A tecnologia contra a depressão

Programa de computador criado na UFPE funciona como um chat de autoajuda e “conversa” com jovens para auxiliá-los a enfrentar o distúrbio

Beck, a robô baseada em inteligência artificial, é capaz de se comunicar por texto ou vozBeck, a robô baseada em inteligência artificial, é capaz de se comunicar por texto ou voz - Foto: Henrique Genecy

O mestre em ciência da computação pelo Centro de Informática (CIN) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Oberdan Alves, criou um programa de computador que funciona como um chat, para apoiar adolescentes que sofrem de depressão. Beck é uma assistente online preparada como um serviço de autoajuda voltado para jovens entre 15 e 18 anos. Ela é capaz de se comunicar de forma natural, por texto ou voz, e dar assistência.

“Eu sou um robô baseado em inteligência artificial. Moro em um computador na internet e nas horas vagas eu gosto de conversar com as pessoas. Fui criada para tentar ajudar as pessoas a enfrentar e vencer algumas dificuldades da vida”, fala a própria Beck, dentro do sistema. “Ela é um tipo de agente conversacional inteligente”, explica o desenvolvedor.

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O programa traz bases da Terapia Cognitiva Comportamental (TCC), que sugere que uma perspectiva negativa influencia no comportamento. “Meu objetivo é ajudar as pessoas. Passei por um período de pesquisa intenso sobre a depressão, e a adolescência é uma fase crítica. Quero fazer com que os jovens se tornem adultos mais conscientes na vida”, disse.

Com a Beck, adolescentes podem aprender um pouco sobre as técnicas de TCC, sendo questionados e provocados. As informações no software foram organizadas com a ajuda da psicóloga Milena Lucena. “Através desses diálogos o robô faz uma decodificação do que está acontecendo a partir dos sintomas (informados pelo usuário) e faz um alerta para que se procure alguma outra ferramenta de cuidado”, explica Milena. Até agora, Beck alerta para buscar apoio com adultos responsáveis e médicos, caso o programa entenda ser necessário.

No entanto, o robô não pode substituir uma psicoterapia ou acompanhamento médico. “Acredito que seja válido incentivar o uso dessas técnicas como complementares ao processo terapêuticos, em aplicativos desenvolvidos de forma séria. Isto não substitui a terapia, mas auxilia o processo”, enfatiza a psicóloga e terapeuta Suely Santana. “As pessoas estão muito voltadas para a tecnologia e vivem conectadas, com o celular na mão, ao contrário do contato com os terapeutas”, afirmou.

O sistema já pode ser utilizado no endereço beck-bot.cin.ufpe.br, apesar de ainda passar por ajustes. E, como utiliza uma plataforma emprestada da UFPE, talvez esteja online por tempo limitado. Outras possibilidades são oferecer o projeto a clínicas ou transformá-lo em mais produtos. “A ideia é conseguir estender o sistema e, quem sabe, produzir um app para dispositivos móveis”, planeja Oberdan.

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