Após cerca de três horas, protesto contra passagens de ônibus termina na Agamenon Magalhães

Representantes de entidades civis cobram promessas de campanha eleitoral por passagem única a R$ 2,15

Manifestantes chegaram a interromper o fluxoManifestantes chegaram a interromper o fluxo - Foto: Flávio Japa/Folha de Pernambuco

Após cerca de três horas, o protesto contra o aumento das tarifas de ônibus na Região Metropolitana do Recife (RMR) terminou. Os manifestantes caminharam da rua do Hospício, na Boa Vista, até a Agamenon Magalhães, onde o ato foi dispersado por volta das 19h desta terça-feira (17). 

A concentração começou por volta das 16h na rua do Hospício e o grupo saiu em caminhada em direção ao Derby pela avenida Conde da Boa Vista, chegando na Agamenon Magalhães por volta das 18h20 - o trânsito chegou a ser interrompido, mas a polícia negociou a liberação da via e o ato dispersou.

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O fluxo de veículos na Conde da Boa Vista, no sentido Derby, também teve retenções durante o período em que o grupo passava pelo local. Os estudantes ainda chegaram a parar a caminhada no cruzamento com a rua Gervásio Pires. Não houve confronto com a polícia. 

Segundo o estudante da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e representante da Frente de Luta pelo Transporte Público, Marcus Vinícius, a mobilização teve como ideia chamar a atenção do governador Paulo Câmara (PSB). "O princípio é ir para as ruas e cobrar do governador o que ele prometeu na campanha", disse. "Nossa intenção é fazer um protesto que desperte a consciência da população, sem necessidade de haver repressão policial ou criminalização do movimento", complementou.



Para o vereador do Recife que está na mobilização, Ivan Moraes (PSOL), o protesto mostrou a insatisfação da população. "As mudanças de verdade acontecem desse jeito, com as pessoas nas ruas. Foi um choque de realidade ir para a reunião do Conselho Superior de Transporte Metropolitano [CSTM]: esperava ver propostas, ter acesso a estudos e a defesa dos dois lados. Em cinco minutos, apresentaram a proposta e foi decidido", apontou.

"Eu pago passagem todo dia, dá R$ 8,80. Chega no fim do mês e não tem dinheiro mais para nada. Eu apoio esse protesto até baixarem a passagem", diz o pipoqueiro Djair Gomes da Silva, que acompanhou a movimentação. Já a estudante Mariana Alves lembrou que os gastos com tarifas de transporte não são o único peso no orçamento. "A manifestação tem que acontecer para abrir os olhos dos que estão 'acima da gente'. R$ 3,20 é um roubo, ainda mais com essa crise, e a gente ainda precisa de dinheiro para outras coisas."

Para a estudante de Pedagogia Chaiane Sales, que ficou presa no trânsito por conta do protesto, ainda assim o ato foi positivo. "É isso que o povo tem que fazer. Não pude ir porque preciso levar um contrato de estágio para ganhar um pouco para pagar essa passagem cara. Eu pego seis ônibus por dia, esse aumento vai fazer uma diferença enorme", afirma.

Além da manifestação desta terça-feira, há uma expectativa de um novo protesto no Derby, área central do Recife, a partir das 8h desta quarta-feira (18). 

Reajuste

O reajuste de 14,26%, aprovado na sexta-feira (13) pelo Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM), entrou em vigor no domingo (15), mas só foi sentido por inteiro pelos usuários na segunda-feira (16), já que há o benefício de meia-passagem no domingo. O anel A subiu de R$ 2,80 para R$ 3,20, o B, de R$ 3,85 para R$ 4,40, o D, de R$ 3 para R$ 3,45, e o G, de R$ 1,85 para R$ 2,10.

Conselheiro do CSTM e à frente da ação judicial que pede a anulação da reunião que definiu o índice de 14,26% de aumento, Márcio Morais afirma que falta transparência no processo. “Ingressamos no Tribunal de Justiça com um pedido de anulação da reunião e uma auditoria da planilha do aumento da passagem, alegando vício, falta de transparência no processo e a falta da planilha analítica”, afirmou ele, também ligado à Frente de Luta Pelo Transporte Público.

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