OPINIÃO

A força do consumo

Em 15 de Março de 1962, o então presidente norte-americano John Fitzgerald Kennedy proferiu um histórico discurso afirmando que “somos todos consumidores”, tornando-se esta data um marco para a discussão, conscientização e efetivação dos direitos consumeristas, por isso, desde 1983, este dia foi oficializado como dia do consumidor, marco que se estende por todo o mês de março.


O conceito de consumo era simples e direto, não necessitava de maiores especificações, pois era autoexplicativo, hoje a realidade apresenta-se diferente, surgiram novos termos para complementá-lo: consumo consciente, consumo responsável, consumo sustentável, consumo conspícuo, práticas de consumo, consumismo e síndrome consumista.


A sociedade hodierna nos impõe o consumo não de bens, mas de signos, consumir representa simbologia, pertencimento, status, estilo de vida, construção e afirmação de identidades e reprodução social, de maneira que nossas práticas de consumo influenciam e direcionam o exercício de nossa cidadania. 


E ser consumidor em uma sociedade de consumo é assumir uma postura acentuadamente distinta dos consumidores de quaisquer outras sociedades anteriores, pois não basta simplesmente consumir, termos o desejo pelo consumo, somos induzidos a consumir com voracidade e desapego.


E o sistema produtivo funda-se nesse desejo como condutor de seu desenvolvimento e amadurecimento. O discurso capitalista, munido de um arsenal retórico, midiático e persuasivo, estimula e direciona nosso querer e nossas ações, contraditoriamente nos colocando em constante estado de insatisfação, pois atingir uma meta torna-se etapa superada, surgindo imediatamente outro patamar a ser almejado e conquistado.


Sob essa perspectiva, nesse momento que comemoramos o “dia do consumidor”, devemos refletir sobre nossa “síndrome consumista” fundada no excesso, desperdício e velocidade, confirmarmos nosso atual paradigma ambiental do desenvolvimento sustentável e concluirmos que nosso consumo pode e deve ser responsável e consciente, pois estejamos certos que nossas práticas de consumo são reflexos de nossa cidadania, pois hoje, mais que cidadãos, somos cidadãos consumidores. Com essa conscientização, podemos sim, celebrar esse dia, pois somos todos consumidores.

 

* Advogado, professor e mestre em Consumo
([email protected])

 

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