A batalha de Thiago Caffé para conseguir uma UTI móvel

Enquanto trava uma luta para ter o serviço de Home Care, Thiago Caffé Belarmino, 30, precisa de locomoção ao médico

Parentes de Thiago Caffé buscam na Justiça que o atendimento continue a ser realizado em casaParentes de Thiago Caffé buscam na Justiça que o atendimento continue a ser realizado em casa - Foto: Felipe Ribeiro/Arquivo Folha

A família do paciente Thiago Caffé Belarmino, 30 anos, continua na batalha pela manutenção da assistência de home care e a retomada dos cuidados 24h do jovem que foi vítima de um atropelamento quando tinha 14 anos de idade e ficou com sequelas neurológicas graves. Um laudo pode ser decisivo para a retomada dos cuidados intensivos, mas o jovem depende de um translado em UTI móvel até o médico. Contudo, o transporte já teria sido negado duas vezes.

Na última semana a Folha de Pernambuco mostrou a situação de preocupação da mãe dele, a dona de casa Regina Caffé, diante da possibilidade de corte completo do serviço que é fornecido por decisão judicial pelo SUS. No último dia 21 de junho, o home care de Thiago já havia sido trocado do patamar de alta complexidade para o de baixa complexidade.

A mãe iniciou uma corrida contra o tempo para conseguir provas que revertam a mudança e, enquanto isso, um transporte para se locomover ao médico. “Eu ligo para a empresa de home care e quando perguntam qual é o plano e eu digo que é o SUS, eles dizem que não tem programação porque há outros pacientes agendados para transporte e que não há ambulância disponível. A gente sabe que eles não tem esse interesse”, reclamou Regina Caffé.

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Segundo ela, o desinteresse é porque o Estado estaria em débito com o prestador do serviço. Na última semana, não havia vaga e para esta também já houve uma negativa. A dona de casa comentou que a consulta do filho permanece agendada com a especialista para a próxima quinta-feira, às 11h30, mas o sentimento é de frustração e expectativa.

“O quadro dele, desde que baixou a complexidade, vem se agravando. A pressão dele esta subindo tanto que hoje (ontem) o médico aumentou a dosagem dos remédios. Ele convulsionou, coisa que nunca aconteceu. Esse transporte que ser uma UTI móvel com um porque Thiago, às vezes, precisa ser aspirado devido a secreção e deve haver um médico responsável pelo traslado casa-hospital-casa”, disse. A mãe também contou que é inviável a realização dos exames em domicílio.

Apoiada judicialmente pela Associação de Defesa dos Usuários de Seguros, Planos e Sistemas de Saúde (Aduseps), a situação de Thiago já foi encaminhada para o judiciário que solicitou este novo laudo sobre o quadro de saúde do paciente.

A Aduseps também afirmou saber de dívidas gerais do SUS pernambucano com as operadoras de home care. Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) afirma que tem fornecido a linha de cuidado solicitada pela equipe médica que faz o acompanhamento do paciente Thiago Caffé Belarmino. A pasta ainda informa que está à disposição dos responsáveis pelo paciente para esclarecimentos e para discutir suas demandas. Na última semana a pasta justificou que a mudança de complexidade assistencial ocorreu porque o paciente não necessitaria de enfermagem por 24h e poderia passar a ter esse acompanhamento por 6h diárias. A decisão aconteceu depois de avaliação de equipe médica.

O governo enfatizou que o SUS no Brasil não cobre o home care, este tipo de assistência precisa ser determinada judicialmente.

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