Advogado falta e juíza adia julgamento de um dos acusados de matar promotor de Itaíba

Promotor Thiago Farias foi assassinado três anos atrás em Pernambuco

Julgamento do caso promotor Thiago fariaJulgamento do caso promotor Thiago faria - Foto: Clemilson Campos/Folha de Pernambuco

A juíza federal Amanda Torres de Lucena Diniz Araújo adiou o julgamento de um dos acusados de matar o promotor de Itaíba, Thiago Farias Soares, três anos atrás. José Maria Domingos será julgado agora no dia 12 de dezembro, às 9h. O adiamento ocorreu porque o advogado dele, Emerson Leônidas, faltou e não alegou nenhum motivo. Uma multa de 30 salários mínimos foi estabelecida pela juíza para o advogado.

Os acusados respondem pelo crime de homicídio doloso contra a vítima e por tentativa de assassinato da advogada Mysheva Freire Ferrão Martins, noiva de Thiago Farias, e do tio dela, Adautivo Martins. Ambos estavam no carro do promotor, na rodovia PE-300, a caminho de Itaíba, no Agreste de Pernambuco.

Os réus estão em regime de reclusão: os três primeiros estão detidos no Centro de Triagem Professor Everardo Luna (Cotel), em Abreu e Lima, Região Metropolitana do Recife, enquanto José Marisvaldo, conhecido como Passarinho, se encontra no Complexo Prisional do Curado. O quinto acusado pelo crime - Antônio Cavalcante Filho, irmão de José Maria Cavalcante - está foragido da Justiça Federal.

Os procuradores federais responsáveis pela acusação são Alfredo Falcão Jr., Luís Vicente Queiroz, Bruno Costa Magalhães e Fabrício Carrer. O sorteio dos jurados que atuarão na sessão aconteceu no último dia 12 de setembro, na sala de audiências da 36ª Vara Federal, em que foram sorteados 25 jurados e mais 25 suplentes.

Entenda o caso

O crime ocorreu no dia 14 de outubro de 2013 no interior de Pernambuco. Thiago Farias Soares estava acompanhado da noiva, a advogada Mysheva Martins, e do tio dela Adautivoo Martins. Eles seguiam pela rodovia PE-300 a caminho de Itaíba, quando foram abordados por homens armados. Os tiros atingiram Thiago, que morreu na hora. O veículo deles parou. O carro dos assassinos contornou a via e, segundo as investigações, retornou para tentar assassinar tio e sobrinha, que escaparam com vida após se jogarem para fora do veículo, na estrada. A arma do crime nunca foi encontrada.

De acordo com o advogado de Mysheva, José Augusto, a motivação do crime foi a compra de 25 hectares de uma fazenda em Águas Belas. O imóvel, que possuía uma extensão total de 1.800 hectares, foi adquirido por Mysheva em um leilão - com isso, José Pedro teria sido obrigado a deixar o local. “Não resta dúvida de que o mandante é José Maria Pedro Rosendo”, afirmou Augusto.

Segundo o advogado, que assiste à acusação, “Passarinho” seguiu o veículo do casal e passou as informações sobre o trajeto dele para os executores. Na audiência de instrução do processo, que ocorreu de 24 a 27 de março de 2015, Mysheva e Adautivo depuseram. Na ocasião, foram ouvidas 34 testemunhas, sendo 16 arroladas pela acusação e 18 pela defesa.

“Estamos confiantes na condenação dos réus. Isso vai acabar com a impunidade em Pernambuco, pois Zé Maria já responde por sequestro, respondeu por um homicídio e diversos crimes”, complementou. Entre as provas registradas nos autos do processo estão a perícia no carro da vítima, reconstrução do crime em 3D pela Polícia Federal e o depoimento de Mysheva, que, segundo José Augusto, não apresenta falhas.

Já para a defesa dos réus, o depoimento da advogada Mysheva Martins é contraditório. “Foram seis depoimentos da Mysheva, que só provam que o que mais existe no processo são dúvidas e inconclusões”, alegou o advogado Anderson Flexa, que faz parte da equipe de quatro advogados que defende os acusados. “A primeira grande mentira no processo indicava Edymacy Ubirajara como estando no veículo e que ele teria atirando no promotor. Provou-se, através de perícias e das testemunhas, que a imputação feita por Mysheva não era verdadeira, assim como várias outras imputações não são”, complementa. Na época das investigações, Edymacy chegou a ser preso, porém foi liberado.

Segundo Flexa, o único fato comprovado é o assassinato do promotor. “Fora isso, nada é conclusivo”, afirmou. Ele declara que foram realizadas três perícias que trouxeram, por sua vez, três resultados diferentes. “Inclusive, há divergência em relação à quantidade de tiros, à ordem dos tiros e ao posicionamento da arma utilizada”, declara.

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