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A solidariedade faz bem a quem dá e a quem recebe

Um exemplo disso é o caso de Thiago Caffé, 30 anos, contado nas páginas da Folha de Pernambuco e no Portal FolhaPE nos últimos dias

SolidariedadeSolidariedade - Foto: Brenda Alcântara / Folha de Pernambuco

"Devemos usar o tempo sensatamente e entender que o momento é sempre adequado para se fazer o bem." Um dos ensinamentos deixados por Nelson Mandela, considerado o mais importante líder da África Negra, nunca esteve tão atual, mas tão esquecido no dia a dia das pessoas. A solidariedade faz bem a quem dá e a quem recebe, mas nem todo mundo se dá conta de que ela é urgente e - vale salientar - ajuda a salvar muitas vidas. Um exemplo disso é o caso de Thiago Caffé, 30 anos, contado nas páginas da Folha de Pernambuco e no Portal FolhaPE nos últimos dias.

A vida do rapaz que, há 15 anos, sofre com problemas neurológicos graves, ganhou um novo capítulo na última quinta-feira (19) quando a família dele conseguiu, enfim, uma ambulância equipada adequadamente às suas necessidades para levá-lo a uma avaliação médica no Hospital Memorial São José, no bairro do Derby, no Centro do Recife. Um ato solidário da empresa Interne Soluções em Saúde, que proporcionou o traslado, atendeu ao chamado da Folha Ajuda, selo criado pelo jornal para intermediar uma corrente solidária.

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A ida ao médico foi primordial para o paciente, uma vez que os resultados do exame podem ser decisivos para reverter a decisão da Secretaria Estadual de Saúde (SES). O órgão reduziu a assistência médica home care, que antes era de 24h, para seis horas diárias após uma equipe avaliar o caso de Thiago como sendo de baixa complexidade, e não mais de alta. Porém, após a consulta no Hospital Memorial São José, o laudo médico apontou para a urgência de retomar o atendimento contínuo.

A família levou o laudo médico à Associação de Defesa dos Usuários de Seguros, Planos e Sistemas de Saúde (Aduseps), que encaminhou ao juiz responsável pelo caso. À mãe de Thiago, Regina Caffé, 58, restaram apenas os agradecimentos. "Estou muito feliz e agradecida a Deus e a todas as pessoas que me ajudaram", conta. A ambulância chegou logo pela manhã na casa do rapaz, no bairro da Várzea, Zona Oeste do Recife. Durante todo o trajeto ao hospital até o retorno à sua residência, ele foi acompanhado por um enfermeiro e pela mãe.

O apoio voluntário da Interne a Thiago, destacou a gerente comercial e de marketing da Interne Cynthia Paz, é reflexo das ações já feitas pela empresa. Entre os projetos sociais apoiados, por meio do grupo Interne Educação, destaque para o Porto Social, incubadora de cerca de 50 ONGs. A iniciativa foi criada com a intenção de fortalecer a solidariedade no Recife, ao empoderar as organizações sociais e ajudá-las a fomentar negócios para manter o seu principal propósito: ajudar o próximo. Seja por meio da educação, saúde, esporte. Um apoio essencial, uma vez que muitos projetos sociais morrem no meio do caminho por falta de dinheiro.

É aí que entra a história de Fábio Silva, presidente do Porto Social. Sua ação de voluntariado começou há oito anos, com a ONG Novo Jeito, quando ele enxergou que qualquer pessoa pode ser parte da solução e parar com esse comodismo de colocar tudo nas costas do poder público. Para ele, ser voluntário muda tudo. É um estilo de vida. Ele avalia que fazer qualquer esforço, por mínimo que seja, para o bem comum reflete na vida de outras pessoas, como em um ciclo.

Mais do que voluntário, ele se tornou empreendedor social. É assim que se define profissionalmente. É na realidade que ele mostra que ser voluntário não se limita a contar histórias para crianças, cuidar de idosos, entregar cadeiras de rodas. "Pedir doação e dinheiro a uma ONG que, por exemplo, não está capacitada para gerir é o mesmo que não estar fazendo nada. O Porto Social existe há dois anos com a ideia de construir projetos para organizações saberem como captar recursos, como fortalecer sua gestão e dar visibilidade à sua causa. Não é depender de doação, por exemplo, mas criar meios para conseguir dinheiro e manter a sua veia social", explica.

