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Alta procura de assintomáticos baixou estoque de testes

Pessoas que retornaram de viagens, mesmo sem sintomas da Covid-19, procuraram testes nas redes privadas

Testes na FiocruzTestes na Fiocruz - Foto: Josué Damacena/IOC

Em todo o Brasil, há um questionamento constante sobre a subnotificação dos casos da Covid-19. Pernambuco, com 57 casos confirmados após exatos 15 dias das primeiras notificações oficiais, não está imune a essa situação.

Atualmente, a recomendação é testar os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag) e todos os óbitos com essa característica, além de algumas pessoas com sintomas leves no que chamam de sentinela, para tentar uma amostragem geral.

Além das poucas unidades distribuídas de kits para teste se levada em conta a população do País, um outro problema foi apontado pelo secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo.

"O foco quando você não tem recurso é testar os casos graves, que precisam de internamento. Houve uma corrida por testagem no (sistema) privado que acabou os insumos. Não podemos testar assintomáticos. Muitas pessoas viajaram, voltaram e foram se testar sem algum sintoma. Hoje, eu conversava com o proprietário de um laboratório particular sobre isso. A fila no Einstein (Hospital Albert Einstein, em São Paulo) é superior a dez mil exames. Os resultados demoram até sete dias porque as pessoas estão buscando desenfreadamente. Não faz sentido fazer testagem desenfreada nesse momento, nem no público e nem no privado”, alertou.

Tal situação é reforçada pelos números gerais de Pernambuco, que tem um total de 1199 notificações relacionadas à Covid-19, das quais 774 são descartes. São 57 diagnósticos positivos para a doença até o momento, com outros 273 exames em investigação, sendo dois casos prováveis. Outros 93 tiveram resultado inconclusivo.

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Demanda
Segundo Longo, Pernambuco está rodando uma média de 100 testes por dia e trabalha para expandir essa capacidade nas próximas semanas. Entre as alternativas que vêm sendo trabalhadas está a possibilidade de a Fiocruz PE produzir os testes no Estado, o que facilitaria o trâmite. Atualmente, os kits são produzidos pela Fiocruz no Rio de Janeiro e no Paraná e distribuídos ao estados por meio do Ministério da Saúde.

“O RT-PCR só quem tem (no Brasil) é a Fiocruz. Tivemos contato hoje (sexta, 27) com a Fiocruz PE, há interesse em desenvolver os teste em Pernambuco, mas falta um insumo importante para isso. Eles já estão em movimentação para adquirir e então passar a produzir o teste aqui, o que poderia facilitar a ampliação da capacidade de testagem por RT-PCR. Temos o compromisso de ampliar ao máximo a testagem de RT-PCR por ser o que nos dá maior segurança para detecção da doença”, explicou Longo.

O Estado trabalha ainda em parceria com o Consórcio do Nordeste para adquirir um total de 350 mil testes para a região, do tipo rápido. Esse processo, contudo, é minucioso devido às característica de cada teste disponível no mercado exterior, sobretudo na China.

"A Espanha, por exemplo, comprou kits que tinham sensibilidade baixa. A gente está com uma epidemia que não completou ainda três meses. A corrida para produzir e vender produtos é muito grande. Como gestor público, a gente precisa de segurança para não ser ludibriado nessas aquisições. Envolve muitas indústrias fora do País, sobretudo na China. Estamos buscando nos fortalecer com o Consórcio do Nordeste nessa compra. É preciso ter cuidado nesse processo”, ressaltou o secretário de Saúde de Pernambuco.

A partir do momento em que aumentar o suporte laboratorial, outras estratégias poderão ser adotadas no que diz respeito à testagem da população. Por enquanto, os gestores pedem vigilância, alertando que todos os casos de síndrome gripal neste momento são considerados suspeitos e, por isso, há necessidade extrema de serem cumpridas as medidas de isolamento e higiene, no intuito de evitar a contaminação de pessoas próximas.

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