Alunos contrários e favoráveis a ocupação de escola entram em confronto no DF

Segundo a PM, foram usadas bombas caseiras e coquetéis molotov na ação

Hospital da RestauraçãoHospital da Restauração - Foto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

Estudantes que ocupam o Centro de Ensino Médio Asa Branca (Cemab), em Taguatinga (DF), entraram em confronto com outro grupo, que quer a desocupação da escola, no início da noite desta segunda-feira (31). De acordo com a Polícia Militar do Distrito Federal, foram usadas bombas caseiras e coquetéis molotov na ação. Por volta das 22h, ainda havia movimentação no local e a PMDF tentava negociar o que chamou de “impasse” entre os dois grupos. Não há informação sobre feridos no episódio.

Uma militante favorável à ocupação divulgou um vídeo nas redes sociais relatando o ocorrido. Segundo ela, a ação foi iniciada por movimento chamado “Desocupa”. Os integrantes desse movimento seriam responsáveis por tentar forçar a saída dos estudantes que ocupam o Cemab.

Enem cancelado

A ação do grupo de alunos contrários à ocupação ocorre às véspera do fim do prazo dado pelo Ministério da Educação (MEC) para a desocupação de escolas em que haverá aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), nos próximos dias 5 e 6 de novembro. Segundo o MEC, o Enem será cancelado nas instituições que continuarem ocupadas.

De acordo com o MEC, o prazo dado “é para que ainda haja tempo hábil para realização das provas nos locais. Caso as ocupações sejam mantidas, prejudicando os alunos que fariam prova nesses locais, o Inep [Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira] terá de fazer a prova em outra data para aqueles estudantes que não conseguiram. Não há data definida porque o MEC ainda aguarda que o bom senso prevaleça”, diz o ministério por meio da assessoria de imprensa.

Conforme o último balanço do MEC, divulgado há quase duas semanas, 182 locais de prova estavam ocupados e mais de 95 mil candidatos deveriam fazer o exame nesses espaços. Até o fim da manhã desta terça-feira (1º), o Inep receberá do consórcio responsável pela aplicação do exame um levantamento atualizado dos locais de prova que permanecem ocupados.

Os estudantes que participam do movimento pelo país são contra a Proposta de Emenda à Constituição que limita os gastos do governo federal pelos próximos 20 anos, a chamada PEC do Teto. Estudos mostram que a medida pode reduzir os repasses para a área de educação que, limitados por um teto geral, implicaria na retirada de recursos de outras áreas para investimento no ensino. O governo defende a medida como um ajuste necessário em meio à crise que o país enfrenta e diz que educação e saúde não serão prejudicadas.

Os alunos também são contra a reforma do ensino médio, proposta pela Medida Provisória (MP) 746/2016, enviada ao Congresso. Para o governo, a proposta irá acelerar a reformulação da etapa de ensino que concentra mais reprovações e abandono de estudantes. Os estudantes argumentam que a reforma deve ser debatida amplamente antes de ser implantada por MP.

Veja também

Classes mais altas têm maior potencial de contaminação em repique de casos, diz infectologista
Coronavírus

Classes mais altas têm maior potencial de contaminação em repique de casos, diz infectologista

Protestos contra violência policial deixam 56 mortos e fecham escolas na Nigéria
internacional

Protestos contra violência policial deixam 56 mortos e fecham escolas na Nigéria