FUTEBOL

Volta da torcida ao estádio é desafio à saúde

Realidade distante no Brasil, retorno de público já é possível em países da Europa, mas sob vigilância dos casos de Covid-19

Restrições de público é uma das medidas para impedir a proliferação da Covid-19Restrições de público é uma das medidas para impedir a proliferação da Covid-19 - Foto: Arthur Mota

As torcidas pernambucanas já anotaram o próximo domingo (19) na agenda, quando o Campeonato Pernambucano recomeça e o grito de gol preso na garganta pode voltar a sair. Mas dentro de casa. Após três meses de paralisação, o Estadual irá voltar sem torcida, assim como a Copa do Nordeste, no dia 21. Restrições de público em eventos esportivos é uma das medidas para impedir a proliferação do novo coronavírus, no entanto, alguns países europeus liberaram as arquibancadas na reta final da temporada e já se observa movimentações para replicar a decisão controversa em plena pandemia no Brasil.

Ao menos na elite do futebol são poucos que sinalizaram a presença de público neste momento. Liga dos Campeões, Liga Europa e os campeonatos mais tradicionais do Velho Continente em andamento, como a Premier League (Inglaterra), La Liga (Espanha) e Serie A (Itália), não abriram os portões. Em contrapartida, ligas sem alcance global são maioria na flexibilização do cenário. Apenas seis países posicionados entre os 50 melhores do último ranking da Fifa autorizam torcedores em seus estádios.

Após o cancelamento do campeonato nacional, a final da Copa da França marca a retomada do futebol francês no dia 24 de julho. A decisão entre PSG e Saint-Ettiene, no Stade de France, contará com até cinco mil pessoas. Contudo, a Federação Francesa deseja aumentar a ocupação em até 30% da capacidade permitida pelo governo. Em evolução no combate à Covid-19, o país contabiliza pouco mais de 207 mil casos e 29.982 mortes até o fechamento desta matéria. 



O Rio de Janeiro, por outro lado, não estabilizou a curva epidêmica e, mesmo assim, aprovou no final de junho a entrada de torcedores a partir do dia 10 deste mês. Entretanto, as autoridades voltaram atrás um dia antes. Segundo o prefeito Marcelo Crivella, a decisão foi tomada por não haver “condições de manter a segurança fora do estádio, dentro do estádio e nos transportes”. No momento que houver a liberação, a Vigilância Sanitária do estado já dispõe do planejamento engatilhado para colocar em prática - as chamadas Regras de Ouro, em que envolvem o escalonamento da entrada de torcedores, marcação de assentos e uso obrigatório de máscaras.

Questionado sobre o assunto, Rodrigo Novaes, secretário de Turismo de Pernambuco, afirmou em entrevista coletiva na última quinta-feira (9) que ainda não há data para a realização de partidas com torcida no Estado. "Não temos previsão da volta do torcedor ao estádio. No mundo todo, as pessoas estão concordando que não deve acontecer tão breve. Isso será analisado com o tempo", falou. 

Um dos entusiastas da ideia é o presidente do Sport, Milton Bivar. No começo de julho, procurado pela Folha de Pernambuco, o mandatário citou a reabertura dos shoppings para defender a presença de público nos estádios. "Os shoppings já reabriram, e não poderemos ter presença da torcida nos jogos, por quê? Basta seguirmos os mesmos protocolos de segurança, com uma ou outra alteração. Eu já falei sobre esse assunto há dois meses. Abre o estádio em 30% da capacidade, afere a temperatura dos torcedores na entrada, respeita uma distância...”, explanou.

Porém, o ambiente e as circunstâncias de uma partida de futebol diferem da maioria dos serviços inseridos no plano de reabertura do Governo do Estado. É o que salienta o infectologista Danilo Silvino. “Como todos sabemos, o futebol é um esporte que leva muita emoção, então é quase inevitável ter o toque. Também é muito difícil fazer uma triagem de todas as pessoas e verificar quem apresenta febre e mantém a etiqueta respiratória, em relação à questão de tosse”, apontou.

Já Jones Albuquerque, epidemiologista da UFPE e UFRPE, questionou a viabilidade da liberação para o bolso dos clubes. “Até o momento que André Longo (secretário de Saúde do Recife) aparecer na televisão e dizer ‘estamos livres da pandemia’ não passou a pandemia. E, mesmo assim, encher um estádio de gente seria terrível.  O que a gente deve fazer é manter os dois metros de distância de cada arquibancada e cada cadeira. Fazer isso mantém o estádio funcionando? Eu pego um estádio com capacidade de 60.000 pessoas e quando faço isso de dois metros de distanciamento vai pra, sei lá, mil pessoas. Tem água, energia, segurança pra pagar. Teria que repensar isso tudo”, indagou.

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