Yane Marques: a nova face de uma campeã

A Folha de Pernambuco entrevistou a medalhista olímpica, que assumiu recentemente o cargo de secretária-executiva de Esportes da Prefeitura do Recife

O deputado Augusto Coutinho (Solidariedade-PE) solicitou a audiência pública.O deputado Augusto Coutinho (Solidariedade-PE) solicitou a audiência pública. - Foto: Divulgação

 

Uma face atleta, outra gestora. De agora em diante, assim será Yane Marques. Aos 32 anos, na condição de referência nacional no pentatlo moderno e de principal atleta olímpica do Estado, ela assume uma nova e desafiadora função, a de secretária executiva de Esportes da Prefeitura do Recife - inserida na pasta de Turismo, Esportes e Lazer.

Experiência sobre a vida esportiva ela tem para dar e vender. São duas décadas dedicadas aos treinos e competições, primeiro na natação, depois no pentatlo. A rotina de início de trabalho como gestora está intensa, puxada, mas nada que assuste quem passou os últimos anos buscando a excelência em cinco diferentes modalidades para obter o merecido sucesso.

Além disso, motivação e vontade de “fazer pelo esporte” não faltam a essa valente sertaneja. À comunidade esportiva, a nomeação dela soa como um sopro de esperança por dias melhores. Abaixo, você confere uma entrevista com a pentatleta e secretária executiva de Esportes da Cidade, Yane Marques:

Você foi oficialmente empossada há cinco dias. Que impressões pôde tirar nesse primeiro contato?

É uma rotina bem diferente. Uma nova realidade, novas responsabilidades. Estou pegando tudo ainda, são várias reuniões para entender os projetos já existentes, entender como tudo funciona. São encontros com gerentes dos setores de esporte de rendimento, educacional, pessoas que trabalham diretamente com as ações. Tem sido bastante intenso, mas todos estão sen­do muito solícitos.

O convite para assumir tal função foi algo que te surpreendeu ou você já tinha vontade de trabalhar nessa área?

Sempre tive o pensamento de que, quando me aposentasse, queria contribuir com o esporte. Não imaginava des­sa forma, como secretária. Mas a oportunidade surgiu e todo atleta está acostumado com desafios, então aproveitei o momento. Eu vi­nha sendo sondada, demonstrei ter interesse, mas o convite oficial mesmo chegou no sábado (30).

Desde o anúncio da sua posse, tem recebido contato de profissionais da área?

Tenho visitado alguns locais, conversado bastante, e as pessoas têm se mostrado contentes, esperançosas. Peço só paciência para poder me inteirar de tudo. Mas quero trabalhar junto, em parceria, então não hesitem, cheguem, falem, quero ajudar o esporte.

A ideia, então, é fazer uma gestão participativa?

Os profissionais, federações, fizeram há pouco tem­po uma lista de dez tópicos, entre solicitações e sugestões, e entregaram ao prefeito. Pedi essa lista, estou com ela na minha mesa, buscando a melhor forma de atendê-la. Um dos pedidos era que fosse escolhida para assumir a pasta uma pessoa que tivesse experiência no meio esportivo, que conhecesse as necessidades, soubesse as dificuldades. Isso foi atendido. Só faltam nove agora. A prioridade 01 das solicitações é o Geraldão, e a gente precisa fazer isso acontecer. Agradar todo mundo não vou, mas farei sempre o meu melhor.

Como está conciliando as rotinas de gestora e de atleta?

Já estava certa de que ia de­sacelerar após as Olimpíadas (do Rio de Janeiro), aumentei o tempo das férias. Planejava participar de algumas provas nesta temporada, como o Brasileiro e o Sul-Americano (ambos ainda sem data definida), porque também não tem como sair de uma Olimpíada e simples­mente parar por comple­to. Estar ativa é importan­te até para a minha gestão mes­mo, por estar próximo da realidade de atleta. Hoje (ontem) mesmo corri às 4h30 e depois vim para a Prefeitura. Estou sempre indo à academia. Tenho conciliado os exercícios com o trabalho na secretaria, a depender da agenda.

Os seus fãs podem alimentar a esperança de vê-la nos Jogos de Tóquio-2020?

Essa resposta é difícil. Hoje, de verdade, penso em desacelerar, contribuir com o esporte de outra forma. Treinar para uma Olimpíada exige uma dedicação exclusiva. E não visualizo isso trabalhando na secretaria, que também exige dedicação. Não tem como. Preciso me capacitar, estudar (para a nova função) e isso demanda tempo. Mesmo da­qui a dois anos, por mais que eu já esteja dominando o trabalho, não visualizo condições de fazer uma preparação como deve ser. E participar por participar não me atrai. Já fui a três Jogos, histórias para contar eu tenho. Mas gosto de entrar nas competições em condições de brigar por conquistas.

 

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