Amaraji vive medo de novas chuvas

Sem abastecimento d’água, com lama pelas casas e ainda contabilizando o prejuízo, moradores seguem assustados com a recorrência das chuvas

 João, 69 anos, perdeu móveis e um cachorro, que morreu afogado João, 69 anos, perdeu móveis e um cachorro, que morreu afogado - Foto: Rafael Furtado

O céu ainda nublado não deixa os moradores de Amaraji, na Mata Sul do Estado, saírem do alerta. “Passou o dia trovejando. A gente só fica esperando as chuvas, com medo que piore tudo”, contou a aposentada Maria de Lourdes Regis da Silva, 69 anos. Ela conseguiu pegar dois baldes de água no caminhão-pipa que chegou ao bairro da Vila da Conceição ontem, que teve o abastecimento comprometido por causa de tubulações danificadas pelas fortes chuvas do último fim de semana. A previsão é de que a situação se regularize na próxima segunda-feira.

O Governo de Pernambuco disponibilizou uma equipe da Defesa Civil, assim como enviou uma equipe da Compesa para prestar colaboração técnica ao município. Rildo Reis, prefeito da cidade, deve se encontrar amanhã com o governador Paulo Câmara, que está em Brasília. As perdas foram muitas. João Francelino da Silva, 69, teve a casa atingida pela água. Além dos móveis, perdeu o cachorro, que morreu afogado. “Preferia ter perdido a casa. Estou muito triste. Está tudo ainda molhado, a casa suja. Não tem água para lavar.”

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Ele mora ao lado de uma bueira, uma ponte que conta com tubulações na parte de baixo. O equipamento precisou ser desmanchado para que a água escoasse. “Alugaram uma máquina para poder quebrar a estrutura senão a água ainda estava aqui na rua”, explicou Armário Estevão, 69, que ajudou João a suspender os móveis. “A geladeira não presta mais. Está dando choque.”

Na mesma rua, os móveis recém-comprados por Lindalva Maria da Silva se acumulam na calçada. “Eu tinha comprado a cama e o guarda-roupa da minha filha havia oito dias. A gente não estava em casa quando a água das chuvas subiu. Quando chegamos já tinha se perdido tudo”, contou. Ela explicou que, além dos móveis, perdeu toda a feira. “E para terminar, não temos água. Então, está tudo podre. Pia suja, tanque cheio de roupas, a casa cheia de lama. Uma tristeza”, lamentou. Ela e o marido Luiz Carlos Bernardo deram o nome a assistentes sociais que passaram na manhã de ontem pelo bairro.

De acordo com o prefeito Rildo Reis, 30 famílias ficaram desabrigadas porque precisaram ser retiradas de área de risco. Ao todo, 100 pessoas foram atingidas. Com a média histórica de 76 milímetros/mês nessa época do ano, a cidade de Amaraji foi surpreendida, só do domingo para a segunda, com o equivalente a 143 milímetros de chuva, segundo a Agência Pernambucana de Águas e Climas (Apac).

A agência informou que a previsão é de mais chuvas para a região, com o tempo “parcialmente nublado a nublado e pancadas de chuvas de forma isolada ao longo do dia com intensidade de moderada a forte”. Para atender as demandas, a Defesa Civil está 24 horas de plantão e pode ser acionada pelo 0800.081.3400. Donativos podem ser entregues no prédio da prefeitura, na rua Rocha Pontual, 72, ou outras informações podem ser obtidas no 81 99247.2815.

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