Alckmin diz desconhecer depoimento de advogado confirmando reunião com delator

"Eu não conheço este depoimento até porque está em sigilo. Não sei como a imprensa consegue, mas eu não tenho acesso", afirmou Alckmin

Geraldo AlckminGeraldo Alckmin - Foto: José Cruz / Agência Brasil

Candidato à Presidência da República pelo PSDB, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin alegou desconhecimento para rebater duas reuniões, em 2010 e em 2014, para, supostamente, negociar caixa dois para suas campanhas.

A Folha de S.Paulo mostrou nesta quarta-feira (5) que José Eduardo Alckmin, advogado e primo do tucano, mencionou em depoimento prestado por escrito, em julho de 2017, uma reunião com um delator da Odebrecht que o acusa de ter recebido caixa dois.
Segundo documento obtido pela Folha de S.Paulo, o advogado cita um encontro em 2010 com Aluizio Araujo, então membro do Conselho de Administração da Odebrecht, e Carlos Armando Paschoal, à época diretor-superintendente da construtora em São Paulo.

Em 2010, Alckmin disputou com sucesso o governo de São Paulo. Paschoal, em delação homologada em 2017, afirmou que no encontro foi acertada uma doação por meio de caixa dois de R$ 2 milhões, o que o tucano nega. Em março de 2018, Alckmin negou em entrevista que o encontro tenha ocorrido.

Questionado nesta quarta sobre a contradição, ele limitou-se a dizer que desconhece o depoimento. "Eu não conheço este depoimento até porque está em sigilo. Não sei como a imprensa consegue, mas eu não tenho acesso", afirmou Alckmin. O tucano teve outra notícia negativa nesta manhã: o Ministério Público de São Paulo ajuizou nesta quarta-feira (5) uma ação de improbidade administrativa contra o presidenciável.

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Segundo os promotores, o tucano aceitou pelo menos R$ 7,8 milhões da Odebrecht para financiar sua campanha à reeleição, em 2014, por meio de caixa dois. O promotor Ricardo Manuel Castro pede que Alckmin seja condenado à suspensão dos direitos políticos, à perda de eventual função pública e à perda dos valores ilicitamente acrescidos a seu patrimônio.

"Não tenho informação, mas quero reiterar que não tem nenhum fato novo. É nosso dever sempre prestar contas. Transparência absoluta. A única coisa que a gente quer é que a Justiça seja rápida, que se esclareça rapidamente", respondeu Alckmin quando questionado sobre a decisão do Ministério Público.

Alckmin passou a manhã em Brasília. Participou de uma reunião com a diretoria da Abar (Associação Brasileira de Agências de Regulação), que informou ter convidado todos os candidatos ao Palácio do Planalto.

O presidenciável tucano foi o primeiro a participar e recebeu um documento com três pedidos: que o orçamento das agências seja desvinculado do governo federal, que as agências tenham um quadro próprio de procuradores e que seja assegurada a independência decisória, para que decisões tomadas por alguma das 55 agências não seja revista por órgãos como o TCU (Tribunal de Contas da União).

"A gente não consegue avançar se decisões são revistas por outros órgãos. Quando você tem uma distorção, cabe ao Poder Judiciário rever. Hoje estão sendo revistas decisões que não têm dolo, desvio de poder nem ilegalidade", protestou o presidente da Abar, Fernando Franco.

Antes do encontro, em conversa com jornalistas, Franco rebateu a crítica de que atualmente as agências estão aparelhadas por indicações políticas.
"A indicação é política porque quem indica é o governador, o prefeito, o presidente. A lei determina isso", afirmou.

Uma das bandeiras eleitorais de Alckmin é justamente acabar com as indicações políticas para as agências. "Tenho destacado que governo, quem tem que governar é quem ganhou a eleição. Quem perde vai fiscalizar, quem ganhou tem que governar com os melhores quadros e governar bem. Agência é de Estado, tem mandato, ultrapassa o mandato de quem foi eleito. Ela não pode ser partidarizada. Partido político, mil quilômetros de distância", disse Alckmin após a reunião.

De Brasília, Alckmin pegou um avião particular e foi para Goiânia, onde cumpre agenda ao longo do dia.

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