A decadência das passarelas no Grande Recife; veja fotos

Passarelas sobre rodovias no Grande Recife possuem alto grau de precariedade. Órgãos públicos prometem ajustá-las

Passarela sobre a BR-101, na Cidade UniversitáriaPassarela sobre a BR-101, na Cidade Universitária - Foto: Brenda Alcântara

Estrutura importante para a travessia de pedestres em áreas de trânsito intenso, as passarelas da Região Metropolitana do Recife (RMR) apresentam estado de abandono e insegurança. O anúncio de demolição de um dos equipamentos, localizado na BR-101, em frente ao Hospital das Clínicas (HC), mostra que o poder público não está totalmente alheio a essas questões, mas em várias outras estruturas visitadas pela reportagem da Folha de Pernambuco notam-se problemas semelhantes. Alguns órgãos, no âmbito federal e estadual, prometem tomar providências ainda este ano.

O caso mais simbólico é justamente e da passarela localizada próxima ao HC, que será demolida. A estrutura inteira tem ferrugem e pichações. Dos dois elevadores, só funciona o que fica no lado do HC. E a parte suspensa, além de balançar bastante, apresenta buracos. “Sempre foi assim. É horrível para a gente. Passo, mas com medo. Sempre ando apressada”, diz a estudante Wedja Cavalcanti, 24 anos.

Em Paulista, também na BR-101, o caso é tão grave quanto. A passarela que fica no bairro de Paratibe, perto de uma fábrica de bicicletas, está quase caindo. De acordo com moradores, foi preciso pôr um ferro para sustentar a estrutura. As duas rampas do equipamento têm problemas: a que fica ao lado da fábrica, está quebrada, com um vão do tamanho de quase três degraus. Já no outro, o mato dificulta o acesso.

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“Ficou uma coisa inútil. Prefiro me arriscar atravessando a estrada do que usá-la [a passarela]. Tinha que ser feita uma passarela digna para nós”, reclama a dona de casa Vera Lúcia Albuquerque, 58. Já o desempregado Fred Jorge, 42, pondera: “Mesmo nessas condições ruins, com risco de ruir, prefiro atravessar por aqui. Um colega meu já foi atropelado na rodovia. Ruim com ela, pior sem ela."

Ainda na BR-101, no bairro de Comportas, Jaboatão dos Guararapes, o cenário é de abandono. Mato obstruindo o acesso, rampas quebradas, ausência de corrimões ou muros mais altos e muito lodo e mofo. “Antes sempre faziam a manutenção [da passarela]. Mas ultimamente esqueceram que existe”, lamenta o operador de terraplanagem Saulo Pessoa, 50. A reportagem ainda flagrou motociclistas usando a estrutura para atravessar a rodovia de forma totalmente inadequada.

Dentro de casa
No Recife, duas passarelas na Zona Sul chamam a atenção: a localizada na Joana Bezerra, perto do Fórum Desembargador Rodolfo Aureliano; e a do Pina, em cima da avenida Herculano Bandeira e do túnel da via Mangue. O equipamento da Joana Bezerra está cheio de pichações, ferrugens, buracos, lixo e até goteiras. A área de rampa, usada por pessoas com deficiência, apresenta pequenos vãos. Lâmpadas, tanto na área externa, quanto no corredor suspenso, são inexistentes. Também são recorrentes queixas de assaltos no entorno da estrutura. No Pina, a passarela está em excelentes condições por fora, mas por dentro, o elevador e a escada rolante não funcionam.

Além da travessia
O professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Maurício Pina faz uma análise pragmática: “As pessoas só utilizam passarela quando não há outra possibilidade. A exemplo do que acontece na avenida Brasil, no Rio de Janeiro, ou em diversos pontos das BRs 101 e 232 aqui”, cita. “É uma questão mais ampla. As pessoas relutam utilizar por causa de um desconforto de ter que subir para atravessar. A rodovia que deveria subir, mas aí a obra fica mais cara. Passarela acaba sendo uma solução menor e mais barata do que um viaduto”, explica.

Maurício aponta que as rodovias têm uma capacidade enorme de atrair pessoas para o entorno. “É aí que começa a ter os acidentes e atropelamentos”, conta. Instalação de semáforos e lombadas eletrônicas são outras alternativas. No entanto, atrapalham o trânsito: “Em uma rodovia, os órgãos [públicos] permitem a ocupação indevida das margens, como acontece na PE-60. Aí tem que colocar lombada para evitar acidentes e tira o sentido da duplicação de uma estrada”.

Atualmente, a altura exigida entre o pavimento da rodovia e a parte inferior da passarela é de 5,5 metros. Para vencer o desnível, ou o pedestre utiliza escada, que se torna cansativa, ou rampa. Neste último caso, é preciso que ela seja muito extensa, para não ser desconfortável, formando um ziguezague enorme.

Providências
As passarelas do Hospital das Clínicas (HC) e de Paratibe são de responsabilidade do Departamento de Estradas de Rodagem de Pernambuco (DER-PE). No caso da primeira, o órgão promete a construção de um novo equipamento, feito em concreto, previsto para ser entregue no pacote de intervenções no contorno urbano da BR-101, no fim deste ano. A remoção da atual passarela deve ocorrer ainda este mês.

Funcionários do DER-PE, que preferem não se identificar, dizem que a passarela do HC só não foi demolida ainda porque o órgão aguarda o fim do contrato com a empresa responsável pelo serviço do elevador. Quando retirada, o semáforo já implantado continuará responsável pela garantia da travessia do público.

Já a de Paratibe, o DER-PE afirma que está tentando, junto ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) inseri-la no combo de obras do contorno da BR-101, tal qual a passarela do HC.

O Dnit, responsável pela passarela de Comportas, em Jaboatão, afirma que está “em fase de elaboração por empresa contratada um anteprojeto visando à recuperação” do equipamento, prevista para o segundo semestre deste ano. Depois de aprovado pelo órgão, “será possível realizar licitação” para executar as obras.

No Recife, a Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb) afirma que está atrás de recursos para recuperar os elevadores e escadas rolantes da passarela do Pina, que não funcionam em virtude de depredação. Já a da Joana Bezerra, o órgão se compromete a realizar a manutenção do equipamento ainda neste semestre tendo elaborado “um projeto para a requalificação total do equipamento, orçado em R$ 80 mil, e que vai “em busca de recursos para executar o serviço”, sem dar datas específicas para este caso.

Quanto à segurança, o patrulhamento nas passarelas de BRs é de competência da Polícia Rodoviária Federal (PRF). “É importante que a população faça denúncias. Se for verificado que um local está tendo mais assalto perto de passarela, a gente pode intensificar nossa ronda”, diz o assessor da instituição, Cristiano Mendonça.

Como nem sempre é possível que a PRF mantenha um policiamento fixo, por razões operacionais, a Polícia Militar (PM) também atende a situações de emergência nessas áreas. Nas rodovias estaduais, a responsabilidade direta é da própria PM, por meio do Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv). As denúncias devem ser feitas pelos números telefônicos 190 (PM) e/ou 191 (PRF). 

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