Apoio a isolamento universal cai oito pontos, mostra Datafolha

Pela primeira vez desde o início da pandemia, há empate técnico entre os que defendem a volta ao trabalho dos que estão fora dos grupos de risco e os que apoiam a permanência deles no isolamento

Aglomeração na Caixa Econômica Federal, da Avenida Marquês de Olinda, no centro do RecifeAglomeração na Caixa Econômica Federal, da Avenida Marquês de Olinda, no centro do Recife - Foto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

Em queda, o apoio a um isolamento social amplo para conter o coronavírus divide a população brasileira, mostra pesquisa Datafolha. Pela primeira vez desde o início da pandemia, há empate técnico entre os que defendem a volta ao trabalho dos que estão fora dos grupos de risco e os que apoiam a permanência deles no isolamento.

São considerados grupos de risco para a Covid-19 idosos e pessoas com comorbidades como cardiopatia, diabetes e doença renal. A proporção de brasileiros que defendem que as pessoas fora dessa categoria deveriam sair para trabalhar passou de 37%, no início de abril, para 41% em 17 de abril e para 46% na pesquisa realizada nessa segunda-feira (27).

Já os que apoiam o isolamento amplo, inclusive de quem está fora dos grupos de risco, passaram de 60% no início de abril para 56% no dia 17 e, agora, para 52%. O Datafolha entrevistou na segunda-feira por telefone 1.503 brasileiros adultos com celular em todos os estados do país. A margem de erro é de três pontos percentuais. A adoção da quarentena apenas para idosos e pessoas nos grupos de risco é defendida pelo presidente Jair Bolsonaro sob a alcunha de "isolamento vertical". O governo, no entanto, até o momento não apresentou nenhum estudo que embase a medida.

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A posição, contrária à defendida pelo Ministério da Saúde, levou à demissão do ministro Luiz Henrique Mandetta no último dia 16. Seu sucessor, Nelson Teich, defende um equilíbrio entre as medidas de proteção à saúde e de retomada da economia e anunciou que a pasta fará uma nova diretriz para localidades que queiram abrandar o isolamento ou abandoná-lo.

Não por acaso, o apoio à volta ao trabalho de quem não está em grupo de risco é consideravelmente maior entre os que avaliam o governo Bolsonaro como ótimo/bom (67%) do que entre quem o considera ruim/péssimo (26%). O apoio ao isolamento seletivo é maior entre os mais ricos –58% dos ganham mais de dez salários mínimos defendem essa posição, contra 44% dos que recebem até dois. Os mais ricos são também são aqueles que mais cumprem a quarentena, com índice de 71% (56% dizem sair só quando inevitável e 15%, nunca).

Nessa análise do comportamento individual em relação ao isolamento, a pesquisa mostra estabilidade em relação às anteriores, dentro da margem de erro. Declaram estar totalmente isolados 16% dos entrevistados, e 53% só saem de casa quando inevitável. Considerando-se a renda, o grupo que mais tem mantido a rotina, ou então saído de casa para trabalhar e fazer atividades, mesmo tomando cuidado, é o que tem renda cinco a dez salários mínimos –44%, enquanto nos demais estratos essa proporção fica entre 28% e 35%. Os mais pobres, que recebe até 2 salários mínimos, empatam com os mais ricos em isolamento (71%, sendo 17% totalmente isolados).

Mas 3% deles dizem não ter alterado em nada a rotina, contra apenas 1% dos mais ricos. Nos últimos dias, estados e municípios de todo o país têm anunciado a retomada de atividades. O Governo de São Paulo, por exemplo, divulgou, ainda sem detalhes, plano que prevê a reabertura gradual a partir do dia 10 de maio, de acordo com condições do sistema de saúde. Em algumas cidades, a reabertura já resultou em novas aglomerações. A imagem de clientes recebidos com palmas em um shopping de Blumenau (SC) virou símbolo disso.

Nesse contexto, a pesquisa Datafolha mostra uma alta no índice de brasileiros que acham que a população está menos preocupada com o vírus do que deveria –esse percentual passou de 44% em março para 56% na segunda-feira. Segundo o levantamento, a proporção dos que defendem manter as pessoas em casa mesmo que isso prejudique a economia se mantém estável em relação à pesquisa do dia 17 de abril, em 67%. No levantamento do início do mês, esse conjunto respondia por 76% dos entrevistados.

De acordo com o Ministério da Saúde, o país registrou até esta terça-feira (28) 71.886 casos confirmados de coronavírus, com 5.017 mortes. Para 47% dos entrevistados pelo Datafolha, o número real é maior do que o divulgado.

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