Coronavírus

Recife está na 'fase de saturação' da Covid-19, aponta estudo

Segundo os pesquisadores, capital pernambucana se aproxima do 'platô' da doença

Movimentação no TI Joana Bezerra durante pandemia de Covid-19Movimentação no TI Joana Bezerra durante pandemia de Covid-19 - Foto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

Recife e Belém do Pará são as únicas capitais brasileiras que já atingiram a fase de saturação da Covid-19. Isso significa que nas duas cidades o pior da epidemia passou e ambas se aproximam da estabilização do número total de casos e óbitos pela doença causada pelo novo coronavírus, o chamado "platô". 

O panorama é de um estudo liderado por acadêmicos dos departamentos de Estatística das Universidades Federais de Pernambuco, do Sergipe e do Paraná. Entre as demais capitais brasileiras, oito ainda estão na fase inicial de crescimento rápido e 17 estão na fase intermediária, quando a curva epidêmica já passou pelo ponto de inflexão, mas ainda está relativamente distante do platô, segundo o estudo.

Em entrevista por telefone à Folha de Pernambuco, o professor do Departamento de Estatística da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Raydonal Ospina, um dos integrantes do estudo, explica o que é a fase de saturação. “Fase de saturação é uma fase onde não há aumento expressivo do número de óbitos. A razão entre o número de óbitos e o número de casos se mantém constante”, detalha. “Não podemos pensar que está tudo certo e é o momento de relaxar”, complementa o professor.
 


Para chegar aos dados, o estudo analisou as curvas acumuladas de mortes pela Covid-19 em todas as capitais do País até o dia 19 de julho. O objetivo foi entender em que fase da epidemia as cidades estão, o que serve para auxiliar as autoridades públicas e sanitárias na escolha de medidas de flexibilização das atividades econômicas e sociais.

O modelo matemático usado pelos pesquisadores usou um valor de parâmetro para indicar o estágio atual da doença. O Recife apresentou uma taxa de 0,7 e Belém, de 0,9. Valores abaixo de 1 indicam um crescimento subexponencial da doença. Ou seja, essas duas capitais conseguiram frear o crescimento inicial do número de óbitos ao adotar medidas de isolamento ainda no início da epidemia.

O Recife ainda apresenta um cenário melhor do que o de Belém, pois a curva está sendo achatada de forma mais rápida. “Mantida a tendência atual, a epidemia aproxima-se do seu regime final”, diz o estudo.

Curva da doença no Recife em achatamento
Curva da doença no Recife em achatamento (Foto: Reprodução)

Entre as medidas que ajudaram o Recife a entrar no panorama, cita Raydonal, estão os fechamentos precoces de escolas, praias e bares, além do lockdown. “O lockdown permitiu que tivéssemos uma queda muito expressiva no número de casos e óbitos”, explica o professor. “Se a abertura não for feita de forma responsável, gradual e ‘politicamente correta’ vamos ter aumento de casos. Em um cenário de abertura das escolas, por exemplo, o panorama vai mudar totalmente e os casos vão aumentar rapidamente”, acrescenta.

A saturação é sucedida pela queda dos índices, mas ainda não há uma data ou um prazo para quando isso vai ocorrer. “Nessa queda você vê que há aumento nos casos, mas os óbitos diminuem”, defende Raydonal. “Quando a gente começa a abrir a economia, muda o cenário e aumentam os números de casos”, completa Raydonal.

Segundo o professor, a partir das informações obtidas pelos dados e políticas públicas, o Recife foi a capital brasileira que cumpriu a missão de combater a Covid-19 de forma mais eficiente. “Pelo estudo, o pior já passou, e o Recife já passou pelo pico da doença, mas ainda há a possibilidade da segunda onda, que esperamos que seja um pouco mais leve porque os protocolos estão melhores. Sem vacina não temos final da epidemia”, conclui Raydonal.

Covid-19 no Recife
De acordo com o boletim mais recente divulgado pela Secretaria de Saúde do Recife (Sesau), nessa quarta-feira (22), a Cidade tem 24.512 casos confirmados de Covid-19 - sendo 146 registrados na última atualização. Ao todo, 2.056 pacientes morreram e 20.450 estão recuperados. Ou seja, a capital pernambucana tem 2.006 casos ativos da doença - o equivalente a 8,2% de todas as infecções notificadas.

 

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