A dor e a solidariedade no lugar da bola

Na Arena Condá, em Chapecó, e no Estádio Nacional, em Medellín, as cerimônias em homenagem aos mortos no acidente aéreo tocaram o mundo. E mostraram que o futebol não é apenas um jogo

Eduardo da Fonte (PP) foi recebido pelo padre Airton, da Fundação TerraEduardo da Fonte (PP) foi recebido pelo padre Airton, da Fundação Terra - Foto: Divulgação

Nós, cronistas, estamos acostumados a usar as palavras para descrever lances, jogadas. Numa quarta-feira como a que passamos, dia seguinte à tragédia que abateu 71 pessoas e a maior parte do time da Chapecoense, nos faltaram palavras para descrever tanta emoção vista em dois estádios de futebol repletos de pessoas e bandeiras. Torcedores chorando. Mas a bola, estranho, não estava nos dois gramados. Em seu lugar, a dor da perda. E um sentimento de solidariedade que transbordava dos dois gramados.

Na Arena Condá, em Chapecó, e no Estádio Nacional, em Medellín, as cerimônias em homenagem aos mortos no acidente aéreo tocaram o mundo. E mostraram que o futebol não é apenas um jogo. Alguém disse que das coisas menos importantes da vida, esse esporte é o mais importante, pois é o que conseguiu penetrar com mais profundidade no coração das massas.

Pela facilidade de sua prática – em qualquer espaço em que houver apenas uma bola – e alguns meninos animados, ele conquista rapidamente adeptos e, dependendo da forma como é jogado, atrai olhares e novos adeptos, admiradores. Uma pelada jogada por meninos em qualquer campinho de barro já é capaz de produzir um “alumbramento” num adulto que passa. Fazê-lo parar, encher os olhos de lágrimas e suspirar de saudade, voltando aos tempos de criança.

Pelo mal e pelo bem, o brasileiro João Havelange, que presidiu a Fifa por 24 anos, conseguiu filiar à entidade mais de 200 países. Sua intenção era, atrair renda para a entidade, transformando-a numa potência política e esportiva. Ao fazê-lo, também semeou uma paixão universal, capaz de conectar e sensibilizar bilhões de pessoas num sentimento solidário.

Exemplos como o do Atlético Nacional, que sugeriu à Confederação Sul-Americana que o título continental fosse dado à Chapecoense são exemplos de galhardia que o futebol oferece ao mundo. Uma atitude, aliás, que não surpreende pela forma como clube colombiano é conhecido – o far play é uma das suas principais características no mundo da bola.

Não me surpreende que junto com o sentimento de perda que nos domina com o acidente venha também o de força para ajudar a Chapecoense. Já nesta quarta-feira, o clube divulgava que seu quadro de sócios havia mais que dobrado nas 24 horas seguintes à tragédia e que seus produtos tenham aumentado as vendas em 2000%.
Sim, a Chapecoense vai ressurgir mais forte. Não tenho dúvidas disso.

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