Aplicativo auxilia pessoas cegas a pegar ônibus

Estudantes do IFPE desenvolvem o projeto BlindMobi que auxilia pessoas com deficiência visual a utilizarem o transporte público

Aplicativo desenvolvido por estudantes do IFPE avisa quando o ônibus se aproxima da paradaAplicativo desenvolvido por estudantes do IFPE avisa quando o ônibus se aproxima da parada - Foto: Jose Britto / Folha de Pernambuco

José Carlos Amaral, 35 anos, começou a ter dificuldades para enxergar aos 9 e aos 16 teve a perda total da visão dos dois olhos. Ele mora atualmente no município de Camaragibe, Região Metropolitana do Recife, e precisa pegar três ônibus para poder chegar ao bairro da Várzea, na Zona Oeste, local onde trabalha.

José Carlos contou que uma das principais dificuldades durante o trajeto é identificar e parar o ônibus, e que, para isso, precisa da ajuda de outras pessoas. “Eu já peguei vários ônibus errados em situações onde não tinha ninguém por perto para me ajudar”, afirmou.

Pensando nas dificuldades de pessoas que possuem algum grau de deficiência visual, estudantes do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE) desenvolveram um dispositivo para auxiliar na identificação dos coletivos.

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David Mendonça, João Lucas Albuquerque e Leandro Bernardes, alunos do curso de Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas (TADS), sob a supervisão do professor de Telecomunicações Hilson Vilar, criaram o projeto BlindMobi, um protótipo formado por uma caixa pequena desenvolvida para ser colocada nos ônibus e que se comunica por meio do bluetooth com um aplicativo também desenvolvido pela equipe que pode ser instalado no telefone móvel do usuário.

“A ideia é que quando o indivíduo chegue à parada, possa clicar no aplicativo e dizer em voz alta a linha do ônibus que pretende pegar. O software, então, confirma a linha e aí é só esperar. Com a aproximação do coletivo, o hardware enviaria um sinal para o aplicativo, que alertaria a vinda do ônibus, primeiro a 30 metros da parada e, depois, com a sua chegada”, explica o professor.

Ainda de acordo com ele, o grupo prevê como próxima etapa a busca de apoio. “Queremos investir no BlindMobi. Precisamos de parcerias, seja do poder público ou grupos privados, a fim de bancar as pesquisas. Já patenteamos o projeto e seria um sonho conseguir instalar as caixinhas em todos os ônibus do Recife.”

Segundo David Mendonça, estudante que participou da elaboração do projeto, o protótipo representa um sistema a baixo custo. “Gastamos US$80 (aproximadamente R$ 308, de acordo com a cotação atual do dólar) porque tivemos que exportar parte do material utilizado, mas esse valor seria bem menor caso fosse feito em grande escala e favoreceria a autonomia no que diz respeito à locomoção de pessoas com algum grau de deficiência visual”, contou.

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