Alepe realiza sessão solene em homenagem aos 80 anos das vitórias da Força Expedicionária Brasileira
A Força Expedicionária Brasileira atuou na campanha da Itália nas duas últimas e mais duras fases da guerra
Nesta terça-feira (6) de maio, às 18h, a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) realizará uma sessão solene em homenagem aos 80 anos das vitórias da Força Expedicionária Brasileira (FEB) durante a
Segunda Guerra Mundial.
O evento também tem como objetivo relembrar e reconhecer o papel fundamental dos ex-pracinhas brasileiros que, com bravura e dedicação, contribuíram para a libertação da Itália do regime nazifascista. A cerimônia celebrará marcos históricos como a tomada de Monte Castelo e outras batalhas decisivas vencidas pela FEB, destacando o legado de coragem e patriotismo deixado pelos soldados brasileiros.
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A iniciativa da solenidade no legislativo pernambucano é de autoria do deputado estadual Renato
Antunes, que reforça a importância de manter viva a memória dos feitos heroicos da FEB. Na ocasião, também acontecerá a entrega do título de Cidadão Pernambucano ao capitão Severino Gomes de
Souza, um dos heróis da Força Expedicionária Brasileira.
Na próxima quinta-feira (8), dia em que se comemora o Dia da Vitória, o Comando Militar do Nordeste (CMNE) prestará uma homenagem solene aos heróis da Força Expedicionária Brasileira (FEB) que atuaram na Segunda Guerra Mundial, em alusão aos 80 anos do fim do conflito. A solenidade, marcada para às 10h, acontecerá no monumento dedicado à FEB, no Parque 13 de Maio, bairro da Boa Vista, área central do Recife.
A cerimônia reunirá autoridades, familiares de veteranos, além dos três pracinhas ainda vivos, residentes no Recife, e suas famílias. A FEB foi composta por 25.334 homens e mulheres brasileiros que combateram na Itália ao lado dos Aliados, entre 1944 e 1945, e foi a única tropa da América Latina a atuar em solo europeu durante a Segunda Guerra Mundial.
Força Expedicionária Brasileira
A participação brasileira, liderada pelo general João Baptista Mascarenhas de Morais, incluiu batalhas emblemáticas como Monte Castelo, Montese e Fornovo di Taro, onde as tropas nacionais enfrentaram o rigor do inverno nos Apeninos, minas terrestres e a pesada artilharia alemã.
A FEB atuou na campanha da Itália nas duas últimas e mais duras fases da guerra: o rompimento da Linha Gótica e a ofensiva final dos Aliados na frente italiana.
O lema da FEB “A cobra está fumando” nasceu de um desafio nacional: a descrença de que o Brasil teria capacidade de enviar tropas ao conflito na Europa. Antes do embarque, dizia-se que “seria mais fácil uma cobra fumar do que o Brasil ir à guerra”. O que começou como ironia, transformou-se em símbolo de bravura. A expressão se tornou o lema oficial da FEB.
“Existia na população, de um modo geral, uma descrença no exército brasileiro. Diziam que era mais fácil uma cobra fumar do que o Brasil mandar tropas para a guerra. Pois a cobra fumou. E mostramos que o Exército brasileiro tinha capacidade”, contou o Capitão Severino Gomes de Souza, de 101 anos.
O lema da FEB “A cobra está fumando” nasceu de um desafio nacional: a descrença de que o Brasil teria capacidade. Foto: Arquivo/CMNE/FEB.Pracinhas
O Capitão Souza, como é mais conhecido, foi um dos 25.334 homens e mulheres brasileiros que integraram a força enviada à Itália em 1944, e um dos três pracinhas ainda vivos, residentes no Recife que serão homenageados na solenidade de quinta-feira (8).
A ofensiva final da FEB começou em abril de 1945. Em campo, os soldados brasileiros, chamados de “pracinhas”, destacaram-se tanto pela coragem quanto pelo espírito humanitário. A FEB foi a única força aliada não segregacionista, composta por soldados de diversas origens sociais e étnicas. Suas tropas dividiram rações com civis italianos, respeitaram prisioneiros e atuaram com disciplina e solidariedade.
Outra ação de extrema importância da FEB no conflito em solo Europeu foi a atuação das 71 enfermeiras brasileiras enviadas à frente, que trabalharam em hospitais de campanha e salvaram centenas de vidas sob risco constante. “As enfermeiras brasileiras foram heroínas tanto quanto os soldados”, afirmou o Capitão Souza.
A ofensiva final da FEB começou em abril de 1945. Foto: Arquivo/CMNE/FEB.A memória da FEB
Com a vitória consolidada, os brasileiros retornaram ao país em 18 de julho daquele ano. Ao todo, 24.874 militares que integraram a Força Expedicionária Brasileira desembarcaram no Rio de Janeiro, com uma calorosa recepção na Avenida Rio Branco.
Na festa, faltavam 460 homens. Foram 13 oficiais, 439 praças e 8 pilotos da Força Aérea Brasileira, vítimas de tiros, minas terrestres e explosões. Oitenta anos depois, o exército luta para que os feitos desses heróis não sejam esquecidos.
A cerimônia da próxima quinta-feira (8) busca justamente reafirmar essa memória, revivendo a coragem dos que enfrentaram os regimes totalitários na Alemanha e Itália.
“O reconhecimento durou pouco. Em seguida veio o esquecimento. Mas hoje, graças ao esforço do Exército, nós voltamos a ser lembrados”, declarou o pracinha.

