A violência não deve governar o mundo, alerta chefe de direitos humanos da ONU
Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos alertou que "a ameaça e o uso da força para resolver disputas estão se tornando mais frequentes e normalizados"
O chefe de direitos humanos da ONU expressou, nesta sexta-feira (27), sua preocupação com a normalização do uso da força para resolver disputas e alertou que o aumento dos conflitos está criando um "deserto de direitos humanos".
"Não podemos retornar à violência como princípio organizador", afirmou Volker Türk ao apresentar uma atualização sobre a situação dos direitos humanos no mundo.
O Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos alertou que "a ameaça e o uso da força para resolver disputas estão se tornando mais frequentes e normalizados".
"O número de conflitos armados quase dobrou desde 2010, chegando a cerca de 60", disse ao Conselho de Direitos Humanos da ONU.
"O mundo está se tornando um lugar mais perigoso. Ninguém em sã consciência quer isso", enfatizou.
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Türk alertou que uma das principais causas da tendência é a competição cada vez mais implacável pelo poder em detrimento dos direitos humanos. "Os atores estão competindo pelo controle de terras, energia e atenção. Mas com que propósito?", questionou.
"Dominar a economia global? Acumular mais poder? Colocar inteligência artificial no espaço? O poder deve servir a outros propósitos", destacou.
Türk criticou os líderes que "usam o poder para fins próprios, explorando e subjugando".
Ele acrescentou que é "desconcertante que os líderes políticos não estejam tomando medidas urgentes para reverter as tendências atuais".
Alguns estão até mesmo "atacando as instituições criadas para nos manter seguros: as Nações Unidas, incluindo a Corte Internacional de Justiça; o Tribunal Penal Internacional; este Conselho e seus mecanismos", denunciou.
Türk também lamentou uma aparente dessensibilização às violações do direito internacional.
Ele lembrou que, há uma década, "um ataque a um hospital provocaria uma indignação global (...) mas dados recentes mostram que agora há uma média de 10 ataques a serviços de saúde por dia".
"O mundo não pode ficar de braços cruzados enquanto o direito internacional humanitário e o sistema de direitos humanos são desmantelados diante de nossos olhos", ressaltou.

