A economia paralisada

2016 foi pior do que o esperado, pois descortinou os perversos impactos da recessão e atingiu em cheio a população

Deputado federal Algusto Coutinho (SD)Deputado federal Algusto Coutinho (SD) - Foto: Divulgação

Se 2015 já havia sido um ano difícil para a economia brasileira, 2016 foi ainda pior. É que os impactos da recessão, que derrubaram o Produto Interno Bruto (PIB) nacional no ano passado, desta vez bateram diretamente na população. Milhões de brasileiros perderam o emprego porque as empresas já não tinham mais condições de manter a mes­ma estrutura sem fechar as portas. Mas nem isso foi suficiente para salvar os negócios. O número de recuperações judiciais e fechamentos de empresas também foi recorde neste ano, paralisando ainda mais a economia brasileira, que deve encolher mais 3,5% neste ano.

Seca e crise agravam situação do Estado

“O impacto deste ano será mais grave porque em 2015 não tínhamos uma taxa de desemprego, de fechamentos de empresa e de recuperações judiciais como temos hoje”, avalia o economista Tiago Monteiro, lembrando que a queda do PIB em 2016 também pode ser considerada pior que a anterior porque faz referência a um número já negativo, ao contrário do que aconteceu antes. Ele explica que 2015 começou do zero, já que o PIB de 2014 foi de 0,1%. Mesmo assim, acabou com uma retração de 3,8%. E é com base neste número negativo que será calculado o PIB deste ano. “O efeito colateral da crise vem agora”, conclui.

Economista da Ceplan, Jorge Jatobá concorda que este foi um ano de aprofundamento da recessão, mesmo com a ligeira recuperação da confiança do mercado. “A crise se aprofundou em dois momentos diferentes. No início, havia um forte pessimismo do mercado. Mas, quando houve a substituição interina de Dilma por Temer, houve uma espécie de renovação das expectativas. Elas melhoraram, mas se frustraram no segundo semestre por conta da profundidade da crise e da turbulência política. Isso agravou a insegurança dos investidores, atrapalhando qualquer decisão de investimento de empresários e consumidores”, argumenta Jatobá, lembrando que a situação reduziu ainda mais o nível de consumo e adimplência das empresas brasileiras.

“Foi um ano mais complicado que o anterior porque muita gente esperava uma retomada do crescimento, mas só apareceram mais dificuldades”, concorda o presidente da Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe), Ricardo Essinger. Ele explica que os negócios sofreram tanto com a redução do consumo, ocasionado pelo achatamento da renda familiar; quanto por medidas de ajuste fiscal do Governo do Estado. “Logo no início do ano, houve um aumentou da carga tributária, o que já reduz a atividade econômica. Depois, uma redução dos incentivos fiscais, com a criação do FEEF (Fundo Estadual de Equilíbrio Fiscal). Também não houve liquidez para os fornecedores do poder público. Então, muitas empresas ficaram endividadas e não conseguiram sair desta situação porque o crédito ficou mais difícil e caro”, explicou, dizendo que isso fez muitos negócios fecharem as portas.

Presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Pernambuco (Abrasel-PE), André Araújo diz, porém, que as dificuldades também trouxeram ensinamentos.

“Foram encerradas muitas empresas, mas muitas também tentaram se adaptar. Na área de alimentação, por exemplo, a gama de serviços foi potencializada para manter o cliente. Restaurantes passaram a oferecer um tíquete médio mais acessível para se adaptar à redução da renda das famílias”, pontua.

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