Sanções contra Rússia

Ainda há 'muita margem' para aumentar as sanções à Rússia, dizem especialistas

"Se o objetivo é atacar a economia russa, é o setor da energia que precisa ser atingido", concordou Neil Shearing, especialista da Capital Economics

Rublo, moeda russaRublo, moeda russa - Foto: Anna Tis/Pexels

A escala de sanções tomadas contra a Rússia por países ocidentais após a invasão da Ucrânia é "sem precedentes", mas ainda há "muito espaço" para aumentá-las, disseram especialistas ao Parlamento britânico nesta segunda-feira (7). 

"Estamos em território desconhecido. O uso de sanções contra um país tão integrado ao Ocidente não tem precedentes", disse Tom Keatinge, diretor de estudos sobre crimes financeiros e segurança do Royal United Services Institute (RUSI), em Londres.

Embora "o congelamento dos ativos do banco central (russo) tenha tido um grande impacto", ainda há "muito espaço para aumentar" as sanções, especialmente em torno de medidas voltadas para a energia russa, destacou em uma audiência diante da Comissão do Tesouro do Parlamento Britânico. 

Após várias rodadas de sanções coordenadas contra as finanças e a economia da Rússia, os países ocidentais estão agora focando suas discussões em uma possível proibição das importações de hidrocarbonetos, a principal fonte de renda do governo de Vladimir Putin.

Além disso, "ainda existem bancos que não são afetados" pelas sanções e "sabemos que não são por causa da necessidade de fazer pagamentos relacionados à energia", acrescentou. 

"Se o objetivo é atacar a economia russa, é o setor da energia que precisa ser atingido", concordou Neil Shearing, especialista da Capital Economics. Mas as sanções "têm um custo para o resto do mundo", disse ele.

"Nunca usamos sanções dessa maneira contra outro país do G20", disse Justine Walker, chefe de sanções internacionais e riscos da associação de especialistas certificados em combate à lavagem de dinheiro ACAMS.

"Só usamos sanções semelhantes contra países como Venezuela e Coreia do Norte", continuou ela, enfatizando o risco de consequências não intencionais. 

Esta especialista citou o problema provocado, por exemplo, por algumas medidas espontâneas de retaliação tomadas por agentes privados, como a decisão das maiores companhias de navegação de evitar portos russos por medo de possíveis sanções. 

Isso "cria um cenário muito difícil para os produtos básicos que queremos continuar comercializando", como os cereais, destacou.

Essas "autossanções" preventivas de algumas empresas contribuíram para um aumento dramático nos preços das commodities até bater recordes desde o início da invasão russa, especialmente para o trigo, mas também para o petróleo e metais industriais.

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