Alunos com TEA exigem mais atenção na volta às aulas

Quebra de rotina após as férias requer maior cuidado de pais e professores de crianças diagnosticadas com Transtornos do Espectro Autismo

Ajuda especializada orienta, inclusive, estimulação em casa para crianças com TEAAjuda especializada orienta, inclusive, estimulação em casa para crianças com TEA - Foto: Brenda Alcântara

O início do ano letivo gera uma expectativa enorme nos pais e, principalmente, nas crianças, com o começo de um novo ciclo de aprendizagem. No entanto, para crianças diagnosticadas com Transtornos do Espectro Autismo (TEA) essa realidade é bem diferente. Os autistas retornam às aulas com mais resistência à rotina que estava estabelecida e pais e professores precisam estar atentos a como tornar o convívio escolar adequado e saudável para que as crianças e adolescentes continuem se desenvolvendo.

“A família tem que estar muito envolvida nesse processo de retorno às aulas. Antes das férias é necessário que os pais recebam uma orientação de estimulação que possa ser feita em casa, porque esse recesso também é importante para eles”, explica a fonoaudióloga e coordenadora geral da Clínica Somar, Alessandra Sales da Silva.

Localizada em Boa Viagem, Zona Sul do Recife, a Somar desenvolve um trabalho voltado para o TEA com espaço dedicado à promoção do processo de aprendizagem. “Nosso trabalho não substitui o papel da escola regular. É apenas um complemento nesse trabalho de socialização”, explica Alessandra.

O indivíduo com TEA pode apresentar importante déficit na linguagem receptiva (comportamento de ouvinte), responsável pela capacidade de compreender a palavra falada, o que pode causar problemas na aprendizagem. Estudos mostram que essas crianças apresentam memória visual preservada, que tem sido utilizada entre as estratégias visuais para melhorar o aprendizado.

“Tudo para eles é muito visual. O retorno ao ambiente escolar se torna mais fácil porque eles conseguem ter uma associação melhor desse espaço. No primeiro dia é normal estarem mais chorosos, mas tudo depende também do nível da criança - se ela tem um TEA leve, moderado ou grave”, afirma a fonoaudióloga.

Diagnosticado com TEA, Ma-­­theus Gonçalves, 6 anos, frequenta uma escola regular e está no segundo ano do ensino fundamental. Sua mãe, a professora universitária Anna Karina Gonçalves, 47, afirma que a rotina de volta às aulas tem sido encarada com mais facilidade.

“Percebemos que havia algo diferente quando ele tinha quase 2 anos. Na escola, ele não acompanhava o desenvolvimento das outras crianças, dormia a aula inteira e acabou não passando de ano. Foi quando fomos procurar ajuda médica e descobrimos que ele tem autismo”, relatou. “Agora, junto ao apoio da Somar, tem evoluído muito. Apesar do nível de aprendizagem ser mais lento, tem demonstrado uma evolução muito boa na linguagem e na compreensão dos comandos”, relata Anna.

Para Helena Andrade, psicóloga da Somar, é preciso ficar atento ao ritmo do aluno que volta às aulas. “Se for notado que ele está estranhando muito, as atividades mais complexas podem ser retomadas em outro momento”, exemplifica.

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