A alquimia de Tite

Técnico tem a habilidade para atenuar arestas no grupo, absorver e administrar problemas, mantendo o foco dos jogadores no campo

José Neves CabralJosé Neves Cabral - Foto: Paullo Allmeida/Folha de Pernambuco

Em um ano, a Seleção Brasileira foi do céu ao inferno em termos de resultados. De um time desmoralizado e sério candidato a não participar da Copa do Mundo de 2018 virou líder e, naturalmente, pela tradição que tem, candidato a mais um título mundial. A pergunta que fica no ar é: qual a alquimia de Tite?

Após os primeiros resultados positivos na Era Tite, falei nesta coluna sobre as características parecidas que unem a filosofia de trabalho do gaúcho ao do mineiro Telê Santana, que marcou época montando a Seleção Brasileira de 1982.

Chama a atenção nos esquemas de um e outro a valorização da bola, o jogo ofensivo e a busca constante por triangulações. O mestre Telê, ex-jogador, era um treinador mais prático e disciplinador, prezava o futebol bem jogado, bola de pé em pé. Grama de veludo, jogadas bem articuladas e um repertório de jogadas ensaiadas que o faziam vibrar quando executadas com sucesso.

Além desses atributos do mineiro de Itabirito, o gaúcho de Caxias do Sul tem a habilidade para atenuar arestas no grupo, absorver e administrar problemas, mantendo o foco dos jogadores no campo. Em um ano no comando, pouco se ouve falar de pendengas com Neymar ou de queixas de outros atletas a respeito de esquema tático ou insatisfação pela reserva.

Tite exibe um talento diplomático na relação com a imprensa. Sabe ouvir as críticas e se defende usando como poucos a língua portuguesa, algo que é um diferencial nele é a capacidade de se comunicar com o grupo.

Após seis vitórias com a Seleção e a recuperação do prestígio da equipe, o comandante pode comemorar muito mais, pois ajudou o torcedor brasileiro a superar o "luto" pela humilhação sofrida diante da Alemanha, na Copa do Mundo.

E a confirmação de que o pior havia passado veio exatamento no jogo com a Argentina. A vitória, por 3x0, por si só já seria um ótimo cartão de visitas. Mas a exibição foi bem maior do que o placar.

Agora, nesse Jogo da Amizade, diante da Colômbia, quando só jogadores que atuam no Brasil foram utilizados, ficou clara a marca de Tite no comando. Mesmo sem tempo para aprimorar o esquema, o time jogou com coerência. Não foi uma grande exibição, apenas a confirmação de que há um comando sereno e que saber o que quer à frente do grupo.

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