[Vídeo] É preciso mais do que disposição para se exercitar

Embora mais precavidos, praticantes de exercícios ignoram check up médico

Quando praticada com orientação, atividade previne surgimento de fatores de risco ao coração Quando praticada com orientação, atividade previne surgimento de fatores de risco ao coração  - Foto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

As corridas de rua surgiram como uma febre, mas, diferente da maioria dos modismos, ganhou espaço e se firmou na vida da população pelos benefícios os quais proporciona. Controle do peso, das taxas, sensação extrema de bem-estar, interação social. A lista é extensa. No entanto, para garantir todos esses bônus, é preciso mais do que disposição para calçar os tênis e ir às ruas.

É necessário conhecer o próprio corpo e respeitar seus limites. O principal aliado nesse processo é o check up médico, principalmente o cardiológico. Embora nos últimos anos tenha crescido o índice de pacientes que buscam a precaução antes de qualquer atividade física, ainda é expressiva a quantidade de pessoas à mercê da própria sorte.

“A última vez que fui ao médico foi amarrada, tenho síndrome, medo mesmo”, dispara a auxiliar educacional Luciene Lopes, de 41 anos, que já participou de três eventos de corridas de rua. “Desde que comecei, não fiz nenhum exame, não dei importância”, completa. “Nunca fiz um exame cardiológico ou clínico. É um misto de falta de tempo, de vontade, aquela história de ‘se está tudo bem, não preciso fazer nada’.



Sei que está errado, que pode ser perigoso”, assume também o motorista José Henrique Baraúna, 29, que começou a correr por incentivo de um colega de trabalho e, depois de perder 12 quilos, se tornou um fã do esporte. “Peguei gosto, corro em toda a folga que tenho”, diz ele, que nos últimos eventos de corrida optou pela prova de 10 quilômetros.

“Quanto maior o esforço, mais o corpo, o coração será exigido. É fundamental que seja feito um acompanhamento médico antes de iniciar qualquer atividade e aumentar a sua intensidade gradativamente, com orientação profissional”, comenta a cardiologista Rosângela Leocádio, da Prevencor. Ela alerta ainda que ser um atleta de final de semana oferece até mais riscos do que ser sedentário. “Levar o corpo a um esforço extremo sem ter o devido condicionamento é extremamente perigoso.”

O mesmo se aplica àqueles que gostam de apreciar a Cidade pedalando pelas ciclofaixas de lazer. Muitos só utilizam a “magrela” nos domingos e feriados, realizando um esforço ao qual o corpo não está acostumado. Para quem não faz nenhuma outra atividade nos outros dias da semana, os chamados “atletas de final de semana”, os riscos são elevados devido à falta de condicionamento necessário para tal prática. “Temos registros, em emergências, de aumento no número de atendimentos, principalmente aos domingos, após o ‘boom’ dessas atividades (corrida e pedalada)”.

Quando praticada regularmente e com orientação, a atividade física previne o surgimento de fatores de risco ao coração, como a pressão alta, diabetes, colesterol e obesidade, além de reduzir o risco de infarto agudo do miocárdio. Pessoas que correm, pedalam ou fazem qualquer outra atividade de grande esforço de forma esporádica e sem terem passado por um check up, contudo, caminham no sentido oposto e colocam a vida em sério risco.

O contabilista Fernando Bulhões, de 53 anos, sabe bem a importância de visitar seu médico regularmente. Não fosse um check up, ele poderia ter perdido a vida. “Corro há 30 anos, desde a idade escolar, e também pedalo. E há 15 anos, desde que comecei a trabalhar em uma clínica cardiológica, fui conscientizado e faço meus exames anualmente. Em abril de 2016, durante um check up, o médico descobriu um entupimento em duas artérias. Não fumo, não bebo, não tenho traço hereditário, me alimento bem, mas aconteceu”, relata ele, que passou por um procedimento cirúrgico para solucionar o problema e voltou a correr recentemente. “O check up salvou a minha vida. Poderia ter morrido”, reforça.

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