Após chacina, São José tem buscas e reforço na investigação

Rapaz portando maconha foi detido para averiguação e alega ser menor de 18 anos

Polícia nas ruas de São José da Coroa Grande após chacinaPolícia nas ruas de São José da Coroa Grande após chacina - Foto: Henrique Genecy/Folha de Pernambuco

No dia seguinte à chacina que deixou cinco mortos em São José da Coroa Grande, na Mata Sul de Pernambuco, a segurança na cidade está reforçada, mas o clima entre os moradores ainda é de muito medo. Equipes da Polícia Militar (PM) fazem rondas em buscas de suspeitos do crime, que ocorreu na manhã do sábado (17). As vítimas foram uma adolescente, dois rapazes e dois homens ainda não identificados formalmente. Os corpos estão no Instituto de Medicina Legal (IML), no Recife.

A chacina teria sido uma represália ao triplo homicídio ocorrido na última quinta-feira (15), no bairro de Nova Jagatá, quando três jovens foram mortos na frente da casa de um deles.

A casa onde houve a chacina fica na comunidade do Muruim. Marcas de sangue estão espalhadas pela entrada e pela sala. Segundo a PM, o local funcionava como boca de fumo. No sábado, os criminosos chegaram atirando e mataram dois homens ainda fora do imóvel. Em seguida, executaram as outras três vítimas no interior da casa. As investigações iniciais apontam que os homicídios tiveram relação com a disputa pelo tráfico de drogas entre um grupo de São José da Coroa Grande e outro de Barreiros, município vizinho.

Segundo a PM, local da chacina funcionava como boca de fumo

Segundo a PM, local da chacina funcionava como boca de fumo - Foto: Henrique Genecy/Folha de Pernambuco



Na manhã deste domingo (18), homens do Grupo de Apoio Tático Itinerante (Gati) e das Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas (Roçam) da PM detiveram um suspeito para averiguação. O rapaz, que alega ser menor de idade, mas não portava documentos na hora da abordagem, foi encontrado ao lado da casa tentando fugir para uma mata próxima. Ele estava com uma pequena quantidade de maconha e com uma mochila com roupas. Conforme informações iniciais, ele também teria envolvimento com o tráfico de drogas e com o grupo do qual parte das vítimas do sábado teria relação.

Duas das vítimas - a adolescente, de 12 anos, e um jovem de 16 - moravam juntas. Os parentes têm muito medo de identificar quem são e onde moram, mas uma familiar da jovem garantiu que ela não tinha envolvimento com o tráfico de drogas. “A gente vivia bem, tudo em família. Essas coisas que estão dizendo sobre o crime não são assim. Agora, o que São José está mesmo é um inferno. Venho do trabalho com medo. Não tem polícia. Mandaram muita polícia agora, mas já é muito tarde. O sofrimento que estamos passando agora não desejamos para ninguém”, disse.

Entenda o caso
Três adolescentes foram mortos na manhã da quinta-feira (15), no bairro de Nova  Jagatá, em São José da Coroa Grande, na Mata Sul de Pernambuco. O alvo seria um dos jovens, que teria envolvimento com tráfico de drogas. O trio estava conversando na calçada quando um carro preto chegou e disparou vários tiros de armas ponto 40 e calibre 380.

Os corpos foram encontrados na frente da casa de um deles, José Anderson da Silva, de 17 anos. A outra vítima, Éverton da Silva, 16, estava na companhia de José Anderson e também foi uma das vítimas. O nome da terceira vítima, um adolescente de 17 anos, não foi divulgado.

Dois dias depois, na manhã de sábado (17), outras cinco pessoas foram assassinadas no mesmo município, na Av. João Francisco de Melo, 45, na comunidade do Muruim. O crime teria sido uma represália ao triplo homicídio. As vítimas eram quatro homens e uma mulher.

Ainda no sábado, o governador de Pernambuco de Pernambuco, Paulo Câmara, determinou "empenho total das polícias na elucidação e prisão dos suspeitos". Também determinou a "garantia da tranquilidade e ordem para a população local".

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