Adeildo dos Santos "é uma moça" incapaz de matar, diz defensor em júri

Advogado ressaltou perfil simples e "matuto" do acusado de envolvimento na morte do promotor Thiago Faria

Os ministros do governo Temer e o senador Armando Monteiro Neto (PTB) durante ato em CaruaruOs ministros do governo Temer e o senador Armando Monteiro Neto (PTB) durante ato em Caruaru - Foto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

Acusado de participar do assassinato do promotor Thiago Faria Soares, Adeildo Ferreira dos Santos "é uma moça" e não tem relação com o crime, defendeu o advogado dele, José Rawlinson Ferraz, na tarde desta quinta-feira no julgamento que ocorre no Recife. O julgamento de Adeildo e mais dois dos cinco acusados de matar o promotor de Itaíba, em outubro de 2013, ocorre na sede da Justiça Federal em Pernambuco, no bairro do Jiquiá, Zona Oeste da cidade.

A defesa de Adeildo se concentrou em mostrá-lo como uma pessoa frágil, ingênua, "matuta". Trabalhador rural de um sítio a 30 km de Buíque, ele não teria nenhuma relação com o crime segundo o advogado. "Querem acusar de um crime um homem que não sabe dirigir, que não sabe atirar. Se tem uma moça que está sendo julgada aqui, é ele. É um réu pobre, lascado, que não vai a festa, não bebe cachaça, é uma moça", disse.

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"O grande drama desse homem é que arranjou uma namorada e que está com medo de perdê-la", disse. Com essas falas, o advogado arrancou risos da plateia em vários momentos.

O defensor questionou muito a investigação da Polícia Federal. Disse que Adeildo só foi interrogado por pouco mais de 10 minutos e foi indiciado em seguida, e que, só depois, as investigações sobre ele foram feitas.

José Rawlinson reforçou que não há nada que coloque Adeildo na cena do crime. "Será que ele vai ter que pagar por uma ligação que Cavalcante (José Domingos Cavalcante, para quem Adeildo trabalhava) fez para ele? Não houve uma interceptação [telefônica] que pegasse ele falando alguma coisa comprometedora", disse. Nos autos, há uma ligação polêmica em que José Domingos Cavalcante fala que "foi citado" e fala "daquele negócio" e uma pessoa apelidada de "Gaúcho" (que a PF diz ser Adeildo) desliga o telefone bruscamente. A defesa ressaltou que o apelido de Adeildo é "Louro" e que ele nunca foi conhecido como "Gaúcho". José Domingos Cavalcante é também um dos réus do processo pela morte do promotor, porém não está sendo julgado neste júri popular porque o advogado faltou - o julgamento ficou, então, adiado para 12 de dezembro.

Entenda o caso

O crime ocorreu no dia 14 de outubro de 2013 no interior de Pernambuco. Thiago Faria Soares estava com a noiva, a advogada Mysheva Martins, e o tio dela Adautivo Martins. Eles seguiam pela rodovia PE-300 a caminho de Itaíba, quando foram abordados por homens armados.

Os tiros atingiram Thiago, que morreu na hora. O veículo deles parou. O carro dos assassinos contornou a via e, segundo as investigações, retornou para tentar assassinar tio e sobrinha, que escaparam com vida após se jogarem para fora do veículo, na estrada. A arma do crime nunca foi encontrada. 

A motivação do crime teria sido a compra de 25 hectares de uma fazenda em Águas Belas. O imóvel, que possuía uma extensão total de 1.800 hectares, foi adquirido por Mysheva em um leilão por R$ 100 mil - com isso, parentes de José Maria Pedro Rosendo Barbosa teriam sido obrigados a deixar o local.

Segundo as investigações, Thiago Faria, então namorado de Mysheva, além de acompanhar a visita de um oficial de Justiça numa ação de despejo, teria se envolvido numa discussão verbal com a esposa de Rosendo. Para o Ministério Público de Pernambuco, a intervenção dele no caso “acirrou os ânimos”. “O MPPE não concordou com a atitude de Thiago e, na época, decidiu removê-lo compulsoriamente para o município de Jupi, no Agreste, mas ele foi morto um dia antes de se mudar”, declarou o promotor André Rabelo, em entrevista à Folha de Pernambuco.

Thiago era promotor em Itaíba, município vizinho a Águas Belas, havia nove meses. Conforme Rabelo, o MPPE sabia que a cidade tinha um histórico de violência e temia pela vida de seu servidor. “Decidimos realizar a transferência para tirá-lo do cerne da questão”, afirmou. “Não podemos negar o comportamento inadequado, mas também não vamos permitir que denigram a imagem dele. Thiago pagou com a própria vida”, complementou.

Cinco pessoas foram acusadas de envolvimento no assassinato. Neste júri popular, são julgados José Maria Pedro Rosendo Barbosa, conhecido como Zé Maria de Mané Pedo, e Adeildo Ferreira dos Santos - estão em reclusão no Centro de Observação Criminológica e Triagem Professor Everardo Luna (Cotel), em Abreu e Lima - e José Marisvaldo Vitor da Silva, conhecido como Passarinho, que se encontra no Complexo Prisional do Curado, no Recife.

Também réu, José Maria Domingos Cavalcante, que está preso no Cotel, teve o julgamento adiado porque o advogado dele, Emerson Leônidas, faltou ao júri popular e não alegou nenhum motivo. Ele agora será julgado agora no dia 12 de dezembro, às 9h. O quinto acusado é Antônio Cavalcante Filho, irmão de José Maria Cavalcante, que se encontra foragido. 

 

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