Uma vez ao ano, geralmente no mês de outubro, o Porto Social lança edital a fim de convocar instituições para receber essa assessoria por um ano. "Foi uma forma que encontrei de ajudar. Muitas instituições entram apenas com a ideia e nós profissionalizamos essa ideia. Damos dicas, de acordo com as necessidades que elas têm, sobre como melhorar a oratória do líder, como regularizar o CNPJ, como ter uma boa gestão financeira, entre outros pontos", reforça. Cinquenta ONGs são selecionadas por edital.

Instituições apoiadas
A empresa "ABRA - Arquitetura com Propósito" foi uma das instituições selecionadas no último edital lançado pelo Porto Social. E, garante um dos sócios, Jonatha Neto, 30, a melhor coisa foi ter conhecido o projeto de Fábio Silva. Ele explica que a empresa surgiu com a ideia de prestar consultorias gratuitas a famílias de baixa renda sobre como fazer uma construção consciente e de baixo custo, já que muitas pessoas constroem suas casas por conta própria sem nenhuma noção de arquitetura. Segundo Jonatha, o Porto Social contribuiu para alertar sobre o melhor modelo de negócio e como direcionar o foco da empresa. "A gente antes tinha a ideia de fazer reformas a baixo custo nessas casas, mas havia o problema de conseguir capital. Mas, no Porto Social aprendemos como aderir ao 'Crowdfunding'", conta. Para quem não sabe, Crowdfunding (financiamento coletivo) é uma resposta para projetos precisando de fundos neste tempo de crise. Ele traz o dinheiro necessário, banco de dados de apoiadores e marketing digital gratuito.

De acordo com o presidente do Porto Social, o Crowdfunding acaba sendo uma excelente aliada na hora das instituições buscarem alternativas de financiamento para realizar esses projetos que estão no papel. Segundo ele, por meio de plataformas colaborativas, muitas pessoas ou equipes já estão cadastrando seus projetos e conquistando o apoio de diversos colaboradores para a sua realização. Trata-se do chamado crowdfunding, ou financiamento coletivo. A ABRA, inclusive, é uma das empresas que aderiram à alternativa. "Há uma senhora que mora num barraco em condições bem precárias. Para fazer uma reforma, num modelo baixo custo, a casa dela precisaria de R$ 13 mil. Até agora, conseguimos arrecadar cerca de R$ 6 mil. O problema é que a campanha vai até o próximo dia 30. Temos dez dias para conseguir o restante", explica Samille Germana, sócia junto a Jonatha. Quem quiser contribuir, pode acessar a campanha por meio do www.benfeitoria.com/abra ou contatá-los por meio do Facebook ou Instagram (@abra.arq).

O Porto Social fica na rua Marquês Amorim, 356 B, na Ilha do Leite, dentro do prédio do Interne Educação, e funciona de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h. Qualquer pessoa, física ou jurídica, pode conhecer as iniciativas sociais da instituição, quem sabe até fazer um curso livre e ser mais ativo na colaboração de iniciativas voluntárias no Recife. "Se alguém quiser ser voluntário de alguma ONG apoiada pelo Porto Social ou alguma empresa quiser patrocinar, é fácil nos achar. E se quiser se aprofundar nos perfis das ONGs apoiadas, basta acessar a nossa página na internet", afirma Fábio Silva. A página eletrônica do Porto Social é o www.portosocial.com.br.

Folha Ajuda
O drama de Thiago Caffé foi um dos casos solucionados após a visibilidade dada por meio da campanha Folha Ajuda, corrente solidária da Folha de Pernambuco que nasceu a fim de ressaltar o papel do jornalismo como transformador social.

Entre as histórias que também tiveram final feliz, destaque para o caso de Aldneia Cristyne, uma jovem de 15 anos, apaixonada por música, que ganhou um violino doado pela Orquestra Criança Cidadã e pôde, assim, garantir a bolsa e continuar estudando no Conservatório Pernambucano de Música.

Outra história boa de contar é a da dona Maria Imaculada, 54 anos. O dia 14 de junho do ano passado, sem dúvida, foi um dos mais felizes da sua vida. Foi nesta data que a equipe do Folha Ajuda esteve no Ibura de Baixo, Zona Sul do Recife, para entregar uma cadeira de rodas doada por um leitor do jornal. A matéria contava as dificuldades enfrentadas por ela para conseguir se locomover. Diagnosticada com câncer há nove anos, o tumor teve início na mama e, na época, ela precisou fazer uma mastectomia. Apresentou melhora no quadro clínico, mas dois anos após recebeu a notícia de que havia tido metástase. A doença atingiu os ossos e o quadro é irreversível. Por conta disso, ela perdeu gradualmente os movimentos.

