FAÇANHA

Ultramaratonista completa 1.000 km em cem dias dentro de casa

Pernambucano de 66 anos cumpre meta ao concluir distância dentro do próprio apartamento, no Recife

Fundador do Acorja diz que vai continuar correndo em casaFundador do Acorja diz que vai continuar correndo em casa - Foto: Cortesia

Quem respeita o isolamento social explora recursos que jamais imaginaria recorrer antes da pandemia do novo coronavírus. É o caso do pernambucano e fundador do grupo Acorja (Amigos Corredores da Jaqueira), Lula Holanda. Aos 66 anos, ele lançou um desafio a si próprio para completar 1.000 quilômetros percorridos no seu apartamento em cem dias. A promessa foi cumprida nesta segunda-feira, no entanto, o corredor sente que pode ir além da meta estabelecida e servir de inspiração para quem duvida das capacidades de adaptação em meio à propagação da Covid-19. 

Esse desejo é impulsionado pela experiência obtida nos primeiros dias de confinamento. Após assistir a uma reportagem sobre Elisha Nochomovitz, um atleta francês que correu 42 km na varanda de casa, Lula foi estimulado a levar a corrente adiante e despertar o mesmo em integrantes do Acorja e outras pessoas, conforme relatou a Folha de Pernambuco em matéria publicada no dia 20 de abril. “Meu objetivo maior era motivar meus amigos a correr dentro de casa. Comecei com essa meta de motivar e dizer que era capaz, é só querer”, contou. Inicialmente, o maratonista esperava correr 100 km em 10 dias, mas a adequação foi mais rápida do que o planejado e a exigência se ampliou.

Para chegar nesse ponto, entretanto, ele se desvencilhou do que estava habituado nas corridas rotineiras de antes e precisou enxergar uma série de singularidades que uma maratona dentro de casa proporciona. “Tem que se adaptar, porque tem curvas, dá uma volta na mesa, passa na cozinha, pega o corredor. Aí tem que ter muita habilidade e paciência pra correr moderado. Além disso, é preciso prestar muita atenção no retorno, porque você bate e volta. E quando chega na varanda, por exemplo, tem que fazer a curva, e todo meu peso vai pra uma perna só”, explicou.



Desde o dia 16, quando houve a liberação da prática de atividades físicas em parques e praias no Recife, é possível observar novamente muita movimentação nesses locais. Inserido no grupo de risco, Lula não considera retornar tão cedo para a pista de atletismo do Parque da Jaqueira, onde costumava treinar antes da pandemia. “Se a minha mente, meu Deus, me der força, eu vou continuar (treinando em casa), porque não vou voltar pra Jaqueira agora. A pandemia está aí, o vírus não foi embora, ninguém conseguiu vacina”, apontou.

O corredor deu um recado para quem descarta fazer atividades em casa e revela que reaprendeu a correr. ”Não é impossível você correr em casa. É a minha experiência. Agora é preciso prudência quando for correr, ir devagar e não deixar objetos próximos. Confesso que em casa eu reaprendi a correr. ‘Surgiu’ na nossa casa uma pista de cooper, então se eu tiver algum problema no futuro, como uma chuva, vou me contentar a correr dentro de casa“, declarou.

 

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