Adolescentes serão ouvidas pela DPCA

Amigas de infância, as moradoras de Jaboatão haviam fugido de casa e foram encontradas pela polícia de Carpina

Meninas disseram à Folha de Pernambuco que saíram porque não queriam mais ficar em casaMeninas disseram à Folha de Pernambuco que saíram porque não queriam mais ficar em casa - Foto: Leo Motta

A delegada Vilaneida Aguiar, do Departamento de Polícia da Criança e do Adolescente (DPCA), responsável pelo caso, escuta, hoje, as quatro adolescentes que estavam desaparecidas desde a última terça-feira. As meninas foram encontradas no último sábado em Carpina, na Mata Norte do Estado, e passaram por uma série de exames durante o fim de semana. A expectativa é que a delegada traga elucidações sobre o período em que as jovens estiveram sumidas. Todas são amigas de infância e moradoras de um bairro de Jaboatão.

De acordo com o pai de uma delas, as meninas passam por exames desde que foram encontradas e prestarão depoimentos à Polícia Civil na tarde desta segunda-feira. Com autorização dos pais, a reportagem conversou com três das quatro jovens. “Saímos de casa na terça-feira, passamos uma noite no Ibura, na casa de um amigo, e fomos para Carpina na esperança de achar a tia de A. (13 anos). Quando chegamos lá, já com fome e sujas, A. tinha esquecido onde a tia morava e pedimos ajuda. Um menino nos ajudou e levou a gente para a casa da mãe dele, que nos acolheu muito bem. Ela nos deu comida e roupa. Mas (e com o passar do tempo) descobriram que a gente estava desaparecida e chamaram a polícia”, relatou uma das meninas.

As meninas não relatam qualquer agressão física ou sexual durante os dias em que estiveram fora de casa. “Saímos porque não queríamos ficar em casa”, frisou T.R, de 12 anos. Para o pai de uma das meninas, “o que soube é que elas estavam guardando dinheiro e queriam viver uma aventura, com planos para chegar a São Paulo”, afirmou. Sobre o percurso, as meninas não souberam dizer como e quando o fariam.

A polícia começou a investigar o desaparecimento na última sexta-feira. A delegada contou à Folha de Pernambuco que as garotas, que têm entre 12 e 16 anos, haviam saído de casa fardadas. Antes de sair, elas levaram mochilas, com roupas, utensílios de beleza, como chapinha, e produtos de higiene pessoal.

Uma delas havia deixado uma carta, mas não explicava o motivo de fuga. Por isso, a tese de sequestro estava descartada naquela ocasião.

Segundo os pais, as famílias que acolheram as adolescentes no período do sumiço devem ser ouvidas hoje também, fato este que pode contribuir para que a delegada tenha acesso a mais informações sobre o caso.

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