Advogado apresenta laudos para reforçar que assassinato de médico foi legítima defesa
Advogado de defesa de Jussara e Danilo convocou coletiva para apresentar exames e laudos médicos de mãe e filho; Rafael Nunes também afirmou ter 15 testemunhas dispostas a prestar depoimento a favor de Jussara e Danilo
A defesa da farmacêutica Jussara Rodrigues da Silva Paes, de 55 anos, e do filho dela, o engenheiro civil Danilo Paes, de 23 anos, apresentou na manhã desta sexta-feira (16) laudos para reforçar que o assassinato do médico Denirson Paes da Silva ocorreu em legítima defesa. Um laudo médico prova, segundo advogado Rafael Nunes, que Danilo já tinha problemas na coluna desde março, portanto as dores dele seriam anteriores ao crime.
Rafael Nunes também afirmou ter 15 testemunhas dispostas a prestar depoimento a favor de Jussara e Danilo. E apresentou pela primeira vez dois documentos que já havia citado: o processo completo mostrando que Jussara havia pedido medida protetiva contra Denirson em junho de 2015 e o laudo psiquiátrico atestando que a saúde mental dela estava abalada. A esposa e o filho mais velho de Denirson, estão presos, acusados de matá-lo na residência da família em Aldeia, Região Metropolitana do Recife (RMR), no final de maio.
De acordo com o advogado Rafael Nunes, medidas protetivas de urgências com base na Lei Maria da Penha foram solicitadas por Jussara contra Denirson Paes da Silva, em março de 2015. Os autos do processo na época apontam que as medidas foram descumpridas e depois retiradas a pedido da própria esposa. "Ela procurou a Justiça e solicitou a proteção, sob o que diz a Lei Maria da Penha. Mas dias depois retornou e retirou o pedido, porque disse que não estava mais com medo. Claro que ela só fez isso porque foi ameaçada por Denirson", alega a defesa.
O laudo mostra que, em outubro de 2017, Jussara estava sendo acompanhada por um psiquiatra, e durante as consultas fazia relatos de sofrimento, apresentava crises constantes de choro e se queixava de problemas no relacionamento conjugal (veja abaixo). O laudo está assinado pelo psiquiatra que atendeu Jussara na época, Sílvio Celso Ferreira.
"O laudo indica que ela não estava bem depois de tantos anos de agressões físicas e psicológicas do companheiro. Jussara agiu em legítima defesa depois de 30 anos de violência", ressaltou o advogado.
Com exames de ressonância magnética em mãos, Rafael Duarte também comentou sobre o problema na coluna cervical do engenheiro civil Danilo Paes, 23 anos. O exame, datado de março deste ano, reforça a tese da defesa de que o filho mais velho do casal não ajudou Jussara no assassinato, praticado sozinha por ela, em legítima defesa. “Já estão nos autos o exame de Danilo. A defesa prova que a polícia se precipitou, quando afirmou que ele quebrou a cacimba e que ajudou na condução do corpo do próprio pai. Na reconstituição, Jussara provou que tinha força física para levar o médico", comentou o advogado.
Ainda sobre Danilo, o advogado afirma que é mentira que foi encontrado sangue na sola de sapato do filho do casal e desafia a defesa a mostrar que havia essa substância. "O inquérito policial foi tendencioso o tempo todo, em relação a Danilo principalmente. A polícia tem que agir com imparcialidade.Não foi encontrado sangue na sola do sapato dele. Em lugar nenhum esse fato consta na perícia e desafio a provarem que isso é verdade", completou Rafael Nunes.
Relacionamento violento
Para o advogado de defesa de Jussara e Danilo Paes, o médico Denirson Paes da Silva era dissimulado e fingia manter uma relação com a família que, na verdade, nunca existiu. Entre outros fatos, Rafael Nunes citou que Jussara era obrigada a manter relações sexuais com o marido e que ela não usufruía de liberdade financeira, sofrendo agressões do marido sempre que 'desobedecia' às suas ordens.
"Quando ela ia fazer compras ele dava o cartão de crédito com uma lista pronta do que ela deveria trazer. Se ela chegasse com qualquer item a mais, ela apanhava. Assim como ela fazia quando a obrigava a ter relações sexuais com ele, expulsando-a do quarto logo em seguida e fazendo com que ela, muitas vezes, ficasse a noite toda ao relento, fora de casa".
Perícia
O laudo da reconstituição realizada na casa do cardiologista Denirson Paes no último dia 14 de setembro, em Aldeia, concluiu que a esposa dele, a farmacêutica Jussara Rodrigues, não seria a única responsável pela morte do marido. Ela teria contado com a ajuda de uma segunda pessoa que, de acordo com a acusação, seria o engenheiro Danilo Paes, filho mais velho do casal. A investigação aponta que ele foi asfixiado por esganadura e, em seguida, esquartejado.
A Justiça de Pernambuco determinou, na segunda-feira (12), a quebra do sigilo do processo. Com isso, o laudo, assim como todo o inquérito, será detalhado pelo advogado Carlos André, contratado pelos pais do médico para auxiliar o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) na acusação. Já a defesa acredita que a Polícia Civil de Pernambuco fez um trabalho tendencioso.

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