Saúde global

A cada dois minutos uma criança é infectada com HIV no mundo, diz Unicef

Relatório mostra como a pandemia da Covid-19 impactou tratamentos de HIV e outras doenças

Impacto da pandemia em criançasImpacto da pandemia em crianças - Foto: Arquivo/Agência Brasil

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef, na sigla em inglês) divulgou, nesta segunda-feira (29), um relatório que mostra que ao menos 310 mil crianças foram infectadas pelo HIV em 2020, ou uma criança a cada dois minutos. 

Outras 120 mil crianças morreram de causas relacionadas à Aids durante este mesmo período, o que equivale a uma criança a cada cinco minutos.

O relatório chamado "HIV and Aids Global Snapshot", disponível apenas em inglês, concluiu que a pandemia prolongada da Covid-19 tem aprofundado desigualdades que agravam a epidemia de HIV, diminuindo o acesso a prevenção e tratamento das doenças.

“A epidemia de HIV entra em sua quinta década em meio a uma pandemia global que sobrecarregou os sistemas de saúde e restringiu o acesso a serviços vitais. Enquanto isso, o crescimento da pobreza, problemas de saúde mental e abuso estão aumentando o risco de infecção de crianças e mulheres”, disse a diretora executiva do Unicef, Henrietta Fore.

Outros dados divulgados são que duas em cada cinco crianças vivendo com HIV em todo o mundo não sabem sua condição, e que pouco mais da metade das crianças com HIV está recebendo tratamento antirretroviral (TARV). Discriminação e desigualdade de gênero foram apontados como barreiras ao acesso adequado aos serviços de HIV.
 

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O relatório salientou que muitos países viram interrupções significativas nos serviços de HIV por causa da Covid-19 no início de 2020. 

Os lockdowns também foram a causa de agravamentos da epidemia, devido a picos na violência de gênero, acesso limitado a cuidados de acompanhamento e falta de estoque de produtos essenciais.

Países com alta carga diminuíram em 50% a 70% os testes de HIV infantil, e as novas iniciações de tratamento para crianças menores de 14 anos caíram entre 25% e 50%.

Outros dados que diminuíram em vários países foram o número de partos em unidades de saúde, testes de HIV maternos e início de tratamento antirretroviral para HIV.

Em um exemplo extremo, a cobertura de TARV (Terapia Anti-retroviral) entre mulheres grávidas caiu drasticamente na Ásia Meridional em 2020, de 71% para 56%.

Os sistemas de saúde pelo mundo se voltaram para a Covid-19, o que aumentou as lacunas na resposta global ao HIV, de acordo com o relatório.

Embora a adoção de serviços tenha se recuperado em junho de 2020, os níveis de cobertura permanecem muito abaixo daqueles de antes da covid-19, e a verdadeira extensão do impacto permanece desconhecida.

No que se diz respeito ao tratamento de HIV, as crianças e os adolescentes foram os mais negligenciados em todas as regiões na última década.

O relatório mostrou que a cobertura global de TARV para crianças está muito atrás de gestantes (85%) e adultos (74%).

Ainda segundo os dados, o maior percentual de idade de crianças recebendo TARV está na Ásia Meridional (> 95%), seguido pelo Oriente Médio e Norte da África (77%), Leste da Ásia e Pacífico (59%), África Oriental e Meridional (57%), América Latina e Caribe (51%) e África Ocidental e Central (36%).

O conhecimento dessas informações servirá de ponto de partida para definir as prioridades nos sistemas de saúde globais, de acordo com Fore.

“Para fechar as lacunas, essas iniciativas devem ser realizadas por meio de um sistema de saúde reforçado e do envolvimento significativo de todas as comunidades afetadas, especialmente as mais vulneráveis”, disse a diretora.

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