SOS Acre

Acre sofre com Covid, cheias, dengue e crise migratória: 'Vivemos 3ª Guerra Mundial', diz governador

Cerca de 120 mil pessoas foram atingidas pelas cheias - o estado tem pouco mais de 790 mil habitantes

Cheia já atingiu mais de 120 mil pessoas no estadoCheia já atingiu mais de 120 mil pessoas no estado - Foto: Divulgação/Secom-AC

Em situação de emergência desde a última terça-feira (16), o Acre sofre com cheias de rios, um surto de dengue, alta de casos de Covid-19 e com conflitos com os imigrantes haitianos e de outras nacionalidades na fronteira com o Peru. 

O estado ainda tem milhares de pessoas desalojadas e desabrigadas devido as enchentes que atingem dez municípios, incluindo a capital Rio Branco. Cerca de 120 mil pessoas foram atingidas pelas cheias - o estado tem pouco mais de 790 mil habitantes.

Em entrevista à CNN Brasil, o governador do estado, Gladson Cameli (PP), comparou a situação do Acre a uma "3ª Guerra Mundial". 

"A questão das cheias — uma das piores nos últimos anos —, dengue, Covid-19, e imigrantes na fronteira do Brasil... Temos ainda o Peru e a Bolívia, a questão dos haitianos. E isso me causa uma preocupação. É uma situação delicadíssima porque eu preciso proteger a população. E, com tudo o que está acontecendo, eu vou te dizer que vivemos uma terceira guerra mundial", afirmou Cameli.

O nível de água em alguns rios começou a retroceder de volta para dentro das margens, mas a situação ainda é crítica.

Na última quinta-feira (18), o município de Assis Brasil decretou estado de calamidade pública devido à dificuldade de abrigar a grande quantidade de imigrantes na cidade após o fechamento da fronteira peruana, por conta da pandemia. 

Houve conflito entre imigrantes que tentaram forçar a entrada no país vizinho e as Forças Armadas do Peru.

Centenas de imigrantes estão acampados em ponte na fronteira (Foto: Reprodução/Twitter @gledsoncameli)

Governo Federal
Em Rio Branco, o último balanço do governo estadual a partir das informações da Defesa Civil do município contabilizava 2,7 mil famílias atingidas, sendo 75 desabrigadas e 129 desalojadas. 

O nível do Rio Acre recuou 20 centímetros no domingo (21). A previsão é que nesta segunda-feira (22) retroceda um pouco mais, mas ainda assim fique em 15,19 metros, fora dos 14 metros, mínimo necessário para que as águas voltem para dentro das margens.

Em outro município do Acre, Sena Madureira, o número de famílias desabrigadas passa de 1,4 mil e outras 2,5 mil estão desalojadas. 

O Rio Iaco marcou, no sábado (20), mais de 18 metros de nível, sendo que o limite máximo para que o rio fique dentro das margens é de 15,2 metros.

Em Cruzeiro do Sul, são 208 famílias desabrigadas e 3,9 mil desalojadas. O Rio Juruá registrou, segundo o governo estadual, a maior cheia desde 2017, atingindo os 14,31 metros.

Em Tarauacá a enchente atingiu 90% da cidade, afetando 7 mil famílias, deixando 77 desabrigadas e 38 desalojadas. O Rio Tarauacá, no entanto, baixou e voltou para dentro da cota de transbordo nas últimas horas.

Governo estadual
Em vídeo divulgado nas redes sociais, o governador do Acre, Gladson Cameli, pediu paciência à população e disse que o governo estadual está trabalhando junto com o governo federal para atender aos atingidos pelas cheias. 

“Eu peço que a população tenha paciência. Eu sei que não aguentam mais esperar, estamos com várias situações críticas. O que a gente precisa nesse momento é união”, enfatizou.

O presidente Jair Bolsonaro disse que pretende visitar o estado na próxima quarta-feira (24) em uma mensagem gravada ao lado do senador Marcio Bittar (MDB-AC) e divulgada nas redes pelo parlamentar.

“Sabemos dos problemas, estamos agindo e na próxima quarta-feira, se Deus quiser, estaremos lá”, disse o presidente no vídeo.

Coronavírus
Na atualização de domingo, a Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) notificou mais 43 novos casos de Covid-19. No sábado (20), foram registrados 181. O estado agora totaliza 54.768 infecções desde o início da pandemia, com 963 mortes - seis no balanço do dia.

De acordo com o governo estadual, 284 pessoas estão internadas por causa da doença.

Coronavírus no Acre (Foto: Odair Leal/Secom-AC)

Dengue
A estimativa do governo estadual é de que a dengue seja responsável por 80% dos atendimentos nas unidades de pronto atendimento de Rio Branco, chegando a 8,6 mil casos suspeitos.

Como ajudar
As doações para ajudar o Acre podem ser feitas diretamente à Associação do Ministério Público do Estado (MPAC).

Os dados bancários são:
Banco do Brasil
Agência: 35505
Conta Corrente: 100-7

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