Ações de gentileza podem gerar contágio saudável entre pessoas

Boas práticas gentis transformam ambientes e levam bem-estar para quem as reproduzem e para quem convivem com elas, dizem especialistas

Professora de história Priscilla NascimentoProfessora de história Priscilla Nascimento - Foto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

Quem não gosta de ser bem tratado? Expressões como "bom dia", "por favor", "obrigado" e "muito prazer" podem fazer a diferença no dia e até mesmo na vida de uma pessoa. Em tempos de intolerância como as que vivemos atualmente, ao praticarmos ações de gentilezas há uma espécie de contágio saudável nos ambientes. Palavras de carinho, olhares mais doces e sorrisos amáveis têm o poder de desarmar qualquer reação de fúria, de raiva. Afinal, como ensinou o "Profeta Gentileza", José Datrino, "Gentileza gera Gentileza".

Para a professora de história Priscilla Nascimento, 26 anos, as atitudes de gentileza surgem espontaneamente no seu cotidiano. “Se naturaliza tanto que os outros acabam percebendo mais do que eu mesma”, comenta. Ela conta que chama mais atenção o fato de ela ser paciente, estar sempre disposta a escutar, além de olhar para os outros e poder percebê-los como seres humanos. “No meu ambiente de trabalho é muito comum a busca por sentimentos positivos. Poder receber bem meus alunos, ser gentil, abraçá-los, notar suas diferenças”, disse.

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E assim, ela vai formando uma onda de gentileza por onde passa. “Uma série de fatores contribui para um ambiente mais leve e gentil. Eu estou imersa em uma rede familiar e de amigos que praticam boas atitudes. Ao longo da vida convivi com pessoas que sempre me deram bons exemplos”, comenta. A professora ressalta que não se deve esperar uma época do ano para ser gentil. “É importante pensar que gentileza não está só ligada ao ato de doar algo material. Ações gentis no dia a dia são muito simples e são as que podem causar melhores resultados”, afirmou.

Diariamente lidando com o público, o bancário Marcelo Santos, 40, procura sempre praticar ações gentis. Ele diz não enxergar a vida de outra forma. “Lembro de uma promoção em um café no dia da gentileza. Se você tratasse os funcionários com educação, dando bom dia, pedindo por favor teria desconto. Percebi, então, o quanto faz diferença ações simples para melhorar o seu dia”, comenta. Marcelo afirma que uma das satisfações é quando percebe que influenciou alguém a mudar de atitude por causa de seus atos.

[PODCAST] Para falar sobre o hábito da gentileza, Jota Batista conversou no Espaço Aberto com a psicóloga clínica, Miryam Azoubel


A psicóloga Miryam Azoubel explica que não dá para falar de gentileza sem falar de empatia. Ou seja, sem se colocar no lugar do outro. "A literatura pedagógica preconiza que nossas relações são construídas de acordo com as nossas vivências. Então, se vivemos em um ambiente harmônico, de gentileza, nós vamos reproduzir isto", ressaltou a especialista. Ela explica que ao praticar um gesto de gentileza o ser humano está fazendo algo para também se beneficiar. "É como se fosse uma lei do retorno inconsciente, pois se pratica o bem e o bem retorna para si."

Ao passo que a vivência em um mundo globalizado e com frequente uso de tecnologias traz benefícios, o modo como as pessoas se relacionam também é diretamente influenciado, segundo a psicóloga. "Vivemos em uma cultura em que estamos desgastados, muito mais preocupados em criticar, reclamar. Não temos a cultura do elogio, não estamos desenvolvendo esta estratégia de nos acolhermos que é tão prazeroso, tanto para quem dá quanto para quem recebe", disse. Em suma, como preconizou Gandhi, “a gentileza não diminui com o uso. Ela retorna multiplicada.”


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