido no País, é raro encontrar jogadores que atuem unicamente no 3x3. Na maioria dos casos, os atletas competem no basquete tradicional e disputam o jogo de trincas em paralelo. Além de ser mais fácil de jogar, se partirmos da premissa de que é necessário um menor número de participantes, apenas metade da quadra e somente uma tabela, a modalidade auxilia ainda o desenvolvimento dos atletas no tradicional 5x5. Como o espaço de ação é reduzido, os deslocamentos acontecem com mais velocidade, exigindo também extrema atenção dos jogadores. “Realmente me ajudou na hora de retornar ao basquete tradicional. Somos obrigados a pensar bem mais rápido e isso nos auxilia na hora de fazer uma partida normal, de quadra inteira”, disse Felipe Azevedo, de 21 anos. Ele é estudante de Educação Física da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e pratica o 3x3 há três anos.

Para tentar dar mais visibilidade à modalidade, a Federação Internacional de Basquetebol (Fiba) tentou inserir o jogo 3x3 nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

Ainda que a iniciativa não tenha sido concretizada, o esporte tem tudo para se popularizar no País do Futebol. Atualmente, os grandes torneios em solo nacional são locados em São Paulo, Mato Grosso do Sul, Ceará, Paraná e Santa Catarina, sendo o mais tradicional deles o evento que leva o nome da Associação Nacional de Basquete 3x3. Uma espécie de campeonato nacional, ele classifica o vencedor para o WT das Américas. “A Fiba tem uma pesquisa de que mais de 250 milhões de pessoas no mundo já jogaram o 3x3 ao menos uma vez. Isso é muito bom, inclusive para a própria divulgação do basquete tradicional. É uma alternativa muito mais acessível por se tratar de um número reduzido de atletas”, explanou Marcos Junqueira, presidente da Associação Nacional de Basquete 3x3.

Tais números animam o auxiliar técnico da equipe masculina de basquete da UFPE, Leonardo Freitas, que deseja mais profissionalismo ao jogo triplo. Para isso, é necessário vencer o julgamento retrógrado que ainda relaciona o 3x3 ao seu surgimento, quando tinha caráter de esporte alternativo, praticado como hobby por grupos que não tinham pessoas suficientes ou quadras disponíveis para uma partida de basquete tradicional. “Se um dia conseguirmos fazer com que a modalidade se torne olímpica, a visibilidade será infinitamente maior. Muita gente ainda não conhece e encara somente como uma pelada ao invés de um treinamento sério. A partir do momento que houver a profissionalização, além de ganharmos mais adeptos, o entendimento das pessoas aumentará”, pontuou.

 

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