Simplicidade que move o mundo
O que esportistas, músicos, comunicadores e médicos podem ter em comum? A solidariedade. Foi com esse intuito que personalidades da sociedade pernambucana foram convidadas para participar da ação beneficente Dia de Cooperar - "Atitudes simples movem o mundo". O evento foi realizado na tarde dessa sexta-feira (20), no Mercado da Encruzilhada, Zona Norte do Recife. Os convidados puderam vivenciar o universo das artes plásticas através da pintura em prol do Grupo de Ajuda à Criança Carente com Câncer (GAC). Todos os quadros que foram pintados na ocasião estarão expostos a partir da segunda-feira (23), na sede Cooperativa dos Médicos do Brasil (Coomeb), responsável por promover a ação, e serão leiloados na sexta-feira (27), às 20h. A renda será doada para o GAC. Quem estiver interessado, pode deixar uma oferta de lance ao longo da semana.

O Dia de Cooperar, conhecido como o Dia C, foi instituído pela Organização das Cooperativas do Brasil (OCB) para que cada cooperativa, no seu estado e município, realizasse uma ação de caridade destinada a alguma instituição ou outra cooperativa. De acordo com o presidente da Coomeb, o médico Giovanni Rattazo, esse é o terceiro ano que o projeto é realizado pela instituição “Este ano resolvemos fazer algo diferente. Juntamos personalidades conhecidas e de sucesso em suas áreas para vir para dentro de uma área pública e aberta, neste caso o Mercado da Encruzilhada, para que cada um deles pudesse pintar um quadro. Como eles não têm familiaridade com essa área, contamos com a ajuda do artista plástico Luzarcos para orientá-los", explicou Rattazo. "Foi muito interessante ver que cada músico, jogador, pessoas da imprensa, se colocaram à disposição e abraçaram a causa de ajudar o GAC, que é uma instituição idônea e respeitada no Estado. Surpreendi-me bastante e tenho certeza de que todas essas pinturas estão revestidas de muito amor", comentou.

O GAC, que há 20 anos presta assistência social humanizada às crianças e adolescentes com câncer em tratamento no Centro de OncoHematologia Pediátrica (CEONHPE) do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC), atende mil pacientes por mês e tem cerca de 300 em tratamento. O dinheiro arrecadado com as vendas destes quadros será utilizado na instalação de uma UTI pediátrica e reforma do sexto andar, que possui 15 leitos e, por conta de vazamentos, teve que ser desativado. “A reforma é um projeto muito caro e estamos nos mobilizando para atrair esses recursos e devolver os leitos para as nossas crianças. Estamos muito felizes com a iniciativa da Coomeb, que tem atuado conosco em outras ações e é nosso grande parceiro”, afirmou a presidente do GAC, a médica Vera Morais.

Mesmo sem nunca ter tido contato direto com telas e tintas, a vontade de ajudar o próximo falou mais alto. Para a editora chefe da Folha de Pernambuco, Patrícia Raposo, o convite para participar do aulão artístico mostra o quanto é importante as pessoas se engajarem em causas sociais e tentarem sair da inércia. “O que acho interessante na solidariedade é que ela vem de onde menos esperamos. Recife é uma cidade que tem um aspecto importante sobre essa questão. Nós temos o Porto Social, por exemplo, que reúne empresas, ONGs e startups, todas tentando trazer ajuda para quem precisa. Às vezes você está ali, querendo fazer uma boa ação, mas não sabe como ajudar”, declarou. Patrícia, inclusive, cita o caso de Thiago Caffé, que através da mobilização feita pelo Folha Ajuda, conseguiu ter acesso a uma UTI móvel.

Também participante da ação, o ex-jogador Grafite contou que essa foi a segunda vez que teve contato direto com a pintura. "Estou gostando da experiência, principalmente por saber que vai ajudar o GAC". A cantora Nena Queiroga sempre participa desse projeto em parceria com o artista plástico Luzarcos. Em suas pinturas, ela deixa uma mensagem de fé para que possa inspirar as pessoas a fazer o bem. Na tela que pintou nesta tarde o recado foi: "Vai dar tudo certo", com a imagem de um anjo. Os interessados em dar lances para a aquisição das obras, podem se dirigir à sede da Coomeb, na rua Dr. José Maria, nº 251, no bairro da Encruzilhada, Zona Norte do Recife.

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